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Jogadores que Admiro #54 – Pedro Portela

Eduardo Botelho · 2 min

Jogadores que Admiro #54 – Pedro Portela

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Nunca gostei muito de andebol. Há uns bons anos atrás lembro-me de ter vibrado com o título conquistado pela equipa de Carlos Ferreira e Ricardo Andorinho, mas hoje em dia praticamente não acompanho a modalidade. Ainda assim, há um nome que sei bem: Pedro Portela.

Em 2014, assisti pela primeira vez a um jogo de andebol ao vivo. Vivo em Barcelona e o Sporting foi jogar a Granollers, uma pequena localidade a 30 km daqui, pelo que não podia perder a oportunidade. É curioso que tenha vivido em Lisboa quase toda a minha vida e nunca tenha ido ver o andebol do Sporting. Há coisas a que damos mais valor à distância.

Fui sozinho e entrei no pavilhão uma hora antes do início da partida. Os jogadores já aqueciam, junto a uma das balizas, e foi mesmo ao lado deles que ocupei um lugar na primeira fila. Tirei o casaco de forma a exibir a minha camisola verde e branca e aplaudi a equipa. Alguns jogadores acenaram-me, outros limitaram-se a sorrir: é sempre bom encontrar uma cara familiar longe de casa, mesmo que nenhum deles me tivesse visto antes na vida.

Portela prepara o remate Fonte: Sporting CP
Portela prepara o remate
Fonte: Sporting CP

Com o aproximar da hora do jogo, o pavilhão foi enchendo e descobri que a claque adversária ficava mesmo ao meu lado. Um rapaz espanhol, vendo que eu era sportinguista, dirigiu-se a mim: “És português? Quem é o Magalhães?”, colocando-me na situação embaraçosa de lhe dizer que não sabia os nomes dos jogadores do meu clube. No entanto, munido de um telemóvel com acesso à Internet, cinco minutos depois dirigi-me a ele entusiasmado: “É o 80! O Magalhães é o 80! E se quiseres posso-te dizer o nome dos outros todos”, garanti-lhe eu,  depois de concluído o exercício de memorização em que tinha investido os minutos anteriores.

Quando o jogo começou, já o pavilhão estava completamente cheio e eu passei a ser apenas um pontinho verde no meio da multidão. Mas um pontinho sempre pronto a aplaudir e vibrar com os sete portugueses em campo. A eliminatória foi equilibrada e, a dois segundos do final, sofremos o golo da derrota. O pavilhão explodiu de alegria, vários adeptos saltaram para o campo a celebrar, enquanto os sportinguistas estavam de rastos. Como é compreensível, enquanto o Granollers festejava, os jogadores portugueses iam saindo cabisbaixos, pela porta do lado contrário ao meu lugar. Todos, exceto um. Um deles atravessou o campo inteiro, na minha direção. Já perto da bancada, alguns dos adeptos catalães, que tinham passado o tempo a vaiar a nossa equipa, queriam agora cumprimentá-lo. Ignorou-os. Estendeu-me o braço e deu-me um aperto de mão. Não me disse nada, nem eu lhe disse a ele. Éramos dois sportinguistas que tinham acabado de sofrer uma derrota; não precisávamos de dizer nada um ao outro.

Ele afastou-se e atravessou o campo no sentido contrário para se dirigir aos balneários, enquanto eu me dirigi à saída do pavilhão. Chovia torrencialmente, mas decidi não vestir o casaco. Fui de cabeça erguida e exibindo orgulhosamente a minha camisola da Missão Pavilhão. Não tem nome nas costas. Se tivesse, seria Pedro Portela.

Foto de Capa: Sporting CP

Eduardo Botelho

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