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O Passado Também Chuta: Deco

José Luís Montero · 3 min

O Passado Também Chuta: Deco

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o passado tambem chuta

Muitas vezes os clubes cometem grandes erros e enganam-se com muitos jogadores. No entanto, há casos que são bem piores porque são mais que erros; são decisões ridículas que fazem corar os adeptos.  O Benfica cometeu algum destes atos ridículos. Possivelmente, além de ter deixado sair o Paulo Sousa para o Sporting sem contraprestação alguma, o caso Deco é o mais relevantemente ridículo. O erro não esteve na observação do Toni. Observou-o em São Paulo quando Deco era um adolescente e viu que era um jogador de grande nível. Propôs a sua contratação. Chegou a Lisboa e por alguma ideia de rodagem e formação enviaram-no para o Alverca. O Deco não deve ter gostado ou talvez visse que pouco poderia crescer futebolisticamente no Alverca. O Benfica não resolveu a questão e dispensou-o. O Deco dá um salto para o velho e querido Salgueiros e o FC do Porto não esperou, fez-se com os serviços deste centrocampista que sabia fazer tudo.

Sinceramente não saberia definir Deco. Sei o que tinha; sei o que fazia, mas, não sei sintetizar e defini-lo. Vi-o cortar com muita malandrice; vi-o armar a equipa com o saber e o poder de um velho sábio; vi-o meter a bola franca para as botas do finalizador. Vi-o fazer magia com o génio Ronaldinho. Vi-o colocar-se no campo como só alguns o sabem fazer. Mas, para além de tudo isto, rematava em jeito, com mais potência, com o toque de bola dos eleitos. Quando temos pela frente um jogador desta bitola é melhor não inventar definições. Se o estamos a ver deslizar no campo, é melhor observar e disfrutar; se o estamos a relembrar e a falar da sua carreira, é preferível descrever as sensações que nos deixou porque este tipo de jogadores são magos ou diretores de orquestra que para além da técnica, são capazes de harmonizar o conjunto dos músicos e tocar-nos a sinfonia das sinfonias.

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Deco e Ronaldinho fizeram uma dupla temível em Barcelona
Fonte: dn.pt

Ganhou tudo. O FC do Porto viveu a época do Mourinho e passeou-se, com mais ou menos fortuna como no jogo contra o Desportivo da Corunha, pelos campos dos grandes como se fosse o mais veterano. Venceu a Taça da UEFA e a Taça de Europa. Os clubes poderosos de Europa para além de se fixar no Mourinho, pretenderam namorar o pequeno médio que superava gigantes. O Chelsea pescou o Mourinho e como sabia bem quem era Deco tentou contrata-lo, no entanto, Deco, ganhando menos, simpatizava mais com o Barcelona. Com o Deco e o Ronaldinho, além de outros cracks como Samuel Eto, o Barcelona começou um ciclo de vitórias que ainda hoje perdura. Voltou a ganhar tudo. E além disso, é neste período que é chamado à seleção portuguesa do Figo, Rui Costa, etc. Disputava-se o Campeonato de Europa em Portugal. Rui Costa sentiu o frio do banco dos suplentes. Portugal acabou por perder a final contra a surpreendente Grécia, mas, a figura do Deco deixou o seu selo.

Começou a jogar pelo ano 1993 no Guarani e acabou em 2013 com a camisola do Fluminense. Pelo meio passou pelo Corinthians, pelo CSA, pelo Benfica, não jogou um mísero jogo, pelo Alverca, Salgueiros, Porto, Barcelona e um breve período de dois anos no Chelsea antes de regressar ao Brasil. Vestiu mais de setenta vezes a camisola de Portugal e como nacionalizado com polémica, posso dizer sem ruborizar-me que esteve à altura dos melhores centrocampistas portugueses de sempre. Portugal deu e dá bons jogadores do meio-campo, mas, o Deco é o Deco. Para finalizar, um dado: com a camisola do FC do Porto marcou cinquenta golos.

José Luís Montero

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