Que jogos devo rever nesta quarentena? Angola 4-4 Mali

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‘Os jogos só terminam quando o árbitro apita para o final da partida’ – quantos de nós já não ouviu esta espécie de lengalenga? Pois bem, eis uma frase que resume na perfeição o jogo inaugural da edição de 2010 da Taça das Nações Africanas. Em menos de 15 minutos, o povo angolano foi da completa euforia à profunda desolação na noite desse “fatídico” dia 9 de janeiro.

A prova não começou da melhor forma devido ao atentado, no dia anterior ao dos jogos de abertura, à seleção togolesa – integrada no grupo B, juntamente com Costa do Marfim, Burkina Faso e Gana – na província de Cabinda que culminou em três vítimas mortais, diversos feridos e ainda na desistência dos Gaviões (alcunha do Togo) do CAN.

Apesar do acontecimento negativo que manchou o início da competição, o povo angolano lotou o 11 de Novembro para dar a motivação necessária à sua seleção, rumo ao triunfo sobre o Mali e, quem sabe, ser o ponto de partida para uma caminhada que acabasse com a conquista inédita do troféu. O português Manuel José era o selecionador das Palancas Negras e tinha a missão de devolver aos adeptos o orgulho em torcer pela sua seleção desde os primeiros jogos.

O jogo até nem estava a ser muito emotivo de ser acompanhado in loco: os dois conjuntos tinham maior interesse em defender bem e dar pouco espaço de manobra ao adversário, o que prejudicava o espetáculo. A monotonia da partida foi quebrada por Flávio à passagem do minuto 36, num livre cobrado perto da área maliana, em que o avançado angolano aparece livre de marcação e cabeceia para o primeiro golo do CAN angolano. Carinhosamente apelidado por “Cabeça de Ouro” pelos adeptos angolanos, Flávio não ficou satisfeito com o 1-0 e decidiu bisar, desta vez numa jogada de bola corrida com Mabiná a cruzar na perfeição e o número 16 responde com um cabeceamento exímio que dá uma vantagem confortável para Angola antes do intervalo.

Flávio colocou Angola a vencer por 2-0 antes do intervalo, com dois golos de cabeça
Fonte: FIFA

O 2-0 no marcador permitiu aos pupilos de Manuel José controlar a partida a seu belo prazer e sem grandes sobressaltos, já que a reação do Mali era inexistente e nem mesmo as estrelas maiores Seydou Keita e Frédéric Kanouté conseguiam ter um lance de génio, de modo a relançar a incerteza quanto ao vencedor.

Se a situação de Angola estava favorável, melhor iria ficar em sete minutos, graças aos dois penáltis convertidos com eficácia: o primeiro por intermédio do médio Gilberto aos 67’ e o segundo da autoria da estrela angolana Manucho Gonçalves ao minuto 74. Quatro golos de diferença e com cerca de 15 minutos para o fim encerravam por completo quaisquer dúvidas sobre quem ia liderar o grupo A no final do primeiro dia da prova…

Mas, caro leitor, lembra-se da frase com que se iniciou este texto? Lá está, novamente, a velha máxima do Futebol a atacar e desta vez a vitima foi a seleção angolana. O Mali reergueu-se, foi buscar energias às divindades do Desporto Rei e começou uma recuperação de proporções dignas de um guião de Hollywood. Canto do lado direito batido pelo substituto Yatabaré, o guarda-redes Carlos não agarra a bola com convicção, lança-se a confusão na área angolana onde Seydou Keita acaba por fazer golo aos 79’.

O golo do médio do FC Barcelona, na altura, motivou os restantes companheiros a lutarem pela recuperação e abanou a confiança dos Palancas. Aos 88 minutos, Diamouténé cruza na perfeição para Kanouté fazer de cabeça o 4-2. Os quatro minutos adicionais iam ser mais frenéticos que nunca e os adeptos angolanos teriam de sofrer a bom sofrer.

90+2 e o que aconteceu? Golo outra vez de Seydou Keita que aparece nas costas de Kali sem um defesa angolano a fazer marcação. Este jogo, que teve como música de fundo um triste semba, terminaria mesmo com o tento do empate marcado pelo “substituto de ouro” no último lance do jogo: Carlos ainda defende o primeiro remate de Keita no jogo, mas a bola acabaria por sobrar para Yatabaré colocar o 4-4 final e obrigar a divisão de pontos entre Angola e Mali. Os jogadores angolanos levaram as mãos à cabeça, incrédulos com o que tinham acabado de assistir.

Um daqueles jogos de loucos em que Angola teve a vitória mais que garantida e deixou fugir os três pontos, muito graças ao relaxamento de alguns atletas que permitiram ao Mali recuperar um jogo praticamente perdido até ao minuto 79. Os anfitriões reagiriam a esta fatalidade da melhor forma nos jogos seguintes, ao garantir o primeiro lugar do grupo, ao passo que o Mali nem sequer aproveitaria o ímpeto da recuperação milagrosa para passar à fase seguinte do torneio.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Angola: Carlos Fernandes, Kali, Zuela, Rui Marques, Chara, Gilberto (Enoque, 81’), Dédé (Djalma Campos, 25’), Stélvio, Mabiná, Flávio (Love Cabungula, 83’) e Manucho Gonçalves

Mali: Mamadou Sidibè, Ousmane Berthé, Adama Tamboura, Souleymane Diamouténé, Bakary Soumaré, Mahamadou Diarra, Bakaye Traoré (Lassana Fané, 57’), Mahamane Traoré, Mamadou Bagayoko (Yatabaré, 75’), Modibo Maïga (Seydou Keita, 34’) e Frédéric Kanouté

Artigo revisto por Joana Mendes

Guilherme Costa
Guilherme Costahttp://www.bolanarede.pt
O Guilherme é licenciado em Gestão. É um amante de qualquer modalidade desportiva, embora seja o futebol que o faz vibrar mais intensamente. Gosta bastante de rir e de fazer rir as pessoas que o rodeiam, daí acompanhar com bastante regularidade tudo o que envolve o humor.                                                                                                                                                 O Guilherme escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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