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Força da Tática: O sacrifício do talento

João Mateus · 2 min

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Três noites depois do confronto para a Taça do Rey, o Santiago Bernabéu voltou a receber o FC Barcelona para novo El Clássico. A competição era outra, mas o resultado final foi o mesmo.

Apesar do 0-3 da última quarta-feira, Ernesto Valverde sabia que tinha de mudar algo na sua equipa, tendo em consideração a fraca exibição e a quantidade de erros que acumulou. Assim, Arthur entrou para o lugar de Sergi Roberto, no lado esquerdo do meio capo, com este último a substituir Semedo na lateral direita.

A entrada de Arthur é verdadeiramente importante do ponto de vista coletivo. Com o brasileiro em campo, o Barcelona consegue circular muito melhor, com mais autoridade, e reagir com mais qualidade à perda. A sua resistência à pressão, que permitem-lhe jogar entre as linhas adversárias, e saída de pressão, como conduz curto e como gira sobre pressão, são muito importantes para a equipa na primeira fase de construção e não obrigam Messi a baixar linhas em excesso. Assim, Messi pode andar (literalmente) pelas costas de Casemiro e não pela sua frente, o que faz uma diferença brutal.

Este é um privilégio, que Solari não tem. A primeira fase de construção do Real Madrid é uma confusão tremenda, onde a aleatoriedade é uma presença constante. E já diz o ditado “o que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita “.

Fonte: FC Barcelona

Assim, neste contexto, é muito difícil a Kroos impactar a fase ofensiva da equipa como fez nos últimos anos. Hoje é muito difícil para Kroos ver o jogo de frente, o mesmo é dizer que é muito difícil para ele usar a sua grande arma: o passe. Particularmente porque os destinatários dos seus passes pisam zonas e têm funções, que não dão ao alemão o tempo e o espaço que ele precisa para impactar.

Portanto, não ia ser a entrada de Bale que ia tornar a equipa mais competente com bola. A noite de ontem confirmou, mais uma vez, que o Real Madrid não é capaz de realizar uma fase de construção que traga a estabilidade necessária, para posteriormente agredir o adversário. Não existem rotinas e padrões para realizar a saída de bola.

Ontem, o foco estava em fazer a bola chegar aos pés de Vinícius o mais rapidamente possível. A forma como a bola lá chegava pouco ou nada importava. Velocidade em detrimento da qualidade, o que é uma fórmula perfeita para criar desconfiança.

Um Real Madrid que correu como nunca. Uma equipa que privilegia o esforço físico em detrimento do talento individual, que têm jogadores incríveis, mas que é incapaz de criar um contexto favorável para que eles coloquem em campo as suas qualidades.

Solari continua a sacrificar o talento na buscar por em sentido coletivo, vamos ver onde isso o leva.

Foto de Capa: FC Barcelona

Artigo revisto por: Jorge Neves 

João Mateus

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