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O Passado Também Chuta: Didi

José Luís Montero · 2 min

O Passado Também Chuta: Didi

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o passado tambem chuta

Jogava-se a final do Campeonato do Mundo de 1958. De um lado estava a Suécia e do outro lado estava o Brasil. A Suécia marcou o primeiro golo. Didi foi ao fundo das redes, recolheu a bola e regressou ao centro do relvado com a bola debaixo do braço, caminhando com parcimónia. No momento em que o stress poderia aparecer transformou-o imediatamente no momento mais natural. Não se joga apanhado dos nervos e com pressas. O Brasil deu a volta ao resultado e Didi foi considerado o melhor jogador do campeonato. Finalmente o Brasil sagrava-se Campeão do Mundo.

Didi é considerado um dos melhores centro-campistas de sempre. Não tocava a bola, beijava-a. Não jogava futebol, inventava-o. Hoje vivemos o futebol dos especialistas. Fulano sabe marcar e é isso que faz durante o jogo; aquele pressiona bem no meio-campo e não faz outra coisa o resto da sua vida; o outro sabe tirar faltas e é um craque desejado pelos estrategas. Didi sabia tirar faltas e não só as chutava de forma mortífera como inventou o toque e a forma como a bola caíria; chamava-se “folha seca”. Consistia em embater na bola com o exterior do pé, fazendo com que a bola partisse enroscando-se e caísse “de forma lenta, picada e sinuosa, tal como uma folha seca cai ao sabor do vento”. Dizia Didi que ninguém voltou a chutar daquela forma e sonhava ensinar as crianças a realizar esse remate.

Durante um treino com o Garrincha Fonte: torcedorbotafoguense.com.br
Durante um treino com o Garrincha
Fonte: torcedorbotafoguense.com.br

Entre umas equipas e outras, jogou durante 20 anos. Começou na década dos 40 e acabou nos anos 60. Foi componente da linha avançada mais célebre do futebol: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Pertenceu ao Botafogo mais temível de sempre, onde jogou ao lado de Garrincha e Mário Zagalo. Destacou-se no Fluminense. Pertenceu ao Real Madrid de Di Stéfano. Ganhou títulos aqui e além e, como todos os grandes, encontrou-se com Di Stéfano. E aqui está: rezam as lendas que Di Stéfano provocou a sua saída do Real Madrid. Ciúmes ou formas encontradas de ver o futebol. O certo é que li bastantes entrevistas de Di Stéfano e jamais li uma referência elogiosa sobre Didi. Este, referindo-se à sua passagem fugaz por Espanha, disse que eles (Di Stéfano e Puskas) ficavam estragados porque não se sujava e que para deixar a bola franca para os avançados não precisava dessas coisas.

Ganhou dois campeonatos mundiais, uma Taça da Europa, quatro campeonatos cariocas e mais uma resma de troféus. A nível individual, arrecadou a Bola de Ouro do Campeonato do Mundo de 1958, é considerado o sétimo melhor jogador brasileiro do século XX, está catalogado como o 25º melhor jogador mundial do século XX. Um craque. O Príncipe Etíope do Rancho, como lhe chamou o dramaturgo Nelson Rodrigues, faleceu no dia 28 de Abril de 2001, num hospital a escassos 100 metros do Maracanã. Didi marcou o primeiro golo do Maracanã.

José Luís Montero

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