Publicidade

Jogo Interior #28 – O último treino antes da pandemia chegar ao nosso país

Bruno Alexandre Rodrigues · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Hoje falo-vos sobre a minha experiência enquanto treinador de futebol no momento em que se abateu a pandemia sobre o nosso país, alterando as nossas vidas, os nossos hábitos e tudo o que nem sequer poderíamos imaginar mas que foi suspenso, adiado ou cancelado por via de zelarmos pela saúde de todos e do país. O futebol, mas essencialmente, o treino e a rotina de preparar as coisas para este vivem em mim há cerca 16 anos onde os dias em que estas sessões de “terapia” de bem-estar psicológico são e sempre foram a melhor parte do dia, aquela em que eu esperava até ao anoitecer para me ir divertir, para fazer aquilo em que realmente me sinto realizado e para fazer aquilo para o qual sinto que fui feito.

16 anos não é muito tempo, talvez na vida de muitas pessoas, seja muito pouco tempo porque já viveram muito mais, muitos mais momentos mas, se pensarmos bem, treinar três dias por semana com um jogo ao fim de semana, durante 10 meses de um ano ao longo destes anos todos, criam uma rotina que é muito difícil de quebrar, é quase como deixar de poder respirar normalmente, é um monte de sentimentos essenciais para a vida de quem vive no dia a dia do futebol. No entanto, e como todos sabemos, esta rotina foi alterada drasticamente por todo o mundo e o que vos partilho, acredito que tenha acontecido nos seus quatro cantos e nas pessoas que lá sentem o futebol como eu sinto.

Treinar em casa como no campo: mantém-te ativo! 🏃🏻 #DiaMundialDaAtividadeFísica #TodosPortugal pic.twitter.com/3kEHCZv8iO

— Portugal (@selecaoportugal) April 6, 2020

 

Portugal, dia 10 de março, estou à hora de almoço a ultimar a sessão de treino junto com os meus colegas de equipa técnica para a noite que irá chegar, enquanto vamos ouvindo notícias de que o covid-19 (uma pandemia que há muito pouco tempo se passeava pela China e, que grande parte dos portugueses, inclusive a senhora diretora geral de saúde, sempre pensou que nunca cá chegaria e que este não seria um problema português nem global) estava já com 41 casos confirmados, depois de no dia 2 do mês referido acima se registarem pelas autoridades de saúde os dois primeiros casos no nosso país.
Vivíamos muito na incerteza do que realmente se ia passar com as nossas vidas por via dos exemplos que já tínhamos encontrado na China e percebíamos agora a sua dimensão desastrosa em alguns países da nossa Europa.

Passou-se a hora de almoço e o treino estava planeado e estruturado para mais uma noite de futebol, como viria a acontecer, no entanto, durante toda a tarde houve uma evolução brutal e constritiva das medidas a tomar pelas entidades competentes face aos comportamentos dos cidadãos portugueses.
Chegou o momento da sessão de treino e as nossas ambições e esperanças em prosseguir com as mesmas eram muito reduzidas e em conversa entre os treinadores e o responsável pelo futebol de formação do clube, a única hipótese seria cancelar todos os treinos durantes duas semanas, pelo menos para já e o sentimento que ficava é que isto seria algo passageiro, algo que se pudesse recuperar após duas ou três semanas, talvez um mês e que tudo retornaria ao normal.

O treino decorreu já com esta “incerteza” do futuro e até já alguma saudade antecipada do que nele se sente e se pratica por parte de todos os jovens que ali se encontram. Sentia-se no ar algo estranho, sentia-se o sobressalto do momento em que nos encontrávamos, algum receio do contacto, daquilo que desconhecemos, da forma como o vírus se propaga e se, eventualmente, algum de nós já teria contactado com um cidadão infetado e, porventura, não estaria também já infetado. Era um misto de nostalgia e medo, um sentimento efusivo que nos fez perceber a dimensão da pandemia e o valor que o futebol tem nas nossas vidas.

O treino terminou, a notícia do seu cancelamento nas duas próximas semanas foi dada aos jovens jogadores e o sentimento foi de desilusão e até alguma irritação, terminando com o já adotado toque de braço entre cada um dos treinadores e jogadores.
Poucos dias depois é decretado o estado de emergência em Portugal e o confinamento obrigatório e a partir daqui nascem todas umas novas coisas que até agora nunca tínhamos conhecido. Um vírus que apenas existia “lá fora”, passou de muitos poucos casos em Portugal para um desligar completo do que era a vida dos portugueses em apenas cerca de 15 dias e foi como se de uma bola de neve, que lá ao longe se ouvia rolar se abatesse estrondosamente sobre o nosso país de um momento para o outro, se tratasse.

O futebol, como atividade diária que é nas vidas de quem assim o assume, como qualquer outra, congelou completamente durante vários meses, só há algumas semanas voltámos a tê-lo connosco ainda que sob fortes medidas de segurança e para grande parte das pessoas apenas pela televisão, dado que milhões de apaixonados por este desporto ainda não o podem praticar ou viver o que sempre dele viveram.
Está para breve o início dos campeonatos distritais, dos que não são profissionais, mas que o fazem como aquele que recebem milhões e milhões todos os anos. O sentimento é o mesmo, sem tirar nem pôr, a ambição também e a esperança de que é desta que vamos poder voltar ao que mais gostamos daqui a muito pouco tempo, essa, é enorme.

Bruno Alexandre Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Fórmula 1

Antevisão GP Singapura: Max Verstappen conquista a 50.ª pole position da carreira

A ANTEVISÃO: MAX VERSTAPPEN CONQUISTA A PRIMEIRA POLE EM SINGAPURA, OS FERRARI PROMETEM DAR LUTA E A MERCEDES FICA AQUÉM DAS EXPETATIVAS Está a ser um fim de semana perfeito para Max Verstappen. Depois da vitória na corrida Sprint, o tetracampeão mundial foi o mais rápido no circuito de Marina Bay e conquistou a sua primeira pole position em Singapura e a 50.ª da carreira na Fórmula 1. Será que o Max Verstappen do final de 2025 está de volta?

Gonçalo Carneiro · 3 min de leitura
Ler a crónica
Opinião

Lamber as feridas do Dragão | Benfica x Vitória SC

Quase três semanas depois, e com muita polémica em torno da seleção nacional, as emoções do campeonato estão de volta. O Benfica é o último dos três grandes a apresentar-se nesta jornada. Após os triunfos de Sporting e FC Porto os encarnados estão obrigados a vencer para não se atrasarem ainda mais na corrida pelo título. As águias vão defrontar o Vitória SC, que tem estado a realizar um campeonato aquém das expetativas, e este poderá ser o adversário ideal para sarar as feridas provocadas no Estádio do Dragão. Marco Silva tem algumas dores de cabeça para esta partida, mas nada que não se resolva. O treinador encarnado não vai poder contar com os lesionados Daniel Banjaqui, Alexander Bah, Jaden Umeh, Jakub Kaminski e Enzo Barrenechea. Georgiy Sudakov é o único do departamento médico que está em dúvida. Clément Lenglet também não vai a jogo por estar a cumprir castigo após a expulsão frente ao FC Porto. Oportunidade para Alessandro Circati estrear-se como titular no eixo da defesa.  Com Banjaqui e Bah indisponíveis, Fredrik Aursnes irá ocupar o lado direito da defesa. Nada que o médio norueguês já não esteja habituado, pois recentemente desempenhou essa função ao serviço da sua seleção. Em relação a Sudakov, mesmo que entre na convocatória não será titular. Andreas Schjelderup deverá ocupar novamente a posição 10 atrás de Vangelis Pavlidis.

Rui Alves Maria · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.