Força da Tática: Só mais um! …Só mais um! …Só mais um!

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O Chelsea FC recebeu em Londres os Reds, para a sétima jornada da Premier League, dias depois do jogo entre ambas a contar para a Taça da Liga, onde a vitória sorriu ao conjunto Blue. As expectativas para este novo confronto eram altas, e as equipas não desiludiram proporcionando um espetáculo de grande nível.

Equipas Iniciais

Chelsea FC: Arrizabalaga; Alonso, David Luiz, Rüdiger e Azpilicueta (c); Kovačić, Jorginho e Kanté; Hazard, Giroud e Willian.

A equipa da casa alinhou no seu habitual 4-3-3, com Giroud a ocupar a posição de ponta de lança e Willian sobre direita do ataque.

Liverpool FC: Alisson; Robertson, Gomez, Van Dijk e Alexander-Arnold; Milner, Henderson e Wijnaldum; Mane, Firmino e Salah.

Klopp também não realizou grandes alterações e fez entrar em campo o seu 4-3-3 habitual.

 

Pressão Red

Como vimos no confronto, em Anfield, com o PSG para a Liga dos Campeões, a pressão é uma forte componente do jogo do Liverpool, mas não aquela asfixiante que víamos Klopp realizar em Dortmund, com o intuito de ganhar a posse de bola o mais rapidamente possível.

Nos últimos tempos, particularmente frente a adversários de maior qualidade, Klopp usa a pressão como ferramenta para destabilizar a circulação e a construção do adversário desde posições mais recuadas. Naturalmente que se a oportunidade surgir para ganhar a posse de bola, a equipa aproveita, mas não é esse o objetivo primordial, é uma forma ligeiramente mais passiva.

Já tinha falado, em artigos anteriores, que esta era uma abordagem que os adversários iam ter cada vez mais frente ao Chelsea. Particularmente, na forma como procuram retirar Jorginho da fase inicial de construção, transferindo essa responsabilidade (de iniciar a construção) para os defesas centrais.

Em baixo, vemos como Firmino não procura pressionar os centrais com o intuito de recuperar a bola, a sua grande preocupação é manter Jorginho na sua sombra, tornando-o inacessível.

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Fonte: BT Sport

Já Salah e Mane, dividem o espaço entre o central e o lateral adversário, por isso vemos Mane mais adiantado no terreno, em comparação com Salah, já que Alonso está mais projetado que Azpilicueta.  Depois, no momento certo, Mane pressiona e força o Chelsea a jogar longo, onde a capacidade física dos jogadores do Liverpool faz a diferença e permite ao Reds ganhar a bola.

Mapa de ação de Jorginho frente ao Liverpool:

Fonte: WhoScored.com

Mapa de ação de Jorginho frente ao Cardiff City FC:

Fonte: WhoScored.com

As regras do futebol ainda não permitem cortar braços e amordaçar os adversários

Esta abordagem do Liverpool, em retirar Jorginho do jogo, teve como consequência para os centrais do Chelsea, mais tempo e espaço com a bola nos pés. Fatores, que tanto Rudiger como David Luiz aproveitaram para assumir a responsabilidade pela primeira fase de construção.

E apesar do Liverpool ter sido bastante eficaz na forma como manteve Jorginho na sombra de Firmino e como anulou a sua intervenção na primeira fase de construção, as regras do futebol ainda não permitem cortar braços e amordaçar os adversários. Assim Jorginho continuou a ter impacto tremendo no jogo da equipa. A forma como dá indicações aos colegas, usando o facto de estar na sombra de Firmino em proveito da equipa.

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Fonte: BT Sport

Notem, em cima, como ele não procura receber a bola naquele espaço, entre Firmino e Mane. Jorginho mantêm-se entre o brasileiro e Henderson, fixando ambos os jogadores do Liverpool, e abrindo a linha de passe vertical para Hazard.

Mesmo os golos soberbos, acontecem por algum motivo

Um problema que também aproveitei para identificar, à umas semanas, na minha série de artigos sobre Sarri, foi excessivo espaço entre a linha defensiva e o meio campo Blue. Na minha opinião, isso não é um problema, mas sim uma consequência da forma de jogar do Chelsea FC, que pode ser minimizada quando todos os jogadores tiverem no “mesmo comprimento de onda”.

Fonte: BT Sport

O Liverpool foi sobrecarregando cada vez mais o espaço entre linhas do Chelsea, o que foi desgastando mentalmente os jogadores dos Blues, principalmente dos médios, já que tinha de dividir a sua atenção entre o homem que tinha a posse de bola (na sua frente) e o que estava nas suas costas, ajustando a sua posição corporal a todo o momento.

O Liverpool foi sobrecarregando cada vez mais o espaço entre linhas do Chelsea, o que foi desgastando mentalmente os jogadores dos Blues, principalmente dos médios, já que tinha de dividir a sua atenção entre o homem que tinha a posse de bola (na sua frente) e o que estava nas suas costas, ajustando a sua posição corporal a todo o momento.

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Fonte: BT Sport

Vejam, em cima, como o posicionamento de Mané, entre linhas, obriga os médios do Chelsea a alternar constantemente entre recuar (para cortar a linha de passe para o senegalês) e avançar para manter a bola sobre pressão, não só isto desgasta fisicamente como deixa sempre uma janela de oportunidade para estes remates, no meio desses “sobe e desce”.

Grande pontapé de Sturridge, que acaba por marcar um golo melhor que aquele que ganhou o prémio Puskas.

Deixem jogar o Hazard

Depois do último mês, ninguém se arrisca dizer que este Chelsea não é candidato ao título.  A liberdade que Sarri deu a Hazard, transporta os Blues para um patamar que ninguém esperava, pelo menos com tão pouco tempo de trabalho.

O Liverpool procurou defender o Belga evitando que a bola lhe chegasse, ao invés de lidar com ele em posse de bola, mas Hazard está em uma forma onde é resistente a toda e qualquer forma de marcação. Procura sempre receber a bola na zona entre corredores, onde é demolidor. Essa zona, entre o corredor central e o lateral, potencia ao máximo as qualidades individuais de jogadores com a qualidade técnica de Hazard, já que colocam o adversário sempre na dúvida, sobre quem acompanha o belga. É o lateral, que têm Alonso, na sua zona, a dar largura? É o central, que têm Giroud na zona central? Ou é o médio defensivo, abandonado a importante posição central?

Toques na bola de Hazard ao longo do jogo:

Fonte: WhoScored.com

Foi essa mobilidade de Hazard que resultou no golo do Chelsea FC. O Liverpool não conseguiu cortar a linha de passe para o belga, o que obrigou Trent Alexander-Arnold a abandonar a sua posição. Sentindo que arrastou o defesa, Hazard joga no apoio e ataca imediatamente o espaço que acabou de criar.

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Fonte: BT Sport

Até apetece fazer uma profecia: Se Hazard receber entre linhas, no espaço entre corredores, algo desconfortável vai acontecer ao adversário, nos instantes seguintes.

O único problema destes jogos, é que não podemos escrever 5000 palavras sobre eles. Fica o essencial de um grande jogo de futebol.

 

Foto de Capa: Liverpool FC

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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