Força da Tática: O milagreiro de Alicante

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Madrid é casa de uma das equipas mais dominantes do atual futebol europeu. Uma formação que consegue, Domingo após Domingo, obrigar os adversários a fazerem aquilo que estes não querem.

Não, não falamos nem do Club Atlético de Madrid nem do Real Madrid CF, mas do Getafe CF.

No melhor exemplo possível daquilo que é o trabalho de um treinador, José Bordalás conseguiu potencializar ao máximo cada individuo, de um dos planteis com menos qualidade de La Liga. Quando digo “ao máximo” refiro-me até ao ponto de nem os próprios jogadores acreditarem que eram capazes de jogar aquele nível.

Jaime Mata, Jorge Molina, Ángel Rodríguez, Djené, Antunes, Damián Suárez, Arambarri ou Maksimovic, são alguns jogadores que parecem ter esperado toda a sua vida para jogar a este nível.

Vamos então perceber como joga este Getafe, do milagreiro de Alicante.

Sistema e equipa: O 4-4-2

Fonte: Chose11

Como se pode constatar não existem grandes nomes. Claro, hoje todos conhecemos Jaime Mata ou Dakonam, mas no início da época ninguém esperava que o Getafe fosse hoje a equipa de Liga dos Campeões que é hoje (eu incluído).

Jogar frente a este 4-4-2 é um verdadeiro desafio. Não só a nível tático e físico, como mental. É uma equipa que raramente perde um duelo individual, que leva constantemente o jogo para onde o adversário não quer e que transforma a difícil missão de controlar o espaço, numa arte.

A chave não está no próprio sistema, jogar em 4-4-2 ou 4-3-3 por si só vale pouco, mas nos automatismos e nas dinâmicas. Não está relacionado com a qualidade individual das peças, mas da força das ligações entre elas.

“José Bordalás não desenha apenas um sistema por jogo, mas onze para 11 jogadores diferentes que se ligam de forma harmoniosa”

Fase Defensiva (Sem bola)

Independentemente do adversário, o guião é sempre o mesmo:

– Conceder muito pouco espaço entre linhas.

– Intensidade máxima nos duelos individuais, podemos falhar um passe, mas nunca perder um duelo.

– Definir bem as zonas para intensificar a pressão e recuperar a bola.

Como vemos, a execução desse guião começa na dupla de avançados. Principalmente na forma como eles se articulam, jogando muito próximos entre si para forçar o adversário a circular por fora, e nos apoios constantes aos colegas com a criação de diversas situações de superioridade numéricas.

Não se trata de uma equipa que joga entrincheirada no seu meio campo defensiva, antes pelo contrário. Com uma linha defensiva alta e sempre perfilada para responder aos ataques à profundidade, vai emergindo Djené Dakonam. Um central rápido (muito), com uma excelente consciência corporal e que antecipa muito bem as intenções dos adversários, qualidades que permitem ao Getafe jogar com uma linha defensiva bem subida.

Sem esquecer a linha média, que está mentalmente sempre ligada ao jogo, pronta para responder a estímulos e saltar imediatamente no acompanhamento, com os restantes elementos da linha média a dar cobertura a esta “saída”, fechando dentro.

Fase Ofensiva (Com bola)

“Jogar futebol é muito simples, difícil é jogar um futebol simples “ Johann Cruyff.

Fonte: Squawka Stats

Qual a equipa que menos dribla em La Liga? Aliás, qual é a equipa que menos precisa de driblar?

O Getafe não tem nenhum “artista”, porque não precisa. Joga um futebol simples, que foge da gratificação imediata e da procura pela notoriedade em cada toque na bola.

Com Molina, a equipa não tem um “artista”, mas um jogador extremamente inteligente do ponto de vista tático. A sua capacidade de jogar de costas para a baliza adversária, receber, guardar a bola e perceber o melhor momento para a soltar permite à equipa jogar de uma forma simples, direta e sem muita elaboração.

Jaime Mata é um individuo diferente. A sua mobilidade encontra na inteligência de Molina a companhia ideal. Os seus inteligentes movimentos sem bola, dão à equipa a profundidade que por defeito o sistema 4-4-2 não tem.

Uma equipa que não se destaca concretamente em nada, mas por todo ao mesmo tempo.

Uma equipa que se destaca por não ter a necessidade de fazer nada de extraordinário, sempre que tem a bola.

Foto de capa: Getafe CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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