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O Passado Também Chuta: Marco Van Basten

José Luís Montero · 2 min

O Passado Também Chuta: Marco Van Basten

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o passado tambem chuta

Joga-se a final da velha Taça de Europa, com o nome reconvertido, em Lisboa. O cenário não podia ser outro; o Estádio da Luz não sabe se desta vez será o Inferno da Luz, mas para a equipa derrotada será mais do que um Inferno. Por isso, hoje só poderei escrever sobre um grande e mítico jogador que marcou época na Taça de Europa: Marco Van Basten. Foi, sem dúvida, um dos melhores avançados-centro de sempre. Era alto, cheio de presença; sabia descair para a direita ou para a esquerda; sabia construir ou lançar jogo desde o círculo central. Sabia tudo e os seus pés não eram exclusivamente os pés de um rematador. Jogou num ressurgido Ajax e num inesquecível Milão. Sem pretender ou sem mostrar obsessão, como manifestam alguns craques dos nossos dias, erigiu-se um jogador laureado com prémios internacionais, superando colegas seus como Gullit, Rijkaard, ou o italiano Maldini.

Filho de futebolista, marcado por esta condição e pelo empenho paterno, começou a beber futebol como quem bebe água desde a mais tenra idade. Teve a feliz ventura de se iniciar numa das escolas de formação de maior êxito como foi e é o Ajax e teve a sorte de ter o jogador-referência no seu clube: Johan Cruijff. Estudou-o profundamente e acabou por entrar na equipa, substituindo-o. E foi com Cruijff como seu treinador que, com um golo seu, voltou a colocar o Ajax no pódio europeu, ao ganhar a Taças das Taças. Evidentemente, o Milão, que andava com fome de grandes façanhas, chamou-o, e aquela máquina de fazer futebol começou a arrasar na Europa. O Real Madrid de Butragueño, Martin Vasquez e Sanchis, vindo de ganhar duas Taças da UEFA, sentiu nas suas carnes o triturar deste Milão.

A caminho da baliza Fonte: Goal
A caminho da baliza
Fonte: Goal

Entre Ajax, Milão e a seleção holandesa jogou quatrocentos e trinta e um jogos e marcou trezentos golos. Foi bicampeão europeu com o Milão de Sachi; entre todas as competições em que participou, foi oito vezes o maior goleador. Somou prémios individuais como quem coleciona isqueiros: melhor jogador do Mundo-FIFA em 1992; dois anos melhor jogador do Mundo-World Soccer; três vezes melhor jogador da UEFA; três vezes melhor jogador da IFFHS; duas vezes Onze d’Or; um Troféu Bravo; melhor jogador do Campeonato de Europa de 1988; uma Bota de Ouro; e se continuamos para bingo e começarmos a falar sobre os seus troféus coletivos entramos em delírio. Entre a Holanda e a Itália venceu seis campeonatos nacionais, duas Taças Intercontinentais, uma Supertaça e mais pedras preciosas que constituem o seu rosário de louros.

No entanto, entre os problemas físicos e a dureza dos rivais passou um calvário de lesões. Se com as lesões alcançou o reconhecimento e os louros que alcançou, imaginemos o que alcançaria se a saúde desportiva o tivesse respeitado mais e melhor. Possivelmente, deixaria marcas escandalosas. Começou a jogar em 1981 e despediu-se em 1995. Com ele quase desapareceu um tipo de avançado-centro; hoje, unicamente Zlatan Ibrahimovic se lhe assemelha.

José Luís Montero

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