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Durante a paragem dos campeonatos para compromissos internacionais, dei por mim em casa, frente à televisão, sem saber o que fazer, pois um dos meus mais antigos hobbies de fim-de-semana é sempre o de assistir aos vários jogos de diferentes ligas que estão disponíveis na nossa televisão. Foi então, durante um zapping pela minha televisão para tentar ocupar o meu tempo livre, que encontrei algo interessante: um jogo de velhas glórias entre o Manchester United e o Barcelona em pleno Old Trafford; sem nada melhor para ver ou fazer decidi acompanhar o jogo, apenas por mera curiosidade, e foi então quando para meu espanto encontrei aquele estilo inconfundível, apesar da idade e do look diferente, um “Messi” com barba branca e com mais 20 anos, um dos meus primeiros ídolos de infância e um dos jogadores mais talentosos que jamais pisaram os relvados portugueses. Falo, claro, do checo Karel Poborský.
Karel Poborský deu-se a conhecer ao mundo em pleno Euro 96 em Inglaterra; até então, tinha tido uma carreira modesta pelo seu país e uma das primeiras vitimas do seu talento de Poborský foi, como bem se recordarão, a nossa selecção nacional. O mágico marcou aquele que ainda hoje é considerado um dos melhores golos de sempre em Europeus. Um golo de pura classe, um “chapéu” imortalizado a Vítor Baía que valeu o acesso às meias-finais da República Checa e onde Fernando Couto e Oceano “pararam” literalmente para observar o gesto técnico do checo.

Fonte: The Mirror
Após a montra que são os Europeus e Mundiais, rapidamente Poborský encontrou um novo desafio à altura do seu talento, e esse desafio seria, nada mais nada menos, do que o gigante Manchester United. O checo não hesitaria e após ter sido vice-campeão no Euro 96 em Inglaterra, seria ali que continuaria a sua ascendente carreira, foi campeão inglês e conquistou a supertaça inglesa por duas vezes.
Mas Poborský queria mais, e queria ser o protagonista de uma grande equipa, o que no Manchester United de Cantona, Andy Cole, Giggs, Scholes, Beckham… não seria uma tarefa fácil. Assim, é aproveitando-se deste contexto, que Vale e Azevedo adquiriria o criativo ao Manchester United por dois milhões e oitocentos mil euros, dando inicio à história do checo pelos relvados portugueses.
Uma história que os adeptos benfiquistas dificilmente esqueceram, Poborský chegava durante um período negro do clube para tentar dar um pouco mais de luz. Infelizmente essa luz não seria suficiente e apesar de todo o talento que carregava, haveria de deixar o Benfica para a Lazio sem qualquer título conquistado no futebol português. Mas o futebol, por muito ingrato que seja, por vezes, nunca esquece aqueles que mais trabalham e que mais contribuem com o seu talento, Poborský é um desses casos: uma passagem pela Luz sem títulos, sem história, mas com uma grande carga sentimental.
O internacional checo deixava uma marca nos campos portugueses, o seu talento era inegável e não havia defesa que não temesse individualmente o checo; o “tribunal” da Luz tinha dado o seu veredicto: Poborský era e seria para sempre um ídolo benfiquista. Juntamente com João Vieira Pinto, era a luz no meio de toda a escuridão em que o clube se encontrava e para a grande maioria da massa associativa do Benfica. Quem não pagaria um bilhete para ver Karel Poborský jogar, mesmo com o seu clube numa forma desapontante?
Havia por isso um sentimento de enorme paixão em torno do mágico 7 por parte dos adeptos benfiquistas que ainda hoje se mantém, por isso o digo e reafirmo que a história de Poborský no Benfica pode não ser a mais reputada ou bonita, de certeza que não é o que um jogador de futebol deseja quando assina por um clube, mas é inegável que a sua passagem pelo clube da Luz foi tudo menos desapontante.
Para além do já referido golo a Portugal durante o Euro 96, o avançado voltaria a demonstrar toda a sua técnica e classe durante a sua passagem em Portugal, um golo “à Maradona” frente ao Sporting de Braga; driblou praticamente toda a equipa bracarense para marcar um dos 17 golos ao serviço do Benfica, mas melhor do que descrevê-lo é mesmo observá-lo:
Poborský não parava e após se ter juntado ao seu colega de selecção, Pavel Nedvěd, na Lazio, juntos conquistariam uma supertaça italiana. Depois de uma época e meia em Itália, regressaria ao seu país natal, para o Sparta de Praga, dando por finalizada a sua carreira internacional. O Benfica foi o clube internacional que mais tempo representou e também o clube onde mais jogos fez na sua carreira, foram 117 no total.

Fonte: Forum SerBenfiquista
Como jovem nascido durante a década de 90, não poderia deixar passar despercebido este talento checo que espalhou “charme” e “classe” pelos relvados portugueses, durante o período em que eu próprio descobria a paixão pelo futebol, e se hoje tenho essa paixão uma parte (entre muitas) deve-se a este senhor. É por essa razão que há duas semanas vi o Messi com barba branca e com mais 20 anos em Old Trafford e decidi escrever sobre Karel Poborsky.
Foto de Capa: Manchester United
artigo revisto por: Ana Ferreira















