Jogadores Que Admiro #26 – Michel Preud’Homme

- Advertisement -

jogadoresqueadmiro
Grande parte das minhas memórias dos anos 90 são passadas em Alvalade. Ainda hoje me lembro da primeira vez em que entrei na velhinha nave ou que assisti a um dos treinos dos juniores, em que o meu pai me dizia “aquele Simão vai ser bom jogador”. Mas uma das memórias mais vincadas que tenho foi curiosamente a primeira vez que vi o Preud’homme em Alvalade. Desde miúdo que quis ser guarda-redes; fosse no futebol, futsal ou andebol, aquele espaço era onde me sentia bem. Não queria marcar golos e não queria fazer fintas e mais fintas. Desde miúdo que quis ser como aquele senhor belga que defendia as redes do clube rival e defender tudo o que viesse na direcção da minha baliza.

Apesar de já ter chegado à Luz com 35 anos, Saint Michel parecia um homem elástico, ágil como um jovem mas maduro e cheio de experiência. Vi defesas incríveis, vi uma segurança enorme que tranquilizava qualquer defesa e atormentava qualquer avançado. No entanto, e para mim, o melhor momento do incrível belga foi frente a Batistuta, num jogo em casa frente à Fiorentina para a Taça das Taças, em que fez uma defesa do outro mundo, negando o golo a um dos melhores avançados de sempre. Formado num dos maiores clubes belgas, o Standard de Liége, Preud’homme apenas conheceu três clubes na sua carreira, e foi no Mechelen que conseguiu os seus maiores feitos colectivos, vencendo uma Taça das Taças frente ao Ajax de Cruyff e a Supertaça Europeia ao PSV, vencedor da Liga dos Campeões contra o Benfica.

Sucessor de Jean-Marie Pfaff, outro monstro sagrado das balizas de origem belga, Preud’homme foi figura também da sua selecção, fazendo parte de uma geração que chegou à final do Euro 1980 e às meias-finais do Mundial de 1986. Contudo, foi no Mundial de 1994 que o guarda-redes mais se destacou, fazendo defesas que o tornaram conhecido do público e vencendo o prémio para melhor guardião do torneio.

Nesse mesmo ano transfere-se para Lisboa, onde, numa equipa frágil e a atravessar um período negro, se transforma num ídolo para os benfiquistas e não só. Acaba por vencer somente uma Taça de Portugal, em 1996, e num jogo marcado pelo homícidio de Rui Mendes, adepto do Sporting Clube de Portugal. É algo que ensombra a história de um dos melhores guarda-redes que passaram por Portugal, repartindo esse estatuto com Peter Schmeichel. Para mim, tenho a agradecer a Preud’homme o gosto pelo futebol e o gosto pelas balizas. Foi sempre um exemplo, seja no campo ou fora dele, onde se comportava como o grande senhor que foi, admitindo até que trocaria a vitória na Taça pela vida do adepto do clube rival.

Vítor Miguel Gonçalves
Vítor Miguel Gonçalveshttp://www.bolanarede.pt
Para Vítor, os domingos da sua infância eram passados no velhinho Alvalade, com jogos das camadas jovens de manhã, modalidades na nave e futebol sénior ao final da tarde.

Subscreve!

Artigos Populares

Regresso surpresa: Cardoso Varela a um passo de voltar ao FC Porto

O jornal O Jogo garante que o FC Porto chegou a um princípio de acordo com o Dínamo Zagreb para a contratação de Cardoso Varela.

Nuno Borges avança para os quartos de final em Bastad

Nuno Borges venceu o búlgaro Grigor Dimitrov por 2-0 e apurou-se para os quartos de final do ATP 250 de Bastad (Suécia).

Pré-época: Sporting realiza novo treino após goleada ao Celtic

O Sporting dá continuidade aos trabalhos. Leões treinaram esta quarta-feira de manhã depois da vitória frente ao Celtic.

Imprensa italiana garante: Gigante da Serie A perto de acordo com Anatoliy Trubin

O portal Calciomercato avança que um grande clube da Serie A está numa fase avançada de negociações com os representantes de Anatoliy Trubin.

PUB

Mais Artigos Populares

Pedro Porro: «Nem nos meus melhores sonhos imaginava que iria jogar assim no Mundial»

Espanha venceu França por 2-0 e está na final do Mundial 2026. Pedro Porro falou sobre a sensação de marcar e vencer num jogo de tal de dimensão.

Espanha tem 1 jogador que nunca perdeu com a Seleção e fará o seu 50.º jogo… na final do Mundial 2026

Fabián Ruiz tem 49 jogos pela Seleção de Espanha e nunca perdeu. Se jogar, a final do Mundial 2026 será a sua 50.º internacionalização.

João Palhinha descarta Arábia Saudita: Prioridade é o Benfica ou continuar na Europa

O MaisFutebol avança que João Palhinha rejeitou uma proposta da Arábia Saudita, dando prioridade à proximidade com a família e a um contexto mais competitivo.