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O Passado Também Chuta: Sepp Maier

José Luís Montero · 2 min

O Passado Também Chuta: Sepp Maier

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o passado tambem chuta

Quando se fala do passado temos o costume de esquecer os guarda-redes. Normalmente, os mitos que perduram na memória e na boca dos adeptos são os avançados. Lembramo-nos, talvez pela explosão que representam, dos autores de certos golos; algumas vezes, recordamos algum jogador do meio-campo; no entanto, os guarda-redes são, para memória, os que, quando éramos garotos, só tinham uma oportunidade: “ir para a baliza se queriam jogar.” No entanto, sabemos que é difícil forjar uma grande equipa sem um guarda-redes extraordinário. O Benfica glorioso teve o Costa Pereira; os cinco violinos tiveram o Azevedo; o FC do Porto teve o Vítor Baía; Inglaterra teve o Banks; o Brasil teve, entre outros, o Júlio César em pleno esplendor, e a Alemanha, terra de grandes guarda-redes, teve um muito especial que derrotou a Holanda da Laranja Mecânica, chamado Sepp Maier.

Evidentemente, não estava sozinho e tinha a companhia de super-craques como Beckenbauer ou o goleador Muller, ainda que, no meio destes jogadores de uma outra dimensão, tenha conseguido ser nomeado em três épocas o melhor jogador alemão. Curiosamente, foi amigo desde a mais tenra idade de Beckenbauer e teve a sorte de viver com ele vitórias, tanto a nível de clube como de seleção, que fizeram época ou derrubaram mitos. Tem no seu baú todo o tipo de troféus, tanto nacionais como internacionais, tanto com o seu Bayern de Munique como com a seleção alemã. Pela frente encontrou a Holanda de Cruyff no Campeonato do Mundo de 1974, que, além de maravilhar, arrasava. No entanto, Sepp Maier não só defendeu o possível e o impossível como lançou uma jogada que acabaria em golo. Este jogo mostrou como era e o que era na baliza. Era alto mas não era um gigante; tinha todos os predicados de um grande guarda-redes: reflexos, colocação e domínio da sua área. Holanda atacou por terra e pelo ar mas encontrou-se sempre com um ruivo que, para além de ser magistral, era o rei da brincadeira.

Sepp Meier no grande jogo entre a Alemanha e a Holanda Fonte: DFB
Sepp Meier no grande jogo entre a Alemanha e a Holanda
Fonte: DFB

A década dos 70 ficou marcada por futebolistas fantásticos mas, entre eles, está um guarda-redes que está entre os vinte e três melhores jogadores do século XX. Não é fácil. É considerado o melhor guarda-redes alemão de sempre, e todos sabemos que a Alemanha, em todas as gerações, tem nomes que marcam época. Está entre os cinco melhores guarda-redes de sempre. Figurou em todas as cabalas e foi campeão da Europa e do Mundo, e não existe taça de grande competição que não beijasse.

Teve a sorte de pertencer a uma época na qual muitos futebolistas jogaram toda a vida no seu clube predileto. O Bayern de Munique foi a sua casa desde 1962 até 1979. Jogou desde menino até que se retirou devido a um desastre que lhe deixou marcas – acidente de viação. Era disciplinado e trabalhou a automatização dos movimentos até às proximidades da perfeição. Chamaram-lhe o ‘Gato’. Mais tarde, trabalhou como treinador de guarda-redes e, entre eles, teve um pupilo chamado Oliver Kahn. Realizando estas funções foi Campeão do Mundo, também, em 1990. Os guarda-redes desta estirpe ganham campeonatos e maravilham os adeptos do futebol.

Foto de Capa: @Fred Joch

José Luís Montero

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