Jogadores Que Admiro #113 – Jonas

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No dia 12 de setembro de 2014, o SL Benfica anunciava a contratação de Jonas Gonçalves.  O clube encarnado tinha esperanças de que o já veterano avançado pudesse colmatar a saída de Rodrigo, mas o que Jonas viria a fazer com a camisola dos encarnados seria algo absolutamente único, superando a mais otimista das espectativas.

O brasileiro, que tinha terminado contrato com o Valência CF, chegava a Portugal desacreditado, depois de uma fraca temporada ao serviço do emblema che. “Velho” ou “desempregado” foram alguns dos termos utilizados para descrever o jogador (sobretudo por parte dos rivais) na sua chegada à Luz.

Com a temporada já iniciada, Jonas demorou algum tempo a entrar nas opções de Jorge Jesus. A sua estreia aconteceria apenas em outubro, frente ao FC Arouca onde se estreou também a marcar.

Contudo, o seu grande momento de afirmação aconteceria na Serra, frente ao SC Covilhã, onde o brasileiro marcou três golos numa dificílima vitória por 3-2.

Desde este momento Jonas nunca mais olhou para trás. Em 187 jogos foram 131 os golos marcados pelas “pistolas”: e tão inesquecíveis que muitos deles foram.

Como esquecer os golaços de fora da área frente ao FC Paços de Ferreira ou CD Nacional. As grandes cabeçadas que tantas vezes terminavam no fundo das redes. O golo que deu a vitória frente ao FC Zenit São Petersburgo, na Luz. O hat-trick frente ao Nacional, naquele jogo às 11 da manhã.

O golo “a meias” com Mitroglou, que tanta discussão gerou. A cabeçada que finalizou o cruzamento de letra de Raúl Jiménez, frente ao Vitória SC. O décimo golo na histórica goleada ao Nacional da Madeira. Os penáltis que pareciam sempre ir ao encontro das redes.

O último tiro do “Pistolas” frente ao Portimonense SC, onde celebrou batendo incessantemente no símbolo do Sport Lisboa e Benfica. O histórico golo no Bessa, que proporcionou uma explosão de felicidade a todos os benfiquistas e que me fez celebrar loucamente em casa com o meu pai.

Jonas foi um ídolo para muitos benfiquistas
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

De pé direito, de pé esquerdo, de cabeça, de livre, de penalty, de fora da área, sem ângulo ou driblando o guarda redes. Jonas foi no Benfica realmente uma verdadeira máquina de fazer golos. Perdeu-se a conta quantas vezes as bancadas do Estádio da Luz gritaram “JONAS” o mais alto que as suas cordas vocais permitiram. Perdeu-se a conta à quantidade de vezes que Jonas colocou um sorriso na cara dos benfiquistas.

Falar de Jonas é falar de golo, mas é sobretudo falar de classe e magia. A bola parecia ter uma relação de cumplicidade única com aqueles pés.

A forma como dominava a bola e ultrapassava o seu adversário sem esboçar o mínimo esforço. A forma como, com a sua franzina figura, conseguia evitar o mais forte dos atletas. A forma como encontrava a bola perdida e incompreendida na área e, tal como fez com a sua carreira, lhe devolvia a felicidade e o sentido de existir. A forma como fazia questão de celebrar todos os golos com os adeptos, retribuindo todo o apoio. A forma como vibrava com os jogos como se fosse benfiquista desde o berço. A forma como apelava à união entre os jogadores e as bancadas.

Depois das lágrimas no último jogo e da “fuga” na lambreta de Eliseu, ficou clara a dura realidade: a história de Jonas no futebol estava a chegar ao fim, mas não sem uma última ovação num estádio que cantava apaixonadamente o seu nome semana após semana. Um estádio que Jonas apelidava de especial. Um estádio repleto de pessoas que idolatravam o brasileiro.

Quando no dia 10 ao minuto 10 saía pela última vez Jonas, cada benfiquista parecia sentir um vazio dentro de si. Os encarnados continuavam lá, mas havia a sensação de que faltava algo, de que faltava alguém. Faltava o 10. Faltava a alegria de Jonas, alegria essa que contrastava agora com a tristeza pela sua ausência.

A despedida de Jonas ficará na memória de todos os benfiquistas
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

O futebol está muito longe de ser uma das coisas mais importantes no mundo, não deveria realisticamente sequer perturbar as nossas emoções. Mas, como disse o mítico treinador Arrigo Sachi, “o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes”.

Para os benfiquistas, muito desta pequena “importância”, nos últimos anos, deveu-se a Jonas Gonçalves. Parafraseando o próprio Jonas, Benfica e Jonas são duas palavras que estão interligadas. Eu acrescento: estarão para sempre.

De desacreditado a lenda. As lesões crónicas impediram Jonas de continuar a dar o seu contributo, mas, com ou sem lesões, Jonas foi, discutivelmente, o melhor jogador do SL Benfica no século XXI.

Sempre que falo de Jonas sinto-me obrigado a demonstrar todo o meu agradecimento. Quatro Campeonatos Nacionais (melhor marcador por duas vezes), uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças.

Gonçalo Batista
Gonçalo Batistahttp://www.bolanarede.pt
O Gonçalo é atualmente aluno da Escola Superior de Comunicação Social, onde persegue o seu sonho de ser jornalista. Descobriu a emoção do desporto quando assistiu, juntamente com o seu pai, ao clássico entre o Glasgow Rangers e o Celtic. A partir desse momento o desporto tornou-se uma parte fundamental da sua vida. Apaixonado pela prática desportiva, segue o futebol em geral e a NBA religiosamente. Tem dois clubes de coração o Benfica, e o Clube Atlético de Queluz clube da terra, no qual é atleta desde os 6 anos.                                                                                                                                                 O Gonçalo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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