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Jogo Interior #24 – O Valor da Derrota: Falhar, perder e errar para crescer

Bruno Alexandre Rodrigues · 3 min

tema interessante para a entrevista seria a questão dos sócios e o porquê de, se foram batidos recordes, o mesmo período ter sido estendido por semanas.
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Hoje em dia sabemos do valor que é dado ao resultado no futebol, a importância que é dada à perseguição à vitória e evitar a derrota, independentemente daquilo que seja utilizado para a atingir. Não interessam os meios que são adotados, mas sim aqueles três preciosos pontos. É assim a realidade em muitos casos e isto é preocupante.

Porque não podemos nós aprender com a derrota? Porque não podemos nós aproveitar a derrota para nos reinventarmos? Porque não podemos nós ver a derrota como algo positivo? Porque não podemos abordar a derrota como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento?

Não poderão as constantes vitórias em cima de vitórias “atirar poeira para os olhos”, encobrir falhas e erros, criando estagnação na evolução de um grupo, de uma equipa, de um jogador ou de um treinador? A vitória cria, muitas vezes, conforto inadequado, confiança em demasia e tudo isso, dá aso a facilitismos, erros no processo porque há um desvirtuamento daquilo que deve ser implementado e exigido, há relaxamento.

No que ao futebol de formação se refere, é importante formar jovens e cidadãos competentes e capazes de atuar na sociedade em que se vão inserir, é desejável formá-los a ganhar, mas é essencial que os formemos também com derrotas, que os façamos conviver com as falhas, com os erros, com a ausência da vitória desportiva, porque na maior parte das vezes na nossa vida, vamos falhar e perder. Vão ser mais as vezes que vamos errar do que as que vamos ganhar, por isso é fundamental conviver neste ambiente.

Neste contexto em específico, os erros e as coisas menos bem feitas são constantes, e se não valorizarmos corretamente aquilo que devemos, caímos num precipício. Deve ser valorizado o esforço, a reação ao erro, o cair e levantar e deve-se valorizar a derrota no sentido em que nos vai permitir crescer, alterar processos e formas de estar, exigir que nos entreguemos mais e que possamos trabalhar mais para atingir os objetivos estabelecidos.

Várias vezes já vimos Pep Guardiola depois de derrotas referir que está orgulhoso da equipa, que a equipa trabalhou e se esforçou ao máximo, que foi intensa e que criou muitas oportunidades, no entanto houve um pormenor ou outro em que não estiveram tão bem, mas que não demonstra arrependimento por nada e que a derrota faz parte do jogo, e terminando com a congratulação ao adversário porque foi mais competente.

Esta abordagem ao fenómeno que é o futebol faz do treinador espanhol um dos melhores treinadores da modalidade e não é por acaso. Valoriza a derrota da forma que deve, mas, acima de tudo, faz predominar em si a valorização da entrega e compromisso da parte dos seus jogadores para com o que foi trabalhado e exigido e, desta forma, vai conseguir sempre o melhor de cada um.

No futebol de formação ou em alto-rendimento, a derrota vai sempre existir e o mais importante parte da abordagem que temos perante este resultado, da capacidade de conviver saudavelmente com o falhanço e com o erro, da capacidade que o treinador tem de valorizar a derrota perante os seus atletas e da leitura que é feita por estes com o intuito de que este resultado seja uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento, e só assim é que mais depressa cada um se volta a erguer.

Bruno Alexandre Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

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