Força da Tática: O sacrifício do talento

- Advertisement -

Três noites depois do confronto para a Taça do Rey, o Santiago Bernabéu voltou a receber o FC Barcelona para novo El Clássico. A competição era outra, mas o resultado final foi o mesmo.

Apesar do 0-3 da última quarta-feira, Ernesto Valverde sabia que tinha de mudar algo na sua equipa, tendo em consideração a fraca exibição e a quantidade de erros que acumulou. Assim, Arthur entrou para o lugar de Sergi Roberto, no lado esquerdo do meio capo, com este último a substituir Semedo na lateral direita.

A entrada de Arthur é verdadeiramente importante do ponto de vista coletivo. Com o brasileiro em campo, o Barcelona consegue circular muito melhor, com mais autoridade, e reagir com mais qualidade à perda. A sua resistência à pressão, que permitem-lhe jogar entre as linhas adversárias, e saída de pressão, como conduz curto e como gira sobre pressão, são muito importantes para a equipa na primeira fase de construção e não obrigam Messi a baixar linhas em excesso. Assim, Messi pode andar (literalmente) pelas costas de Casemiro e não pela sua frente, o que faz uma diferença brutal.

Este é um privilégio, que Solari não tem. A primeira fase de construção do Real Madrid é uma confusão tremenda, onde a aleatoriedade é uma presença constante. E já diz o ditado “o que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita “.

Fonte: FC Barcelona

Assim, neste contexto, é muito difícil a Kroos impactar a fase ofensiva da equipa como fez nos últimos anos. Hoje é muito difícil para Kroos ver o jogo de frente, o mesmo é dizer que é muito difícil para ele usar a sua grande arma: o passe. Particularmente porque os destinatários dos seus passes pisam zonas e têm funções, que não dão ao alemão o tempo e o espaço que ele precisa para impactar.

Portanto, não ia ser a entrada de Bale que ia tornar a equipa mais competente com bola. A noite de ontem confirmou, mais uma vez, que o Real Madrid não é capaz de realizar uma fase de construção que traga a estabilidade necessária, para posteriormente agredir o adversário. Não existem rotinas e padrões para realizar a saída de bola.

Ontem, o foco estava em fazer a bola chegar aos pés de Vinícius o mais rapidamente possível. A forma como a bola lá chegava pouco ou nada importava. Velocidade em detrimento da qualidade, o que é uma fórmula perfeita para criar desconfiança.

Um Real Madrid que correu como nunca. Uma equipa que privilegia o esforço físico em detrimento do talento individual, que têm jogadores incríveis, mas que é incapaz de criar um contexto favorável para que eles coloquem em campo as suas qualidades.

Solari continua a sacrificar o talento na buscar por em sentido coletivo, vamos ver onde isso o leva.

Foto de Capa: FC Barcelona

Artigo revisto por: Jorge Neves 

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Micael Sequeira projeta duelo entre Brondby e Sporting na Taça Europa: «Não podemos ter medo de jogar»

Micael Sequeira fez a antevisão ao duelo com o Brondby, num jogo a contar para a primeira mão da segunda eliminatória da Liga Europa Feminina

CTA admite erro grave no dérbi entre Atlético Madrid e Real Madrid: Kang-In Lee devia ter visto vermelho

O Comité Técnico de Árbitros analisou o dérbi de Madrid e reconheceu um erro grave, considerando que Kang-In Lee deveria ter sido expulso.

Carlos Espí agradece a José Mourinho: «Faz-me sentir mais cómodo, mais seguro, com mais confiança»

Carlos Espí abordou a mudança para o Real Madrid, o grande arranque de temporada e a relação com José Mourinho.

Rodrigo Mora abre o livro sobre a saída do FC Porto: «Precisava de um novo desafio na minha vida»

Em entrevista ao Canal 11, Rodrigo Mora refletiu sobre a despedida difícil do FC Porto e a mudança para a AS Roma.

PUB

Mais Artigos Populares

Benfica revela novos detalhes da lesão de Enzo Barrenechea

O Benfica anunciou que Enzo Barrenechea foi submetido a uma artroscopia do joelho esquerdo para tratamento de rotura do menisco medial.

Diogo Travassos ambicioso antes do jogo de Portugal frente à Bulgária em Sub-21: «Queremos ganhar os jogos com qualidade e personalidade»

Diogo Travassos destacou o percurso de Portugal na qualificação e garantiu que a equipa quer manter o nível apresentado até agora.

Frederico Varandas comenta o Relatório e Contas do Sporting: «Mantivemo-nos fiéis ao ADN que nos distingue»

Frederico Varandas descreveu a temporada 2025/26 do Sporting como «um período de crescimento e afirmação».