As nuances táticas do Braga x Sporting: a mobilidade de Diego Rodrigues na equipa minhota e os ajustes de Rui Borges na pressão dos leões

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Braga e Sporting protagonizaram um jogo de emoções fortes que terminou com uma igualdade a duas bolas, no jogo da 25.ª jornada da Primeira Liga. Em relação ao triunfo diante do FC Porto para a Taça de Portugal, Rui Borges colocou apenas Pedro Gonçalves na esquerda e relegou Luís Guilherme para o banco. Já do lado do Braga, Carlos Vicens não contou com Barisic e lançou Paulo Oliveira para o seu lugar. O treinador espanhol também deu a titularidade a João Moutinho no meio-campo, com Diego Rodrigues a partir da ala esquerda.

Tendo em conta o jogo em Alvalade, em que o Sporting tinha tido dificuldades em encaixar nas referências do Braga, sobretudo na primeira fase de construção da equipa minhota, era importante que os leões conseguissem gerir bem as distâncias e os tempos de pressão. A realidade é que o Sporting fez uma primeira parte de grande nível nesse sentido. Para além do trio de ataque formado por Pedro Gonçalves, Trincão e Luis Suárez, Rui Borges colocou Hidemasa Morita mais subido, com Morten Hjulmand a gerir marcações entre a linha defensiva e ofensiva do Sporting.

Com o Braga de Carlos Vicens a colocar jogadores muito baixos para construir, e com a mobilidade dos homens da frente, Gonçalo Inácio acabou por ter a função de reduzir o espaço a jogadores como Pau Víctor ou Ricardo Horta, dependendo de quem era o homem mais próximo (referência e não marcação individual). Essa pressão permitiu ao Sporting conquistar bolas no meio-campo adversário e criar algumas dificuldades à equipa minhota, sobretudo na primeira parte.

Rui Borges Sporting
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Outra das dinâmicas de Rui Borges para este jogo foi a dupla função de Geny Catamo, já vista em outros encontros. Quando o Sporting tinha bola, fazia o papel de extremo direito mas, quando a equipa não tinha bola, o moçambicano juntava-se à linha de cinco. Assim, Iván Frésneda e Geny Catamo funcionavam como alas para tentar condicionar ao máximo o jogo muito competente do Braga de Carlos Vicens nos corredores laterais. Nesse momento, Francisco Trincão ajustava à posição de extremo direito.

Do lado do Braga, a dinâmica que mais saltou à vista foi a mobilidade de Diego Rodrigues. Partindo da posição de ala esquerdo, foi interessante observar a sua capacidade para aparecer em zonas interiores quando o Braga tinha bola e procurar combinações no corredor contrário para gerar superioridades. Nesse sentido, Rodrigo Zalazar ficou mais encostado à largura. Servia como opção de linha de passe para possíveis variações de flanco e ajudava também a equilibrar a posição vaga de Diego Rodrigues. Tudo tem as suas vantagens, como a capacidade que o Braga tem de concentrar muitos jogadores num curto espaço para definir melhor e chegar com mais critério à baliza adversária. Mas também tem as suas desvantagens.

Na primeira parte, sobretudo quando o Sporting recuperava a bola, os leões conseguiram explorar bastante esse corredor esquerdo do Braga, com variações de flanco de jogadores como Maxi Araújo ou Pedro Gonçalves, e com Geny Catamo a ter espaço para galgar metros com bola e chegar em ataques rápidos e contra-ataques à baliza do Braga. Ainda assim, faltou melhor definição no último terço, seja no cruzamento ou no remate por parte de Geny Catamo. Com os movimentos de Francisco Trincão de fora para dentro em determinados momentos, o internacional português também teve a capacidade de atrair Arrey-Mbi e tentar que o corredor esquerdo do Braga ficasse ainda mais exposto.

jogadores Sporting
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

O Sporting acabou por chegar ao golo por intermédio de Gonçalo Inácio, ao minuto 22’, na sequência de um canto batido por Pedro Gonçalves. Foi curioso que, no momento do festejo do Sporting, Carlos Vicens chamou todos os seus jogadores para prestar indicações e voltou a fazê-lo quando Lukas Hornicek pediu assistência médica.

Ainda assim, o Braga conseguiu chegar ao empate com uma jogada magistral de Rodrigo Zalazar ao minuto 34’. Através de uma receção orientada, ultrapassou Geny Catamo e serviu Ricardo Horta para o golo do Braga. Também foi interessante perceber – e não sabemos se terá sido consequência desse ‘time-out’ de Carlos Vicens – que, a partir do golo, Rodrigo Zalazar desprendeu-se mais do corredor esquerdo para ir combinar com Ricardo Horta (uma das melhores duplas da Primeira Liga), fosse no corredor central ou no corredor direito. Nesse sentido, Diego Rodrigues continuou a movimentar-se para zonas interiores em determinados momentos, mas passou a ser mais comedido nos movimentos, permanecendo mais vezes no corredor esquerdo.

O Sporting chegou novamente à vantagem no marcador já perto do intervalo, depois de uma grande penalidade convertida por Luis Suárez, que levou os leões em vantagem para os balneários.

Era previsível que o Sporting acabasse por cair, sobretudo a nível físico, tendo em conta o jogo a meio da semana frente ao FC Porto e o desgaste para pressionar, a todo a campo, as referências do Braga. E foi precisamente isso que se verificou: o Sporting perdeu ritmo, e o Braga foi subindo de nível. No regresso para a segunda parte, Ricardo Horta apresentou também uma maior mobilidade no jogo. Com um Braga mais agressivo no processo ofensivo, o jogador português movimentou-se por todo o campo, aparecendo nos três corredores, sobretudo no esquerdo, para triangulações com Diego Rodrigues e Rodrigo Zalazar.

Zalazar e Fresneda Braga Sporting
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Luis Suárez e Francisco Trincão foram perdendo fulgor. Pedro Gonçalves ainda não parece estar ao seu melhor nível e, mesmo nos ataques rápidos, a equipa criava situações aqui e ali, mas faltava sempre melhor definição nos lances. Do lado do Braga, João Moutinho agigantou-se sobretudo na segunda parte e acabou por ser um jogador importante na chegada ao último terço e no controlo dos ritmos de jogo da equipa.

Rui Borges ainda colocou Eduardo Quaresma como terceiro central ao substituir Geny Catamo, com Iván Frésneda e Maxi Araújo a tentar controlar melhor os corredores. Mesmo assim, o Braga conseguiu chegar ao empate já no tempo de descontos. Ao minuto 90+5′, Miguel Nogueira assinalou grande penalidade e Rodrigo Zalazar converteu novamente da marca dos onze metros, tal como tinha acontecido na última jornada frente ao Nacional. O internacional uruguaio bateu o guardião Rui Silva e carimbou o empate no resultado.

Este resultado não permite ao Sporting aproveitar plenamente o clássico deste domingo entre FC Porto e Benfica. Com os leões a somarem apenas um ponto, as águias podem encurtar distâncias, enquanto os dragões têm oportunidade de aumentar a vantagem na liderança da Primeira Liga.

Em relação ao Braga, apesar da distância considerável para o pódio, não deixa de ser notável a variabilidade da equipa de Carlos Vicens e os 95 golos marcados esta temporada em 46 jogos. À equipa minhota começa a faltar apenas gerir melhor os timings do jogo em determinados momentos e apresentar maior equilíbrio entre a fase ofensiva e defensiva ao longo de certos períodos dos encontros.

Carlos Vicens Braga
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Rodrigo Lima

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: Numa fase inicial, o Rodrigo Zalazar esteve muito encostado à esquerda, e daí até surgiu primeiro golo. No entanto, a partir daí começou a aproximar-se mais do corredor direito para combinar com o Ricardo Horta. Gostava de lhe perguntar se isso já fazia parte da estratégia inicial ou se foi ajustando ao longo do jogo?

Carlos Vicens: Sim, hoje o objetivo era que o Rodrigo Zalazar estivesse mais no corredor esquerdo, não só para combinar com o Ricardo e o Pau Víctor, mas também com o Diego. O mais importante era que os jogadores conseguissem ter opções para receber a bola em diferentes momentos e posições, sempre com a intenção clara de a equipa conseguir construir e fixar-se no meio-campo rival. Com a entrada do Gabri Martinez, quisemos que o Rodrigo Zalazar assumisse uma posição mais centrada, mas é sempre importante ter em conta a natureza de cada jogador. O jogador precisa ocupar posições onde se sinta mais confortável e, ao mesmo tempo, oferecer rendimento à equipa. E aí, e já falámos muitas vezes com os jogadores, é essencial que tentem compensar-se uns aos outros, determinando claramente as obrigações de cada um em campo. Para nós, é fundamental ter presença dos jogadores e garantir que não ficam desprotegidos. É importante que os jogadores se olhem uns aos outros, se entendam, respeitem e se ajudem. Se isso acontece durante o jogo, naturalmente, as coisas tendem a correr bem.

Bola na Rede: Em comparação com o jogo em Alvalade, o Sporting conseguiu ajustar melhor as distâncias e a pressão, com o Morita mais subido e o próprio Gonçalo Inácio a ficar com a função de vigiar os movimentos do Horta ou do Pau Víctor. Gostava de lhe perguntar de que forma é que preparou esse momento do jogo? E por outro lado, tendo em conta que o Diego Rodrigues, quando o Braga tinha bola, tinha tendência para se juntar ao corredor central, de que forma é que o Sporting procurou beneficiar desse momento, sobretudo nas situações de recuperação de bola?

Rui Borges: Sim, trabalhamos exatamente um bocadinho nesse sentido. No jogo de Alvalade também aconteceu isso na primeira parte, por isso se nota a quebra de energia da primeira para a segunda parte. Não estávamos tão bem para ir buscar referências tão fundas – eram muitas referências, muito homem a homem – e tínhamos de controlar um bocadinho o espaço interior da profundidade, porque por vezes poderíamos ficar expostos com os dois centrais mais dentro e o espaço pelo corredor iria existir. Os nossos laterais tinham que estar muito vivos – neste caso, na linha de cinco – nas coberturas interiores. Fomos controlando, conseguindo aumentar a pressão, ir buscar e encurtar distâncias para as referências, como disseste e bem. Em relação ao Diego, o Braga jogou exatamente da mesma forma ou com a mesma dinâmica que usou contra o Vitória SC, com o Diego a andar por dentro e a fazer de 3.º ou 4.º homem – 3.º se estivesse mais baixo, 4.º se estivesse mais alto. Numa fase inicial, andou a quebrar campo, foi para a direita. É difícil para nós na procura de referências; perdemos uma referência. Por mais que o Ivan ou o Geny acompanhasse, quando ele passava pelo meio e ia para o corredor contrário, é lógico que largávamos e mudávamos para outra marcação. Como há tanta gente, raramente tínhamos homens livres. O homem livre, às vezes, era o Ousmane Diomande. Tirando isso, o Inácio foi buscar referências muito bem, como faz sempre, e estava definido para este jogo para fazer exatamente isso – e fez muito bem. Mas isso também criava algum desequilíbrio no Braga, que foi o que aconteceu na primeira parte, e nós tivemos 3 ou 4 lances em que poderíamos ter finalizado em contra-ataque ou em ataques rápidos. Com melhores definições na baliza do Braga, sabíamos disso. Sabíamos que, quando o Braga está no meio-campo mais ofensivo, fica demasiado exposto defensivamente. A transição deles também não é tão boa quanto isso, e sabíamos que poderíamos expor os três centrais do Braga em contra-ataques e ataques rápidos. Isso aconteceu mais na primeira parte e menos na segunda. Mesmo assim, na segunda parte conseguimos um ou outro contra-ataque e poderíamos também ter tomado melhores decisões ou finalizado melhor nos ataques à baliza do Braga. Agora, perdemos um pouco de energia naquilo que era ir buscar referências mais fundas, porque é um desgaste enorme, e é natural que a equipa tivesse quebrado um bocadinho essa energia.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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