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Jogadores que Admiro #14 – Giorgos Karagounis

Mário Cagica Oliveira · 2 min

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Bem sei que o grego não se pode equiparar à grande maioria de jogadores já referidos nesta rubrica do Bola na Rede. Não foi um fora de série, nem tão pouco um jogador de excelência, ao nível dos melhores de sempre. Karagounis, no entanto, exemplifica tudo aquilo que um adepto apaixonado pelo futebol aprecia: garra, determinação e uma vontade imensa de querer ganhar todos os jogos em que participa.

Depois de uma entrevista ao nosso programa, Fernando Santos, treinador do grego na seleção, confidenciava-me que, apesar dos seus 36 anos, o polivalente médio grego continua a ser uma peça fundamental no seu conjunto: «é um jogador que quer sempre jogar e nunca quer estar no banco. Ele esquece-se é que tem 36 anos». E é esta característica, quase insana de Karagounis, de nunca virar a cara à luta, mesmo quando o corpo não consegue corresponder da mesma forma do que as ordens do coração, que o faz ser tão querido por todos os adeptos do clube que representa. É um guerreiro. Se, em certo jogo, apresenta alguma irregularidade exibicional, tal nunca se deverá à falta de querer ou ambição. Sobre isso, nunca nenhum adepto pôde ter razões de queixa. Seja no primeiro minuto de jogo ou nos descontos da segunda parte, Karagounis nunca muda de atitude: a entrega ao jogo é sempre total.

Karagounis é provavelmente o melhor jogador grego de sempre Fonte: news.com.au
Karagounis é o símbolo do futebol grego
Fonte: news.com.au

Protege a bola como se não houvesse amanhã e faz dela a sua melhor amiga. Trata-a com delicadeza e coloca-a onde quer. Nunca se contenta em estar à margem de um encontro e procura ser sempre ele a conduzir a sua equipa para o ataque. No seu estilo algo desengonçado, mas quase sempre eficiente, Karagounis é também dono de uma grande capacidade de remate, que é quase sempre tão eficaz quanto os seus minuciosos passes de média e longa distância.

Ter o grego no plantel é equivalente à garantia de ter um segundo treinador em campo. Alguém que saiba coordenar todas as movimentações defensivas e ofensivas da equipa, fruto do seu tremendo sentido tático e posicional. Karagounis é um capitão na verdadeira ascensão da palavra. É leal com a equipa, nunca baixa os braços e deixa sempre a pele em campo para defender os seus.

Foi um dos obreiros da conquista do Campeonato da Europa de 2004, de má memória para Portugal. É a maior referência do futebol grego e o mais internacional de sempre pelo seu país (131 jogos). Já jogou pelo Panathinaikos, Inter de Milão e Benfica. E deixou saudades aos adeptos encarnados. Quem não se lembra do losango composto pelo grego, Petit, Simão e o seu compatriota, Katsouranis?

Hoje, joga ao mais alto nível na Premier League inglesa, ao serviço do Fulham. E é a prova viva de que o coração, por vezes, é mais forte do que a razão. Se acham que está velho, o grego está pronto para discordar. As pernas aguentam e a cabeça está sã. Karagounis vive o futebol como um jovem de 20 anos. E tem ainda à sua espera uma seleção com o Mundial aí à porta para capitanear.

Mário Cagica Oliveira

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Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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