Jogadores Que Admiro #30 – Tomás Rosicky

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Há jogadores que fazem sonhar o miúdo de sete anos que ainda vive dentro de nós, amantes de futebol. São jogadores com pés de veludo e precisão geométrica que nos remetem para a infância, aqueles que tentávamos imitar quando assumíamos com autoridade o futebol de uma equipa feita há meia dúzia de minutos, contra outra das mesmas circunstâncias, num campo de cinco contra cinco ao ar livre ou algo que se improvisou como tal.

Jogadores com magia, que colocam a bola onde querem, seja a lançar um ataque, seja na colocação de um remate, normalmente mais em jeito do que em força. Os virtuosos, normalmente números 10 (ainda que em extinção), mostram, ainda hoje, o lado mais romântico do futebol…

… mas eles não jogam contra bonecos estáticos (embora consigam deixar alguns adversários assim), e costumam estar, do outro lado, jogadores encarregues de destruir a organização ofensiva e que vão acumulando sentimentos de impotência à medida que o jogo se vai desenrolando perante a técnica dos virtuosos. Isso transforma-se em frustração, e leva a entradas ríspidas que os condicionam, no caso de haver uma (im)preparação física com pouca capacidade para suportar tais danos. Em casos graves, ficamos a pensar o que poderia ter dado este ou aquele jogador, que tanta técnica tinha e que tão condicionado ficara por lesões que lhe mancharam a carreira.

Apesar de castigado pelas lesões, Tomáš Rosický continua com a mesma classe Foto: Facebook do Arsenal
Apesar de castigado pelas lesões, Tomáš Rosický continua com a mesma classe
Foto: Facebook do Arsenal

Esses, normalmente, desistem ou simplesmente deixam de ir aos lances com a garra que tinham, trazendo as habituais consequências nefastas inerentes à falta de agressividade – perdas de duelos físicos, pelo medo do choque. E perde-se uma carreira que poderia ter sido brilhante.

Rosicky não se insere no lado dos desistentes, dos medrosos. Pelo contrário, o checo, aos 34 anos, ainda se exibe ao mais alto nível, conseguindo orquestrar o futebol da equipa que por ele quiser ser dirigida, sem medo de confrontos físicos, de se antecipar a um jogador com o dobro da sua constituição física nem de acelerar (ainda que com menos fulgor do que nos seus tempos dourados, mas neste caso por imposição física e não psicológica) quando consegue gerar superioridade numérica no ataque, mesmo que isso signifique ficar lesionado… outra vez.

E devem existir poucos no mundo do futebol que podem ter a “legitimidade” de que disporia Rosicky para ter medo do choque durante o jogo. Graças a lesões, o “Little Mozart” disputou apenas um terço dos jogos do Arsenal … nas últimas cinco temporadas.

Sempre que entrava, porém, era decisivo e dava mostras do seu forte carácter, do seu compromisso com a missão da equipa e remetia cada adepto de futebol para a sua infância, com uma visão de jogo ímpar que lhe permitia colocar a bola onde queria, com uma inteligência táctica que lhe permite uma certa omnipresença no meio campo e com uma qualidade técnica sublime.

Ainda mantém todas essas qualidades intactas e é um membro importantíssimo no plantel de Arséne Wenger, saiba ele cuidar da sua condição física. Esta época, apenas disputou quatro encontros oficiais, ficando de fora de uns por lesão, de outros por opção. Mas ainda é aquele jogador que cresceu no Sparta de Praga e brilhou no Borussia de Dortmund. Tudo pela sua força de vontade, pela sua paixão ao jogo.

É por isso, mas também pelo perfume encatador do seu futebol, que o insiro na restrita lista de jogadores que admiro.

Foto de capa: Facebook do Arsenal

Pedro Machado
Pedro Machado
Enquanto a França se sagrava campeã do mundo de futebol em casa, o pequeno Pedro já devorava as letras dos jornais desportivos nacionais, começando a nascer dentro dele duas paixões, o futebol e a escrita, que ainda não cessaram de crescer.                                                                                                                                                 O Pedro não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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