O Passado Também Chuta: A época do “quase” em Castelo Branco

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Falando agora da época de 1990/1991, o Sport Benfica e Castelo Branco apresentou-se com uma aposta no “jovem” Bernardino Pedroto, de 37 anos, para seu treinador principal. Filho de José Maria Pedroto, consagrado treinador do Futebol Clube do Porto, e que devido seu ao elevado conhecimento sobre o plantel do Vitória SC (havia lá estado na temporada passada), viria constituir o plantel do Benfica de Castelo maioritariamente por jogadores ex-Vitória e por jogadores que viriam directamente da equipa de juniores de Guimarães para a equipa sénior do Benfica de Castelo Branco.

No plantel haviam ainda conhecidos veteranos do público português como Quim Manuel, que fez grande parte da sua carreira no Marítimo e Farense, regressando às suas origens, Castelo Branco, para terminar a sua carreira e um dos jovens que viriam de Guimarães e que tornar-se-ia mais tarde um bom conhecido do futebol português, falo de Quim Berto.

O veterano Quim Manuel fazia parte do plantel do SBCB na época de 90/91 Fonte: http://maritimosaudade.blogspot.pt
O veterano Quim Manuel fazia parte do plantel do SBCB na época de 90/91
Fonte: http://maritimosaudade.blogspot.pt

Era a época estreante da denominada Segunda Divisão de Honra e o Benfica de Castelo Branco arrancou muito bem, tão bem que das 38 jornadas que constituíam esta liga, o Benfica de Castelo dominou o segundo lugar durante 30, qualificando-se os três primeiros para a Primeira Liga, em Castelo Branco não havia quem pensasse noutro cenário que não o de ver a sua equipa pela primeira vez no principal patamar do futebol português. A competição era dominada pelo Paços de Ferreira, ao comando do jovem treinador Vítor Oliveira (o conhecido especialista das subidas actualmente), e, à entrada da 31º jornada, o cenário era o seguinte: 1.º Paços de Ferreira, 44 pontos; 2.º Benfica Castelo Branco, 39; 3.º Estoril-Praia, 36; 4.º Académica de Coimbra, 35; 5.º Académico de Viseu, 35; e 6.º S.C.U. Torreense, 34. A partir daqui começava o descalabro para o Benfica de Castelo Branco; cinco derrotas e um empate a zero pelo meio atiravam o Benfica de Castelo Branco para fora da zona de subida e deitavam por terra uma qualificação que parecia confortável ao longo da época.

No final da 36º jornada, o cenário tinha-se alterado por completo e esta era a classificação actual: 1.º Paços de Ferreira, 49 pontos; 2.º Académico de Viseu, 44; 3.º Estoril Praia, 43; 4.º S.C.U. Torreense, 41; 5.º U. Leiria, 40; 6.º Benfica Castelo Branco, 40; e 7.º Académica de Coimbra, 40.

O Estádio Municipal Vale do Romeiro foi o palco da subida ao paraíso e da descida ao inferno do Benfica de Castelo Branco durante a época 1990/1991 Fonte: EuroPlan
O Estádio Municipal Vale do Romeiro foi o palco da subida ao paraíso e da descida ao inferno do Benfica de Castelo Branco durante a época 1990/1991
Fonte: EuroPlan

Matematicamente ainda era possível, mas seria muito muito difícil; o Benfica de Castelo Branco não dependia mais de si próprio, mas sim de resultados terceiros. Ainda assim, o clube cumpriria o seu papel com duas vitórias nas últimas duas jornadas, mas as vitórias vieram a revelarem-se insuficientes, uma vez que o campeonato acabava e os albicastrenses terminavam em 5º lugar com 44 pontos, com um ponto de distância apenas a separá-lo do terceiro lugar, que dava acesso à primeira liga. Isto, num campeonato em que foi um clube que passou a grande maioria do tempo na linha de subida, acabou por deixar uma grande frustração para o clube e para a cidade.

A oportunidade de ouro não se viria a repetir, ficando assim para sempre marcada como a época do “quase” em Castelo Branco; uma época que ninguém esquece e que ainda deixa sentimentos de amargura a quem se recorda, tudo se perdeu em cinco fatais jogos que só a pressão psicológica sob uma equipa inexperiente podem explicar este “apagão”. Perdeu Castelo Branco e perdeu o seu distrito que continuaria a olhar apenas para o Sporting da Covilhã como o seu “filho bonito”.

O Benfica de Castelo Branco haveria de descer uns anos mais tarde e voltar a estabelecer-se no Campeonato Nacional de Seniores, o mais perto que esteve de subir novamente aos escalões profissionais foi em 2013/2014 quando defrontou o Vitória SC “B” no playoff de acesso à Segunda Liga. Contudo, acabaria por perder esse mesmo playoff.

Kikas foi o jogador sensação da última eliminatória da Taça de Portugal ao marcar 4 golos com apenas 18 anos de idade Fonte: SBCB
Kikas foi o jogador sensação da última eliminatória da Taça de Portugal ao marcar 4 golos com apenas 18 anos de idade
Fonte: SBCB

Curiosamente, esta semana o Benfica de Castelo Branco voltou a ser bastante noticiado na imprensa desportiva portuguesa após a sua vitória na eliminatória da Taça de Portugal.  Kikas, de apenas 18 anos, marcou um “póquer” na vitória por 5-1 frente ao Leiria e Marrazes. O jogador regressou esta temporada à sua cidade, Castelo Branco, após um período de formação em… Guimarães.

Bernardino Pedroto começou esta ligação entre Castelo Branco e Guimarães na época 1990/1991 e o destino não pára de cruzar estes dois clubes, anteriormente já João Afonso, defesa-central do Córdoba por empréstimo do Vitória SC, se tinha transferido desde o Benfica de Castelo Branco para cidade-berço.

Foto de Capa: Sport Benfica e Castelo Branco

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Rui Pedro Cipriano
Rui Pedro Ciprianohttp://www.bolanarede.pt
Nascido e criado no interior, na Covilhã, é estudante de Ciências da Comunicação, na Universidade da Beira Interior. É apaixonado pelo futebol, principalmente pelas ligas mais desconhecidas, onde ainda perdura a sua essência e paixão.                                                                                                                                                 O Rui escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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