Que jogos devo rever nesta quarentena? A primeira mão de um sonho

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Nos momentos mais consternados devemos olhar e pensar sobre os momentos que nos causaram sensações incríveis, neste tempo de quarentena a esperança e a responsabilidade são perentórios e nada melhor que recordar o passado e sorrir perante um verdadeiro sonho. Sem deixar passar em branco a situação que atravessamos, gostaria de deixar o meu apreço a todos aqueles que lutam nesta batalha. Agora o artigo:

Arrisquei escrever sobre um dos jogos mais épicos da história verde e branca, seguramente um dos dias em que mais vibrei e fez vibrar a nação sportinguista. A glória foi dignificada pelo esforço, dedicação e devoção que marcam mais de 114 anos de história.

Foi numa tarde de março, em 2012, que assisti a um dos jogos mais memoráveis enquanto sportinguista. Jogávamos contra todas as probabilidades, já nos davam como eliminados mesmo antes de entrarmos em campo. Fomos alvos de chacota, ainda me lembro de um célebre comentário num canal desportivo nacional, de alguém que referiu que o Sporting CP estava na emergência de envergonhar o futebol português e que não teria qualquer hipótese contra um Manchester City recheado de estrelas do futebol mundial. Na minha memória ficará também o comentário mais triste da carreira de Dzeko, referindo gloriosamente “Jogadores do Sporting? Não conheço”. Aposto que ainda hoje não se esqueceu quem, afinal, eram os jogadores do Sporting CP.

A bola começou a rolar e no relvado de Alvalade jogava-se pelo orgulho leonino e por todos aqueles que mantêm este clube vivo. Ainda me recordo da qualidade incrível daquele plantel inglês com David Silva, Agüero, Balotelli, Milner, Kompany, etc.

Não faço a mínima ideia sobre o que se passou naquele balneário, acredito que a raça de Sá Pinto (naquela altura no comando técnico) puxou pelos galões. Fizemos uma primeira parte bastante segura e o nulo ia permanecendo, a segurança que Daniel Carriço, Schaars e Matías Fernández davam ao meio campo foi um fator chave no desempenho da equipa.

E é na segunda parte que surge um dos momentos mais bonitos da história leonina. Minuto 51, Matigol de pontapé livre remata na direção da baliza e aparece Xandão na recarga, após defesa de Joe Hart, que de calcanhar empurra para dentro um golo de uma vida escrito nas páginas do Sporting Clube de Portugal.

Depois do desastre europeu na época 2004/2005, este golo fez-nos sonhar e o sonho europeu nasceu ali, com o calcanhar do Xandão. Um sonho que se repetia, que a esperança enaltecia, contudo estávamos conscientes da dificuldade em passar a eliminatória.

Naquele dia, a pele ficou em campo e na camisola secou o suor da glória. Ainda sinto uma dor nos joelhos por ter festejado aquele golo a deslizar pelo chão frio de pedra, e uma alegria enorme por ter vivido o momento e sentido o orgulho nos rapazes de verde e branco. Jamais poderei esquecer a campanha feita na Liga Europa.

Este jogo foi mais do que uma eliminatória dos oitavos de final da Liga Europa, foi uma lição de vida, humildade, trabalho e esperança. Provou-se que o coletivo estará sempre acima de qualquer individualidade e, quando assim acontece, podem atingir-se grandes feitos. São situações como estas que nos fazem acreditar que não há impossíveis, mesmo quando os números estão contra a corrente. Foi por isso que decidi escrever sobre este jogo, tendo em conta o momento difícil que se vive, já foi provado inúmeras vezes que sempre existe esperança e para as coisas acontecerem só depende, exclusivamente, da nossa determinação contra a causa, realizando o que muitos podem chamar de sonho.

Relembro este dia sempre com o orgulho gigante de pertencer a este clube, é por momentos como este que o futebol é especial, por nos criar sensações que poucas coisas conseguem. Aproveitem a quarentena para ficar me casa e relembrarem mais momentos como estes, deixo a minha sugestão.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

SPORTING CP: Rui Patrício, João Pereira, Anderson Polga, Xandão, E. Insúa, Shaars, Marat Izmailov (Bruno Pereirinha 59’), Matías Fernández (Renato Neto 69’), Diego Capel (André Carrillo 75’) e van Wolfswinkel.

MANCHESTER CITY: Joe Hart, Kompany (Lescott 12’), Kolo Touré, Kolarov, Clichy, James Milner, Gareth Bary (Nasri 59’), David Silva, Nigel de Jong, Edin Džeko (Balotelli 71’) e Agüero.

Foto de Capa: Sporting CP

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Tomás Parreira
Tomás Parreirahttp://www.bolanarede.pt
Alentejano de natureza, apaixonado por futebol com alma verde e branca. Licenciado em Marketing, procuro dedicar-me e empenhar-me em tudo o que faço. Embora tenha crescido numa família adepta do clube rival, desde cedo percebi que era o leão rampante que me apaixonava. Ser sportinguista é mais do que uma forma de estar na vida, é respirar Sporting Clube de Portugal. O seu grande sonho profissional é servir o clube.                                                                                                                                                 O Tomás escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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