📲 Segue o Bola na Rede nos canais oficiais:

O Passado Também Chuta: Mário João

- Advertisement -

Mário João. Um dos muitos intérpretes nascidos e criados em pleno Barreiro, escola de vida como não houve outra na história do SL Benfica. Ingressou na CUF ainda miúdo e por ali continuou, como era apanágio à época – o futebolista concilia o desporto com a profissão, dado que os dinheiros da bola para pouco servem.

Em 1957, e metido na transferência de Arsénio, passa o Tejo e instala-se no lar do jogador, cedido por cinco anos com licença sem vencimento da entidade patronal. Era o sonho de uma vida: defender as cores da águia.

De avançado aguerrido, pronto para a guerra, vê-se pouco depois no meio-campo. Para aproveitar melhor as suas características e pela qualidade de outros que deambulavam na frente, diria Otto Glória.

Quando Béla Guttman chega, em 1959, transforma-o definitivamente no defesa multifunções que ganharia fama. Seria atrás que faria carreira e as maiores proezas da sua vida enquanto atleta. Em 1960-61, tapado por Saraiva e Serra, efectua cinco jogos oficiais até à final de Berna.

Mas acabado de chegar à Suíça, surpreende-se por ver o seu nome entre os titulares. Jogado aos lobos? Pelo contrário, diriam os jogadores do Barcelona. Puxou dos galões, foi pronto-socorro no amasso culé e seria uma das principais figuras daquela vitória. Pela alma e sentido prático demonstrados, o espírito combativo que ajudou à construção da Mística. Ganhou aí a titularidade, antes de entrar para a última época de contrato.

Num corte in extremis que se tornou famoso, frente ao Barcelona
Fonte: UEFA

Em 1961-62, já figura de proa e medalha de Mérito, escudava agora as selvagens divagações na frente dos meninos prodígio António Simões e Eusébio da Silva Ferreira. Cá atrás, a cortar tudo e a dar segurança à miudagem, acompanhava-o Costa Pereira, Ângelo, Germano, Cruz e Neto. Foi então com toda a naturalidade que se atingiu a segunda final da Taça dos Campeões consecutiva. O destino era Amesterdão.

Nos preparativos para a batalha, informam-no de que vai ter a tarefa de marcar Paco Gento. O craque madridista tinha sido titular do penta europeu do Real e era tão temido quanto Di Stéfano. Quase como um acordo de cavalheiros, combinou com Cávem – incumbido do outro craque – que não dariam azo a brincadeiras. Assim aconteceu, mas esqueceram-se de combinar o mesmo com o responsável por Puskas: e o Major Galopante, percebendo a falha na marcação, aproveitou como pode. Fez um hat-trick em 38 minutos e levou o Real a ganhar 2-3 para o intervalo.

Mas, na cabina, acertou-se tudo como deve ser. Se Gento e Di Stéfano já estavam no bolso, Puskas para lá foi rapidamente. Este acerto na estrutura defensiva foi o catalisador de toda a potência encarnada lá na frente e, no final, o 5-3 que tornou aquela equipa lendária. Volta a Portugal e ainda é titular na final da Taça, frente ao Vitória sadino (3-0). Seria aí a sua despedida, obrigado a regressar à base – ou continuava empregado na CUF, ou ficaria 100% como profissional do Benfica. Incrivelmente, a fábrica dava mais dinheiro.

«Na época 1960/61, quando ganhámos a primeira Taça dos Campeões, recebíamos três contos por mês, que não dava para nada. Na segunda época, o ordenado subiu para quatro contos, mas continuava pouco. Em 1962, a CUF escreveu-me uma carta a dizer que ia acabar a licença sem vencimento. Aí, escolhi sair do Benfica e optei por regressar ao Barreiro para trabalhar na CUF e jogar por eles. Ou ficava no Benfica e perdia o emprego, ou voltava à base. O salário não era muito diferente, mas sempre recebia dos dois lados: como empregado e como jogador. Graças a isso, agora tenho estabilidade. Sou reformado da CUF. Se ficasse no Benfica, seria ultrapassado por alguém mais novo, porque estavam sempre a chegar jogadores novos ao Lar do Jogador e depois andava aí aos caídos.» disse em conversa com Rui Miguel Tovar, em 2016.

Em 1965, marcaria numa visita à Luz, numa derrota por 6-1. Continuaria jogador até 1968. 

Completou 89 jogos em cinco épocas de Benfica, conquistando três títulos de campeão nacional, três Taças e as duas Taças dos Campeões Europeus. Jogou três vezes com a camisola da Seleção.

Fez, no dia 6 de Junho, 85 anos. Um dos grandes.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Vitória SC bate Nacional com jogador em destaque e regressa aos triunfos na Primeira Liga

O Vitória SC venceu em casa o Nacional por 2-1 na jornada 17 da Primeira Liga. Golos surgiram nos últimos 20 minutos.

Gigante da Premier League pensou em Abel Ferreira

O Chelsea também pensou em Abel Ferreira. Blues procuram treinador para substituir Enzo Maresca no comando técnico.

João Félix em noite de emoções: Desde ser agredido durante o jogo a momento tenso com Rui Pedro Braz após apito final

João Félix viveu uma noite de muita emoção. Durante o jogo, foi agredido. No final, teve momento de tensão com Rui Pedro Braz.

Rayo Vallecano e Getafe empatam na abertura da jornada 18 da La Liga

O Rayo Vallecano empatou em casa frente ao Getafe a um golo, na jornada 18 da La Liga. Domingos Duarte foi titular no encontro.

PUB

Mais Artigos Populares

João Cancelo pode regressar à Europa: eis a situação a envolver o Barcelona e o Inter Milão

João Cancelo está de saída do Al Hilal e há novidades quanto à sua situação. Lateral português pode regressar à Europa.

AC Milan bate Cagliari com golo de Rafael Leão

O AC Milan abriu a jornada 18 da Serie A com vitória perante o Cagliari. O único golo do encontro foi apontado por Rafael Leão.

César Peixoto após Gil Vicente x Sporting: «Tenho muito orgulho no campeonato que estamos a fazer»

César Peixoto analisou o desfecho do duelo entre Gil Vicente e Sporting. Jogo terminou empatado 1-1 na Primeira Liga.