O Passado Também Chuta: Pablo Aimar

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Quando se fala da “coroa” do futebol argentino, Pablo Aimar merece um lugar de referência numa lista com tantos jogadores talentosos. O craque argentino, que jogou em Portugal entre 2008 e 2013, no Sport Lisboa e Benfica, não deixou nenhum espectador do seu futebol indiferente, que o diga Lionel Messi (que já por várias vezes admitiu que Aimar é um dos seus ídolos de infância).

Nascido em Rio Cuarto, na Argentina, ‘El Mago’, como foi apelidado, começou a dar nas vistas ao serviço das camadas jovens do CA River Plate, clube no qual se estreou como profissional, com apenas 16 anos de idade.

Com exibições de alto nível, sobretudo durante a temporada de 1999/00, o médio ofensivo cativou os adeptos dos “Millonarios” ao apontar 22 golos em 87 partidas. O seu brilho despertou interesses na Europa, para onde acabou por se transferir em janeiro de 2001, para o Valencia CF.

Com a camisola “Che”, Aimar “chegou, viu e venceu”. Num total de 214 jogos ao serviço do clube da zona este de Espanha, venceu aí o campeonato doméstico por duas vezes, as últimas em que o Valencia o conquistou, ao que juntou ainda uma Taça UEFA, em 2003/04, e uma ida à final da Liga dos Campeões, perdida no primeiro ano em que esteve no clube, frente ao FC Bayern.

No verão de 2006, ‘El Mago’ deu o que foi considerado por muitos como um passo atrás na carreira, quando rumou ao Real Zaragoza por 11 milhões de euros. Sabendo que não contava para Quique Flores, treinador do Valencia na altura, Pablo Aimar teria de sair inevitavelmente do Mestalla. Assim, a surpresa surgiu não na saída, mas sim no destino escolhido pelo argentino, uma vez que era rumorado o interesse de vários grandes clubes europeus nos seus serviços e este preferiu permanecer na Liga Espanhola.

A escolha de seguir para Saragoça revelou-se acertada na primeira época em que esteve no clube local. Juntamente com os irmãos Milito, Andrés D’Alessandro e também um jovem Gerard Piqué, devolveram o Real Zaragoza às competições europeias. Contudo, a época seguinte foi de desilusão: o clube não passou das pré-eliminatórias na Taça UEFA, foi eliminado relativamente cedo na Taça de Espanha e, o pior de tudo, terminou no antepenúltimo lugar do campeonato espanhol, o que ditou a despromoção ao segundo escalão.

Esta descida à Segunda Liga levou à saída de Aimar do clube, momento em que veio até Portugal, para representar o Benfica. Em cinco épocas de águia ao peito, ‘El Mago’ fez 179 jogos e marcou 17 golos, encantando os adeptos benfiquistas com o seu futebol simples, mas pleno de genialidade. Com o argentino como peça de destaque, o Benfica conquistou em 2010 o segundo título de campeão nacional do novo milénio, tendo vencido também quatro Taças da Liga e alcançado a primeira de duas finais consecutivas da Liga Europa, em 2012/13.

Depois da passagem pela Luz, Pablo Aimar decidiu rumar à Malásia para abraçar um desafio diferente, numa altura em que já estava em final de carreira. No entanto, ao serviço do Johor FC realizou apenas oito jogos e apontou dois golos, números ainda assim suficientes para fazerem dele campeão nacional em 2014.

Para fechar uma carreira de alto nível, ‘El Mago’ regressou a casa para se despedir em dois momentos. Inicialmente, os adeptos do River Plate receberam-no como um verdadeiro herói, quando realizou a derradeira partida pelo clube a 31 de maio de 2015, frente ao CA Rosario Central, que se pensava ter sido a última da sua carreira. Todavia, cerca de um ano e meio depois, escolheu as cores do Estudiantes de Rio Cuarto, clube da sua terra natal, para, agora sim, encerrar definitivamente a sua carreira.

Pablo Aimar foi um exímio criador de jogo, como tantos dos grandes talentos que saem da Argentina. Sem surpresa, também com a camisola do seu país espalhou o seu “perfume”, tendo representado a Argentina por 52 ocasiões e apontado oito golos, entre 1999 e 2009. Quando envergou pela carreira de treinador, foi também na Federação Argentina que começou, tendo assumido a seleção de sub17, onde atualmente se encontra.

Com uma carreira de excelência, tanto do ponto de vista futebolístico como do ponto de vista humano, ‘El Mago’ é um ídolo em todos os clubes por onde passou. Quando se apresentou ao mundo do futebol era rápido e perspicaz nos seus movimentos, mas com o avançar da idade foi ficando cada vez mais inteligente na leitura do jogo e no momento de decisão. Quem teve o privilégio de o ver jogar certamente concorda que, numa só palavra, Aimar era genial.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Alexandre Candeias
Alexandre Candeiashttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde sempre, tem o hábito de escrever sobre o desporto rei desde os tempos da escola primária, onde o tema das composições de Português nunca fugia da bola.

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