O Passado Também Chuta: Seleções que marcam

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o passado tambem chuta

Existiram seleções que mudaram a cara do futebol de um país. Países pequenos ou não pequenos, a certa altura, conseguiram reunir um número importante de craques que souberam privilegiar o grupo e saltaram para o panorama internacional. O Portugal do Eusébio, do Simões, do José Augusto e do Vicente foi isso mesmo: uma soma de craques que forjaram uma equipa com espírito. A França do Platini, do Tigana e do Giresse foi outro tanto do mesmo, e a Espanha que forjou Luís Aragonés e não Del Bosque foi mais do mesmo, com a particularidade de que Luís soube projetar o futuro e a seleção espanhola perdurou uma década, tal como profetizou o seu forjador.

Todas estas seleções tinham arte e músculo, dedicação e criatividade, classe e empenho, e no banco um treinador muito particular. O Portugal dos Magriços teve o Otto Glória; era mencionado, pelos adeptos, como um treinador paternal. A França de Platini teve em Michel Hidalgo um homem que resgatou a França do deserto competitivo, e ele tinha uma particularidade: foi presidente durante bastante tempo do Sindicato dos Futebolistas. Espanha sentou no banco um homem que superou os jornais desportivos e modificou a forma de jogar da seleção. É falso dizer que imitou o Barcelona; a seleção só tinha três jogadores do Barcelona como titulares e Iniesta jogou o campeonato da arrancada encostado à direita, sendo substituído muitas vezes. Mas Luís Aragonés era tão particular que a sua particularidade era um compêndio de virtudes. Contam as lendas que se soube impor ao Raul e apesar da campanha mediática abusiva e tosca convocou quem entendeu. Um dos seus grandes logros foi recuperar Xavi para a seleção.

Uma seleção vencedora com base num clube; Fonte: UEFA
A melhor geração de sempre do futebol espanhol;
Fonte: UEFA

Todas estas seleções tiveram jogadores que conquistaram estatuto metidos nesse grupo. França teve o Rouchetau. Espanha alumiou Xavi e fez brilhar Marchena como nunca; formou com Puyol uma muralha infranqueável. Portugal deu a conhecer ao Mundo jogadores como Vicente ou José Pereira. Todos estes jogadores eram conhecidos e considerados nos seus campeonatos; no entanto, nenhum tivera a ocasião de sobressair com autoridade. E, mais curioso, os seus treinadores-selecionadores eram treinadores caseiros… Talvez por isso cozinharam belas e grandes equipas com sabor gourmet.

Destas seleções a mais exitosa foi, sem dúvida, a seleção de Espanha. Teve a sorte de manter a coluna vertebral da seleção durante muitos anos, já que Aragonés formou a equipa com jovens. Hoje Iniesta, David Silva ou Sérgio Ramos ainda são peças úteis e fundamentais. Possivelmente, também teve a sorte de reunir a melhor fornada de futebolistas espanhóis de sempre, tal como o Portugal dos Magriços, mas, enquanto Espanha tinha futuro, Portugal estava, já, na idade madura. França reuniu naquele campeonato de 1984 um das melhores linhas médias de sempre, ainda que durante a época de Zidane também tenha sido de espanto; tinha um escudeiro que era um general: Deschamps. Atualmente, todas estas seleções têm grandes jogadores; no entanto, talvez falte a mostarda que lhe aporte o picante necessário para eriçar o sangue e ultrapassar obstáculos. Proximamente, dar-se-á um Campeonato da Europa. Veremos quais destas seleções, apesar dos craques, consegue formar uma alma que as faça reverdecer louros.

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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