Que jogos devo rever nesta Quarentena? O Fantasma da Ópera de 2011

- Advertisement -

Aquele Santos FC assumiu-se como uma equipa de culto, muito à custa da convivência dos talentos de Paulo Henrique Ganso, Danilo, Arouca e Neymar e, assim, a final do Mundial de Clubes de 2011 era confronto há muito esperado. O FC Barcelona, já rei da Europa e a divertir-se intensamente no auge do seu tiki-taka, chegava a Yokohama depois de ter vencido a segunda Liga dos Campeões em três anos. O Santos repetia a presença como representante sul-americano 48 anos depois dos Santásticos, onde Pelé era figura máxima.

Antevia-se um bom espectáculo, mas era também previsão de toda a imprensa que o controlo da posse e o jogo posicional iriam domesticar a selva de talento equipada de branco. O que, naturalmente, acabou por acontecer.

O Barça, às custas das lesões de David Villa e Alexis, alinhou pela primeira vez na era Guardiola com cinco construtores em simultâneo: Fábregas trocaria várias vezes com Lionel Messi entre a meia-direita e o falso ‘9’; Thiago surgia à esquerda de braço dado com Iniesta, enquanto Xavi e Busquets seriam os porteiros, como habitualmente. A utilização de Fábregas como sombra de Messi tornar-se-ia como alternativa credível e iria ser transportada posteriormente para a Selecção Espanhola, onde Del Bosque aproveitaria as qualidades de Cesc na posição para dominar o Europeu de 2012, seis meses depois.

Muricy Ramalho errou na sua abordagem ao jogo, remetendo o titular Elano para o banco e subindo Danilo para um papel no qual se tornou inútil. Fez alinhar três centrais, sistema só usado ocasionalmente até aí, e libertou o tridente da Libertadores – Borges, Neymar e Paulo Henrique Ganso -, que não tiveram quaisquer obrigações defensivas. A dupla de recuperadores, Arouca e Henrique, esteve sempre muito desacompanhada perante a enxurrada de tecnicistas que operavam em carrossel naquela zona.

A exibição culé é um tratado de bom futebol e dos príncipios defendidos pela escola Cruyffiana: Pep interpretou-a como ninguém, levando o jogo posicional a um nível nunca antes imaginado, entregando à equipa uma alma gigante, que se traduziu num domínio avassalador do adversário (71% de posse de bola, 45’35 em seu poder). Se a final com o Manchester United, nesse ano, pode ser encarada como o melhor jogo do seu Barça, a final de Yokohama poderá ser encarada como a derradeira confirmação de que aquela equipa não era deste mundo.

A certa altura, os comentadores espanhóis questionam-se sobre o comportamento do público japonês – levando-os a comparar o silêncio aterrador no estádio a um espectáculo de ópera. Exceptuando os golos e as jogadas mais perigosas, não se ouvia vivalma nas bancadas, enquanto o Barça explanava o talento supremo dos seus jogadores, com precisão e uma teatral sincronia entre os executantes.

Tal como espectadores muito aprumados dentro dos seus fatos, sentados na galeria, os nipónicos observavam a orquestra a movimentar a bola de um lado para o outro – longos períodos de tempo em que o Barcelona impunha a sua autoridade sem qualquer oposição do Santos.

Neymar, a estrela maior e de quem mais se esperava, foi impotente perante tamanha demonstração de classe. Apareceu em campo não como jogador, mas como mais um dos espectadores ávidos de inspiração divina, atentos observadores de uma obra de arte intemporal. Neymar era o fantasma da mais bela ópera – ao contrário da história original – e seria ele o raptado, uns anos depois, pela mais talentosa intérprete.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Pedro Cantoneiro
Pedro Cantoneirohttp://www.bolanarede.pt
Adepto da discussão futebolística pós-refeição e da cultura de esplanada, de opinião que o futebol é a arte suprema.

Subscreve!

Artigos Populares

Francisco Trincão e a qualidade de Portugal: «O míster vai ter muitas dores de cabeça»

Francisco Trincão prestou declarações após o Estados Unidos x Portugal. Seleção Nacional ganhou por duas bolas a zero.

Roberto Martínez analisa vitória de Portugal e explica não utilização de Pedro Gonçalves

Roberto Martínez analisou o desfecho do Estados Unidos x Portugal. Seleção Nacional ganhou por duas bolas a zero.

Tomás Araújo reage à vitória de Portugal: «Foi um jogo muito bem conseguido pela equipa na segunda parte»

Tomás Araújo analisou o desfecho do Estados Unidos x Portugal. Seleção Nacional ganhou por duas bolas a zero.

Portugal bate Estados Unidos em jogo de preparação para o Mundial 2026: eis o que aconteceu

Portugal venceu os Estados Unidos da América por 2-0. Francisco Trincão e João Félix marcaram os golos deste jogo particular.

PUB

Mais Artigos Populares

Inglaterra perde com Japão: eis os resultados particulares desta noite

A Inglaterra perdeu com o Japão por 1-0 num jogo de preparação para o Mundial 2026. Fica com os resultados desta noite.

Portugal x RD Congo no arranque do Mundial 2026: eis a data e a hora

Portugal vai jogar contra o RD Congo na primeira jornada da fase de grupos do Mundial 2026. Vê as informações relativas à partida.

Golo de Portugal: Francisco Trincão marca após assistência de calcanhar de Bruno Fernandes

Portugal entra a vencer contra os Estados Unidos. Bruno Fernandes fez assistência de calcanhar para o golo de Francisco Trincão.