Força da Tática | FC Porto 2-2 Sporting

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FC Porto e Sporting empataram na 31.º jornada da Liga Portuguesa, num jogo que parecia estar resolvido, mas os astros do futebol alinharam-se com Viktor Gyokeres e colocam os leões cada vez mais perto do título.

Antes da bola rolar, a grande surpresa nos onzes veio da equipa da casa, cujo nome foi Martim Fernandes que num contexto propício a “queimar-se”, deu resposta. Nos verdes e brancos, Gonçalo Inácio perfilou-se a ala esquerdo, mas não surpreende. Com Geny Catamo na direita, Ruben Amorim, por norma, privilegia o setor defensivo. Francisco Conceição necessita de um defesa especial face as suas capacidades técnicas.

Como se perspetivava, o FC Porto entrou com uma pressão alta bem vincada como aconteceu com o Benfica e, rapidamente, deu frutos com mais um erro fora dos postes por parte de Franco Israel. Caso o Sporting vença Liga Portuguesa, não será por conta dos seus guarda-redes que contribuíram muito pouco (e muitas vezes penalizaram) como sucedeu com Adán e Israel.

Pepê, novamente fulcral, com o papel importante entrelinhas para receber e rodar aproveitando as fragilidades defensivas de Daniel Bragança que “não tem pernas”, por características, para acompanhar o brasileiro.

Muito do trabalho defensivo do FC Porto em defender a largura do Sporting passou por descer os seus extremos quase ao mesmo nível dos laterais. Não é por acaso que Francisco Conceição ganhou duas ou três vezes a posse de bola, assim como Galeno. Em contrapartida, o Sporting não conseguiu criar. Pouca objetividade e muitos cruzamentos sem nexo, devido à boa organização portista.

E ao minuto 41, Martim Fernandes arranca, pela direita, após uma saída, arriscada, que abriu o lado do campo para a progressão do jovem que assistiu Pepê para dilatar a vantagem.

O treinador do Sporting, na segunda parte, teve que correr atrás do prejuízo face às invenções testadas no início da partida. Tirou Inácio da sua posição e colocou-o na ala e perdeu profundidade e largura e não ganhou nada defensivamente. E essa alteração fez Diomande vir para a esquerda e ter muitas dificuldades a construir, algo que não é de “hoje”.

Para dinamizar o Sporting que estava sem ritmo, Rúben Amorim, na volta dos balneários, substituiu Daniel Bragança por Gyokeres que fez uma primeira parte muito abaixo das expectativas e baixou Pote para fazer dupla com o Hjulmand e “empurrou” Paulinho para a esquerda do ataque.

No entanto, a ideia para o meio-campo não se justificou, tendo em conta que havia Morita no banco. Pedro Gonçalves não foi capaz de travar as intenções de Pepê que rodou e jogou como quis. A entrada do nipónico, Morita, e de Nuno Santos, a meia hora do fim, deu naturalidade ao Sporting que, à campeão, foi à luta e, com a sua equipa-base, saiu recompensado. E claro, Viktor Gyokeres voltou a ser o homem do jogo.

Em apenas um minuto (87 e 88), o Sporting chega ao empate. Numa primeira instância com Nuno Santos a aproveitar a profundidade, que até à sua entrada não existia, e a tirar o cruzamento para o sueco faturar de cabeça e no momento a seguir, Edwards a assistir e o avançado a ter o trabalho de encostar.

Um clássico que serve de lição para os treinadores de ambas as equipas. Rúben Amorim aprendeu que “inventar” num jogo com este grau de dificuldade, não é a melhor ideia e Sérgio Conceição, mexeu tarde e mal, e os dragões saíram prejudicados.

Em suma, destacar Pepê, Francisco Conceição e Galeno que elevam o nível ofensivo do FC Porto. Estão sempre predispostos a desequilibrar o adversário. A serenidade de Nico González e Alan Varela, a pautar/ligar o jogo, sempre muito coordenados e a qualidade de Evanilson em apoio fazem o resto.

Do lado do Sporting, Gyokeres é o destaque, mudou o jogo por completo. São, atualmente, 40 golos em 46 jogos. E além dos dados, é um poço de capacidade e disponibilidade física para momentos defensivos. Uma temporada histórica para o sueco.

Miguel Costa
Miguel Costa
Licenciado em Jornalismo e Comunicação, o Miguel é um apaixonado por desporto, algo que sempre esteve ligado à sua vida. Natural de Santiago do Cacém, o jornalismo desportivo é o seu grande objetivo. Tem sempre uma opinião na “ponta da língua”, nunca esquecendo a verdade desportiva. Escreve com acordo ortográfico.

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