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Jogadores que Admiro #12 – David Beckham

João Almeida Rosa · 3 min

Jogadores que Admiro #12 – David Beckham

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Inglaterra 1 Grécia 2. Dia 6 de Outubro de 2001, jogava-se, em Old Trafford, uma partida decisiva para o futebol Inglês. A Inglaterra precisava de, pelo menos, um empate frente à Grécia de forma a garantir o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2002. Mas, já depois dos 90 minutos, estava a perder.

David Beckham teve sempre de lutar contra a falta de inteligência e contra o preconceito. Não dele, mas de quem procurou na fama uma arma para o fazer ter de provar o seu valor como se as suas qualidades assim não o fizessem. Lutou dentro de campo, claro, mas lutou em inúmeros territórios extra futebolísticos em que os seus adversários usaram estratégias desleais contra si. Talvez por isso ainda seja, hoje, questionado o seu nome quando dentro dos maiores que se viram no presente século.

A verdade é que o médio Inglês poderia ter facilitado a sua própria tarefa. Poderia ter abdicado da sua vaidade; das roupas caras que exibia; dos tiques de estrela que sempre teve; da ligação à moda e da relação com uma famosa. Mas, um pouco à semelhança de Cristiano Ronaldo, não o fez. Afinal, quando na comodidade da própria casa, todos dizemos que não devemos abdicar do que somos pelo que os outros pensam. Mas quando com uma câmara apontada à cara, quantos vamos persistir no que os outros julgam? Beckham persistiu.

Beckham bateu os dois cantos que, nos descontos, valeram a conquista da Champions ao Man United, frente ao Bayern Munique, em 1998. "Impossible is nothing", não é? / Fonte: o.canada.com/
Beckham bateu os dois cantos que, nos descontos, valeram a conquista da Champions ao Man United, frente ao Bayern Munique, em 1998 / Fonte: o.canada.com

Futebolisticamente foi sublime. Com precisão milimétrica no passe longo, com uma quase perfeição no passe curto, o melhor que alguma vez vi nos cantos, nos livres, nos cruzamentos.  Faltava-lhe intensidade para médio centro, digam. Velocidade para extremo, também. Mas pensem nos ídolos de Manchester e, sem ser o nosso Ronaldo, de quem se lembram? Poder-se-iam lembrar de Rooney, de Van Nistelrooy, de Scholes, de Ferdinand, de Giggs e de tantos, tantos outros que por lá brilharam, mas o nome em que mais de vós pensaram foi certamente o mesmo que fez, no dia 10 de Março de 2010, todos os presentes se levantarem para ovacionar o regresso de um dos seus maiores símbolos: David Beckham.

Pela sua carreira contou títulos em Inglaterra, em Espanha, nos Estados Unidos e em França. Resumidamente, em todos os sítios onde jogou excepto na Itália onde só esteve uns meses. Dez campeonatos, dez taças nacionais, uma Liga dos Campeões e uma Taça Intercontinental. Individualmente, é o 3º melhor assistente da Premier League (com 152 assistências) e foi considerado, entre muitas outras coisas, o melhor jogador do Real Madrid na época de 2005-2006. Por lá jogavam os modestos Zinedine Zidane, Raúl, Luís Figo e Ronaldo. Foi o responsável pela chegada do futebol a países que dele apenas conheciam o seu nome.

Beckham
David Beckam no seu ultimo clube, o PSG
Fonte: esportes.terra.com.br

Paralelamente participou em muitas campanhas publicitárias. Numa delas, da Adidas, citou um outro campeão: Muahmmad Ali.

“Impossível é apenas uma grande palavra espalhada por pequenos homens que consideram mais fácil viver no mundo de que eles têm desistido do que explorar o poder que têm para o mudar. Impossível não é facto, é opinião. Impossível é potencial. É temporário. Impossible is nothing.”

Foi talvez inspirado por palavras como estas que, naquela tarde de 2001, Beckham partiu para um livre a 30 metros da baliza e, com um arco que só dele se espera, deixou os críticos à procura de polémicas que abafassem a felicidade do povo Inglês que viu ali como o impossível é temporário. Ali, levou o tempo que Beckham decidiu. No fim, o comentador lá exclamou: “give that man a knighthood!”. Inglaterra 2 Grécia 2.

João Almeida Rosa

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