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Força da Tática: Uma história para contar aos meus netos

João Mateus · 3 min

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Há noites que ficam na história. Na passada terça-feira, Turim foi o palco de uma dessas noites.

Um confronto de estilos, de filosofias, entre uma velha senhora que é presente, mas que procura ser futuro e de jovens que são o futuro inspirado no passado.

O jogo não começou nada bem para o AFC Ajax. Não só pelo golo de Cristiano, mas principalmente pelo efeito que o pressing da Juventus teve na capacidade de De Jong impactar o jogo da equipa holandesa. No meu ponto de vista, até ao golo de Beek (1-1), o jogo era da Juventus FC.

Com bola, a capacidade de Emre superar linhas através da condução e a qualidade de passe de Bonucci (ligando com Dybala), permitiram à Juventus chegar com facilidade ao último terço. Em baixo, podemos ver precisamente a importância de Dybala, oferecendo-se como opção de passe mais profunda, para depois entregar no apoio frontal em um dos médios.

Fonte: BT Sport

Vemos como, dessa forma, Pjanic conseguia receber nas costas da 1ª linha de pressão do Ajax e encarar o jogo de frente, com tempo e espaço. Em resposta, o Ajax era obrigado a reagir fechado o centro, permitindo à Juventus explorar as situações de vantagem por fora.

Fonte: BT Sport

Assim, e com algumas iniciativas de Emre, a Juventus ia conseguindo quebrar a marcação orientada ao homem que o meio campo holandês realiza. Com isso, a Juventus estava mais próxima da baliza de Onana e Ronaldo dentro de área, onde é … enfim, é o que é.

Sem bola, Emre não deixou De Jong respirar. Rápido a reagir aos estímulos, vertical nos seus movimentos de aproximação, forçando o jogo constantemente até Onana, que tentava fazer a bola chegar aos seus defesas laterais (posicionados em largura), mas sem muito sucesso.

Fonte: BT Sport

Contudo, o Ajax nunca perdeu o norte, mesmo quando esteve em desvantagem. Soube sofrer e passar por alguns períodos em Organização Defensiva, defendendo em 4-5-1. Esperou o seu momento e quando ele chegou … nunca mais olhou para trás.

O golo de Beek, foi esse momento, mudou tudo. Tanto que no final, podemos falar de um resultado injusto para o Ajax. Tamanha foi a superioridade dos homens de Erik T. Hag. Não só a nível técnico-tático, como físico e mental.

Na segunda parte a forma como o Ajax reduz a Juventus, não tem explicação.

Mentira, tem explicação.

O contexto (igualdade no marcador) criou as condições para Allegri acabar por ser vítima de si mesmo. Ao retirar (intervalo) Dybala, para colocar Kean, enviou a mensagem que ia procurar agredir o adversário em Transição/Contra-ataque. Reduziu os níveis de intensidade sem bola e isso bastou para a máquina holandesa começar a trabalhar:

–  Rotações posicionais durante a fase de construção.

– Que permitia posteriormente um jogo de progressão, onde o homem com bola tinha sempre várias opções de passe. A diferentes alturas e profundidades.

– Culminando em vibrantes combinações rápidas no último terço.

Uma abordagem que permitiu à Juventus dar a volta à eliminatória anterior, mas que condenou a equipa nesta.

Porquê? Porque no Ajax, todos são capazes de jogar com a camisola 10 nas costas, pela facilidade com que jogam a um toque, sempre em progressão, criando e ocupando espaços sucessivamente.

Obrigado Champions.

Ah! E deixem-se de história de Super Ligas Europeias! Não acabem com estas histórias e com o nosso/meu jogo.

Foto de capa: UEFA Champions League

Artigo revisto por: Jorge Neves 

João Mateus

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