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O Passado Também Chuta: António Sousa

José Luís Montero · 2 min

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o passado tambem chuta

O seu nome ficou registado nas entranhas do FC Porto. A década dos 80 abriu, definitivamente, os cenários da universalidade para o clube das Antas e, como todos os grandes times, tinha um centrocampista de eleição; chamava-se António Sousa. Diziam que era tardio à hora de entrar em forma, mas, assim que apanhava o ponto de excelência, tornava-se mágico e imparável. O passe à distância pertencia ao seu reportório habitual; o remate de larga distancia ajustado aos postes era um selo particular e a sua técnica estava beijada pelos favores dos deuses. Titular indiscutível durante anos na seleção nacional, é um dos jogadores portugueses que foi campeão de tudo ou quase tudo. Dizia-se que era um centrocampista com alma e vicio de avançado; muitos guarda-redes tropeçaram com os postes na tentativa baldia de barrar os seus remates mortíferos.

Cometeu o pecado de ser profissional e abandonou o FCP para alinhar pelo Sporting porque – como se costuma dizer – se trabalha por dinheiro. No entanto, Pinto da Costa já começara a lecionar a Cadeira que rezava: como se transforma o terceiro clube português num clube conquistador? Recuperou-o novamente para o mundo dos dragões. Sentou no banco um treinador que fora júnior do FC Porto e se notabilizara, pela sua classe, ao serviço da velha Académica e do Benfica; chamava-se Artur Jorge. O FCP foi fazendo um puzzle triunfador onde a herança deixada por Pedroto tinha muito trigo crescido. Eduardo Luís, Inácio, João Pinto; Jaime Magalhães; Futre; o grande Madjer e uma despensa de craques preparados para entrar em campo, capazes de aportar valor ao valor. António Sousa, no meio deste jardim, era a flor que abria e expandia beleza e um cheiro enternecedor.

Golão ao Ajax Fonte: fcporto.pt
Golão ao Ajax
Fonte: fcporto.pt

O resultado teve nome: o FCP conquistou a sua primeira Taça de Europa e foi, nada mais e nada menos, o primeiro clube português a ganhar a Taça Intercontinental, e o seu treinador o primeiro português a ser Campeão de Europa. O FC Porto defrontou o Bayern de Munique e nesse banco estava Udo Latteck e no campo estavam craques da dimensão do Rummenigge; do Höeness ou do Matthaus. O Dragão venceu um Bayern que era uma super equipa.

António Sousa começou no Sanjoanense. Cumpriu apenas seis meses nos juniores; o treinador da equipa principal reclamou-o. Mais tarde, o Beira-mar levou-o para Aveiro. Foi o grande salto; depois de 1975 não fugiu à cobiça dos grandes; pela época de 1979/80, o FC Porto dá-lhe a oportunidade de crescer juntamente com o clube e estabelecer-se na alta competição. Sousa jamais deixaria de ser uma das estrelas que pisou os relvados de Portugal e do Mundo. Sentiu-se e talvez fosse atraiçoado pelo mister Artur Jorge e viu-se despedido. Regressou ao Beira-Mar, onde conseguiu disputar uma final da Taça de Portugal contra, precisamente, o FCP; perdeu por 3-1.

Ainda poisou o seu saber no Gil Vicente e Ovarense. Finalmente, retirou-se e passou para a faceta de treinador. António Sousa foi – utilizando um vocabulário que anda na moda por outros acontecimentos – o verdadeiro chairman daquele FCP triunfador e um craque do tamanho da Torre dos Clérigos.

Foto de Capa: UEFA

José Luís Montero

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