Última horaFC Porto prepara receção ao PSV na Champions League com apenas duas baixas
Publicidade

O Passado Também Chuta: Joaquim Meirim

José Luís Montero · 3 min

O Passado Também Chuta: Joaquim Meirim

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

o passado tambem chuta

O mundo do futebol tem nomes míticos que nunca ganharam a glória olímpica. São nomes que perduram através de estórias faladas nos cantinhos secretos dos adeptos. Normalmente, passam à história acontecimentos que nunca foram, mas, a língua; a imaginação e o amor-ódio que esse tipo de personagens gera provocam uma lenda mais que romanceada onde esse tipo de personagens parece muitas vezes super-homem. Na parte final da década dos anos 60 apareceu como um furacão no mundo do futebol português um senhor nascido em Monção. Era um perfeito desconhecido. Não era recordado, nem referenciado como ex-jogador. Não pertencia, portanto, ao sistema dos que têm crédito na sua bagagem. Sabia-se que estivera enrolado na Marinha Mercante. Sabia-se que realizara o velho curso de treinadores comandado por dois nomes sagrados como eram Fernando Vaz e José Maria Pedroto. Sabia-se isto e um pouco do que podia transcender da orientação de um clube clássico, querido e com velhas lutas na sua camisola, mas, que abandonara a competição no meio dos grandes chamado Oriental. Esse senhor chamava-se Joaquim Meirim e revolucionou o futebol português.

O Varzim, pela visão do seu presidente, entregou a equipa ao desconhecido Joaquim Meirim. Eu era mais menino que moço e tinha no Varzim um jogador que seguia desde os seus tempos de benfiquista: Benje. Era um guarda-redes que lutou para fazer-se com a baliza do Benfica, mas, teve que emigrar e deixar o seu clube. Era um excelente guarda-redes, mas, nem todos os que são um cofre de capacidade, conseguem vingar. O Meirim chegou à Póvoa do Varzim e revolucionou esta equipa de segunda linha. Os seus métodos de treino “assustavam” e eram novidade. Benje agigantou-se e mostrou sobradamente a sua capacidade. Mas, os jornais começaram a falar e a falar do treinador que inovara desde a forma de treinar os guarda-redes até à preparação física dos jogadores. Conta-se uma lenda desmentida pelo Benje na qual se dizia que o Meirim para estimular e exercitar os reflexos dos jogadores soltava galinhas no campo… Meirim unicamente começou a fazer que os guarda-redes se estirassem e se lançassem nos treinos como se realmente estivessem a defender remates. Conta-se que num destes treinos simulados o guarda-redes ficou estático; Meirim inquiriu porque não se tinha lançado. O guarda-redes respondeu com serenidade:” mister: porque desta vez a bola passou ao lado da baliza…”

O homem que revolucionou o futebol português
O homem que revolucionou o futebol português

As hoje famosas e inovadoras pré-épocas feitas em Los Angeles ou na China por motivos comerciais, não representam nenhuma inovação se pensamos em Joaquim Meirim. Começou a levar os jogadores para a praia e para a montanha. Não tendo à mão os elementos que hoje qualquer clube tem, utilizava pedras; arvores para fazer musculação no meio das matas. Fazia motivação individual aos jogadores provocando que conseguissem desenvolver no campo capacidades superiores. Meirim não saia das manchetes dos jornais desportivos. Começou a ser conhecido como o Helénio Herrera português. O campeonato do Varzim foi brilhante e o naquela altura quarto grande de Portugal, o Belenenses, chamou-o. As reportagens sobre os treinos individuais que lhe fazia ao ex-benfiquista Camolas foram espetaculares, mas, assim como a ascensão fora meteórica, a queda foi acelerada.

O fracasso no Belenenses foi rotundo e com chicotada psicológica incluída. Joaquim Meirim além de treinador era um militante político. Estava filiado no Partido Comunista e começou a ter lutas, mais ou menos encarniçadas, com o sistema estabelecido no mundo dos treinadores. Enfrentou-se aos seus ex-professores José Maria Pedroto e Fernando Vaz. A sua carreira começou a carecer de oportunidades. No entanto, viveu mais uma aventura que o reivindicou como bom e diferente treinador: subiu à 1ª divisão o Estrela da Amadora. Acabou a destempo no Desportivo de Beja. Despois, aos sessenta e seis anos deixou o mundo dos vivos e deixei-o de ver na sua tertúlia no Café Mexicana onde estava presente, também, outro homem do futebol: o sportinguista Juca. Com Meirim nasceu outra preparação em Portugal. Não subiu ao pódio dos campeões, mas, as novas técnicas abriram as janelas de par em par e arrombaram portas e portões.

José Luís Montero

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Luuk de Jong | O que poderia ter sido no Dragão sem lesões

A passagem de Luuk de Jong pelo FC Porto deixa uma sensação de que poderia ter sido muito mais marcante se as lesões não tivessem surgido pelo caminho. Apesar das dificuldades físicas que enfrentou, o avançado neerlandês demonstrou qualidades que justificavam a confiança depositada nele e que faziam acreditar num contributo importante para a equipa azul e branca. Luuk de Jong é um ponta de lança com características muito próprias. A sua capacidade de jogar de costas para a baliza, a força no jogo aéreo, o sentido de posicionamento e a eficácia na finalização fazem dele um avançado capaz de resolver jogos e oferecer soluções diferentes no ataque. Num clube como o FC Porto, habituado a lutar por títulos e a competir ao mais alto nível, estas qualidades poderiam ter sido fundamentais, sobretudo nos momentos em que a equipa precisava de alguém capaz de transformar cruzamentos e oportunidades em golos.

Miguel Costa · 2 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.