Força da Tática: Uma história para contar aos meus netos

- Advertisement -

Há noites que ficam na história. Na passada terça-feira, Turim foi o palco de uma dessas noites.

Um confronto de estilos, de filosofias, entre uma velha senhora que é presente, mas que procura ser futuro e de jovens que são o futuro inspirado no passado.

O jogo não começou nada bem para o AFC Ajax. Não só pelo golo de Cristiano, mas principalmente pelo efeito que o pressing da Juventus teve na capacidade de De Jong impactar o jogo da equipa holandesa. No meu ponto de vista, até ao golo de Beek (1-1), o jogo era da Juventus FC.

Com bola, a capacidade de Emre superar linhas através da condução e a qualidade de passe de Bonucci (ligando com Dybala), permitiram à Juventus chegar com facilidade ao último terço. Em baixo, podemos ver precisamente a importância de Dybala, oferecendo-se como opção de passe mais profunda, para depois entregar no apoio frontal em um dos médios.

Fonte: BT Sport

Vemos como, dessa forma, Pjanic conseguia receber nas costas da 1ª linha de pressão do Ajax e encarar o jogo de frente, com tempo e espaço. Em resposta, o Ajax era obrigado a reagir fechado o centro, permitindo à Juventus explorar as situações de vantagem por fora.

Fonte: BT Sport

Assim, e com algumas iniciativas de Emre, a Juventus ia conseguindo quebrar a marcação orientada ao homem que o meio campo holandês realiza. Com isso, a Juventus estava mais próxima da baliza de Onana e Ronaldo dentro de área, onde é … enfim, é o que é.

Sem bola, Emre não deixou De Jong respirar. Rápido a reagir aos estímulos, vertical nos seus movimentos de aproximação, forçando o jogo constantemente até Onana, que tentava fazer a bola chegar aos seus defesas laterais (posicionados em largura), mas sem muito sucesso.

Fonte: BT Sport

Contudo, o Ajax nunca perdeu o norte, mesmo quando esteve em desvantagem. Soube sofrer e passar por alguns períodos em Organização Defensiva, defendendo em 4-5-1. Esperou o seu momento e quando ele chegou … nunca mais olhou para trás.

O golo de Beek, foi esse momento, mudou tudo. Tanto que no final, podemos falar de um resultado injusto para o Ajax. Tamanha foi a superioridade dos homens de Erik T. Hag. Não só a nível técnico-tático, como físico e mental.

Na segunda parte a forma como o Ajax reduz a Juventus, não tem explicação.

Mentira, tem explicação.

O contexto (igualdade no marcador) criou as condições para Allegri acabar por ser vítima de si mesmo. Ao retirar (intervalo) Dybala, para colocar Kean, enviou a mensagem que ia procurar agredir o adversário em Transição/Contra-ataque. Reduziu os níveis de intensidade sem bola e isso bastou para a máquina holandesa começar a trabalhar:

–  Rotações posicionais durante a fase de construção.

– Que permitia posteriormente um jogo de progressão, onde o homem com bola tinha sempre várias opções de passe. A diferentes alturas e profundidades.

– Culminando em vibrantes combinações rápidas no último terço.

Uma abordagem que permitiu à Juventus dar a volta à eliminatória anterior, mas que condenou a equipa nesta.

Porquê? Porque no Ajax, todos são capazes de jogar com a camisola 10 nas costas, pela facilidade com que jogam a um toque, sempre em progressão, criando e ocupando espaços sucessivamente.

Obrigado Champions.

Ah! E deixem-se de história de Super Ligas Europeias! Não acabem com estas histórias e com o nosso/meu jogo.

Foto de capa: UEFA Champions League

Artigo revisto por: Jorge Neves 

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Tarde de despedidas com last dance de Bernardo Silva, Pep Guardiola e não só: eis as 6 despedidas de peso na Premier League

Muitos adeus na Premier League. Pep Guardiola, Bernardo Silva, John Stones, Mohamed Salah, Andrew Robertson e Andoni Iraola despedem-se dos seus clubes.

Terror do West Ham fecha as contas da descida: eis os 3 clubes que descem ao Championship e os 3 substitutos na Premier League

Com a última jornada da Premier League realizada, já é conhecida a constituição da próxima edição, após a queda do West Ham. Eis os clubes que descem e os clubes que sobem.

Contas da Europa: Premier League leva 8 clubes às provas europeias e já é conhecida a divisão

A Premier League encerrou este domingo. Contas da Europa ficaram seladas, com muitos lugares definidos nas últimas jornadas.

Sporting garante acesso direto à fase de liga da Champions League depois da ajuda de Aston Villa e Liverpool

O Sporting já conhece o veredicto quanto à Champions League. De Inglaterra vieram boas notícias e leões entram entram diretos na prova.

PUB

Mais Artigos Populares

Taça de Portugal: Torreense marca ao Sporting com golo aos 3 minutos

O Torreense começou a vencer o Sporting na final da Taça de Portugal. Jogo está a decorrer este domingo no Estádio do Jamor.

Luís Filipe Vieira marca presença no Jamor para a final da Taça de Portugal entre Sporting e Torreense

O Sporting defronta o Torreense na final da Taça de Portugal. Luís Filipe Vieira está presente este domingo no Estádio do Jamor.

Andreas Pereira sai em defesa de Abel Ferreira após goleada: «É tipo Sir Alex Ferguson do Palmeiras»

O Palmeiras goleou o Flamengo por 3-0 e segurou o primeiro lugar. Após o jogo, Andreas Pereira comparou o luso a Alex Ferguson.