O Passado Também Chuta: Franz Beckenbauer: O Demiurgo alemão

- Advertisement -

o passado tambem chuta

O melhor seria não dizer nada. O bom seria colocar um filme e legendar: deliciem-se. O segundo lustro de 1960 batera à porta. O mundo debatia-se entre revoluções e mudanças de mentalidades e costumes. Hoje, desde a China chega-nos material de consumo de usar e rebentar; naquela época, chegava por portas e travessas o livro vermelho de Mao. A televisão ganhava caminho. As imagens e as retransmissões televisivas dos jogos de futebol enchiam as ruas. Descia-se a lisboeta Rua da Palma e, antes de chegar ao cruzamento do Martim Moniz, era costume e normal ver montes de gente apinhada perante uma montra que vendia televisões e as mantinha ligadas. Em pleno 1966, a Inglaterra organizava o seu Campeonato do Mundo. Entre figuras ribombantes do futebol mundial – Eusébio, Charlton, Pelé, etc. – apareceu na seleção da Alemanha Ocidental um jovem imberbe de apenas vinte anos, alto, sem grandes alardes de movimentos ou correrias, com um toque de bola primoroso e um levantar a cabeça digno de um lobo de mar, chamado Franz Beckenbauer.

A serenidade / Fonte: futbollegends.blogspot.com
A serenidade / Fonte: futbollegends.blogspot.com

Novo e imberbe, chega com a sua seleção à final do Campeonato do Mundo de Inglaterra. Está instalado no meio do campo. Depois de algum golo e acontecimento fantasma, Inglaterra ganha o seu único Campeonato do Mundo. No entanto, o jovem Beckenbauer sai como o melhor centrocampista do torneio. A sua trajetória ascendente não terminaria nunca. De revolução em revolução, Beckenbauer, o brasileiro da Alemanha, descai no campo e revoluciona a posição de Libero. O jogo começou a organizar-se desde a posição paralela ao defesa-central. Mas progredia no campo, mas chegava às fronteiras da grande-área rival e, aí, com o seu extraordinário remate à distância, foi dando vitórias, foi logrando títulos.

Neste momento, o seu clube, que vinha do nada, Bayern de Munich, começa a forjar o seu futuro e a sua lenda. Os jogadores excecionais, como o guarda-redes Mayer ou o killer Muller, estão instalados na equipa e formam um trio com Beckenbauer, que se vê com capacidade de ganhar tudo, tanto a nível de clube como de seleção. É escusado dizer que ganharam tudo. É escusado dizer que enumerar as suas conquistas esgotaria este texto. É escusado dizer que Franz Beckenbauer foi galardoado repetidamente com a Bola de Ouro. Mas a sua áurea ultrapassou o Atlântico e, quando a idade do desportista estava a virar a esquina, foi campeão, também, dos Estados Unidos da América, defendendo a camisola do Cosmos. O mal apodado Kaiser, porque, por muito imperador que se seja, jamais se tem arte e delicadeza, e Beckenbauer era elegância, fantasia, imaginação e saber fazer, entrega as botas aos 35 anos de idade, depois de voltar à Alemanha Ocidental e fazer vice-campeão o Hamburgo.

A Bola de Ouro tinha nome / Fonte: naked-football.tumblr.com
A Bola de Ouro tinha nome / Fonte: naked-football.tumblr.com

Não foi o inventor do Futebol, nem do êxito predestinado, mas, passado um tempo, virou treinador e as taças caíram, e, como selecionador, também, ganhou o Campeonato Mundial. Depois, como diria o poeta espanhol: “farto de estar farto, já me cansei…” virou dirigente e organizador. Virou Presidente. Acabou, por agora, na posição de Presidente Honorífico. Dizem os seus patrícios que Beckenbauer está acima do Chanceler e abaixo de Deus. Eu não vou pelos derroteiros das divindades, mas o meu conhecimento e apreciação pode afirmar: não existiu, até hoje, pessoa mais bafejada pelo êxito em todas as vertentes do Futebol. Não é Deus, mas é um Demiurgo.

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Titouan Droguet e Kyrian Jacquet vencem torneio de pares no Estoril Open na estreia nesta vertente

A vitória no torneio de pares do Estoril Open sorriu a Titouan Droguet e Kyrian Jacquet. Duo francês nunca tinha jogado nesta vertente.

Já são conhecidos os mentores dos árbitros para 2026/27

O Conselho de Arbitragem deu a conhecer os mentores dos árbitros profissionais. Lista contempla nome por cada Associação de Futebol.

Fenerbahçe de olho em Amar Dedic para colmatar saída de ex-Benfica

O Fenerbahçe está a pensar em Amar Dedic para colmatar a possível saída de Nelson Semedo dos turcos.

GP Hungria: Campeão estreia-se a vencer antes da pausa de verão

A CORRIDA: CAMPEÃO APROVEITA UM BOM RITMO E ALGUMA...

PUB

Mais Artigos Populares

5 internacionais de regresso ao Sporting e às opções de Rui Borges depois do Mundial 2026

O plantel do Sporting está mais composto. Cinco internacionais já treinaram depois da presença no Mundial 2026.

Corrida contra o tempo no Olival: Martim Fernandes e Oskar Pietuszewski aceleram para a Supertaça

Martim Fernandes e Oskar Pietuszewski estão mais perto de recuperarem das suas lesões e marcarem presença no primeiro jogo oficial do FC Porto.

João Noronha Lopes apela ao apoio na Luz frente ao St. Gallen e traça meta para o Benfica: «Temos de ganhar e de conquistar...

João Noronha Lopes foi questionado pelos meios de comunicação social presentes no Estoril Open sobre a atual situação do Benfica.