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O Passado Também Chuta: Allan Simonsen

José Luís Montero · 2 min

O Passado Também Chuta: Allan Simonsen

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o passado tambem chuta

A Dinamarca e os países nórdicos em geral têm acrescentado qualidade e bastante genialidade ao mundo do futebol. Não são países de campeonatos sonoros; são, talvez, países que exportam, quando exportam, futebolistas especiais. Se a minha memória não me atraiçoa ressaltaria, desse conjunto de países, três nomes que não só triunfaram no futebol mais competitivo e mais profissional como também deixaram e deixam um selo, uma espécie de marca da casa, especial: Michael Laudrup, Allan Simonsen e Zlatan Ibrahimovic. Dois dinamarqueses e um sueco. Allan Simonsen, no entanto, tem uma marca muito particular que o levou a ganhar uma Bola de Ouro em I977, em disputa direta com dois monstros do futebol como Platini e Keegan. Era pequeno; apenas uma metro e sessenta e cinco centímetros. Mas era rápido; hábil; tecnicamente excelente; utilizava os dois pés; aparecia pela direita, pela esquerda, pelo meio e à boca da baliza. Marcava; marcou golos importantes e em jogos importantes. É o único jogador que marcou em três finais das três competições europeias que existiam.

Um jogador adoradoFonte: Blaugranas.com
Um jogador adorado
Fonte: Blaugranas.com

Depois de ter começado a correr atrás da bola na sua Dinamarca e de ser campeão nacional na mais tenra idade, a Alemanha, pela mão do Borussia de Monchengladbach, importou-o com apenas vinte anos. Passou por dois anos de adaptação. Aos vinte e dois anos remexia o mesmíssimo Muro de Berlim. Ganhou. Começou a ganhar campeonatos alemães e a triunfar na Europa. Coroou duas Taças da UEFA. Os anos 1980 bateram à porta. O Barcelona continuava com a velha tradição de ter nas suas filas os jogadores mais deslumbrantes. Enrolou-o. No Barcelona, como era costume, teve a pouca sorte de ganhar menos do que o potencial da equipa fazia sonhar. No entanto, durante os quatro anos que permaneceu, ganhou uma Taça de Espanha e uma Taça das Taças.

Existe um dado curioso: as três estrelas do firmamento nórdico – Landrup, Simonsen e Ibrahimovic – passaram pelo Barcelona. Os três saíram pela porta traseira do clube. Simonsen era adorado pelos adeptos do Barcelona; no entanto, a necessidade do clube de tapar os fracassos à base de comprar estrelas provocou a sua saída. Diego Armando Maradona irrompera no futebol como um ciclone. A legislação então existente no futebol espanhol fez o resto. Sobrava um. E Allan Simonsen não se viu com cara de suplente. Pegou nas malas e partiu.

Elegância e visãoFonte: Landsholdsklubben.dk
Elegância e visão
Fonte: Landsholdsklubben.dk

Europa abriu-lhe as portas e os grandes clubes pretenderam cativá-lo, mas, como uma ave rara, preferiu enrolar-se num clube histórico mas do segundo nível inglês: o Charlton Athletic. Jogou pouco; quase uma vintena de jogos. Lesões e talvez o cansaço de estar desde os dezassete anos na ribalta fizeram com que não prolongasse a sua diáspora. Voltou à sua Dinamarca natal e voltou e assentou arraiais no seu clube de sempre: o Vejle BK. Ainda ganhou mais um campeonato dinamarquês. No entanto, a qualidade extraordinária deste jogador não se viu reconhecida a nível de seleção. O futebol é um jogo coletivo e uma estrela não faz o firmamento. Participou nuns jogos Olímpicos, num Europeu e num Mundial, mas as medalhas não beijaram o seu peito.

José Luís Montero

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