A temporada do Benfica está a ser uma deceção, com pouco por que lutar até maio de 2026. Depois de um investimento superior aos 100 milhões de euros nos últimos dois mercados, era inesperado que as águias chegassem a março com resultados tão tímidos. Apesar da ‘relação conflituosa’ entre adeptos e direção, houve sempre a esperança que o plantel conseguisse lutar por algo, mesmo com a troca de Bruno Lage por José Mourinho ainda numa fase embrionária. Porém, a eliminação na Champions League aos pés do Real Madrid e o atual terceiro posto na Primeira Liga, colocam a massa associativa a pensar já em 2026/27. Muitos pedem uma revolução na equipa, com uma aposta firme em jovens da formação. Já outros, consideram que o plantel necessita de alguns ajustes, mas que há elementos com qualidade e que podem ajudar os encarnados a voltarem a lutar pelo título, numa fase em que Sporting e FC Porto vivem momentos de crescendo.
Para pensarmos no mercado de verão, teremos de recorrer à futurologia e colocarmo-nos nos lugares de Rui Costa, Mário Branco e José Mourinho (que terão obrigatoriamente que estar a trabalhar já na próxima época, falamos de uma estrutura profissional que terá que imaginar os vários cenários e contar com hipóteses para todos). Serão estes três nomes a definirem as mudanças que vão existir dentro do Benfica, os atletas a contratar e os ativos para vender/dispensar.
Há certos nomes cuja continuidade na Luz está em sério risco e que provavelmente terão de mudar de ares, já que não encaixam no projeto ou não têm mesmo o nível necessário para serem opção para uma equipa que procura voltar a erguer títulos, de maneira a unir uma instituição cada vez mais fragmentada. Certo é que devem existir saídas em todos os setores (sem contar com jogadores cedidos e que não voltarão a pisar o Inferno da Luz, pelo menos, enquanto atletas da casa).


Na defesa, existem dois nomes com a porta de saída aberta (e outro que poderá sair). Nicolás Otamendi está a viver em 2025/26 a sua temporada de quebra, com a idade a fazer-se notar. O argentino é o capitão de equipa e deu várias alegrias às águias, mas não faz sentido manter o defesa por mais uma época, aos 38 anos de idade. A sua importância no balneário é elevada, mas a percentagem na massa salarial também o é. O Benfica tem em Tomás Araújo e António Silva (se também não for vendido para fazer caixa) a sua futura dupla de centrais, com Gonçalo Oliveira a espreitar uma oportunidade para exibir todo o seu potencial. José Mourinho confia em Otamendi, mas a paciência dos adeptos já se esgotou. O internacional argentino certamente já estará a pensar no término da sua carreira e um regresso ao país natal seria uma boa forma de colocar um ponto final numa história bonita.
Alexander Bah também terá o caminho para a saída facilitado. O dinamarquês tem qualidade, mas encontra-se numa ‘posição ingrata’. O lateral direito sofreu uma lesão grave em 2024/25, da qual demorou a recuperar e viu dois nomes emergirem no plantel durante os últimos meses: Amar Dedic, lateral contratado ao RB Salzburgo no verão por 10 milhões de euros, e Daniel Banjaqui, nova jóia da formação do Benfica, um dos conquistadores do Mundial Sub-17, que tem tudo para assumir a posição na próxima década, caso não dê o salto para um tubarão. A qualidade do luso não engana e o seu crescimento na sombra do bósnio fará com que possa evoluir com mais tranquilidade, mas debaixo do olho de José Mourinho. Alexander Bah ainda vai a tempo de conseguir viver mais uma aventura num clube relevante. Tem apenas 28 anos e, quando fisicamente apto, foi uma mais-valia. Contudo, não faz sentido aos encarnados manterem o atleta, podendo até fazer uma boa venda com o mesmo.


O nome que causa dúvida é o de Sidny Cabral. O versátil atleta foi comprado ao Estrela da Amadora em janeiro por seis milhões e meio de euros, depois de se ter tornado num dos jogadores a seguir na Primeira Liga na Reboleira. Contudo, não está a convencer o exigente júri da Luz, ficando inclusivamente de fora das últimas convocatórias. O episódio no qual pediu a camisola a Vinícius Júnior também não o fez ficar bem na fotografia dentro do Universo Benfica. O seu futuro dependerá das oportunidades que José Mourinho lhe oferecerá. Se voltar ao nível que já apresentou, pode ser uma boa alternativa para várias opções. Além disso, é sempre vantajoso ter no plantel alguns elementos com capacidade de desempenhar uma variedade de funções.
- Nicolás Otamendi: contrato até 2026 – 43 jogos e 3 golos em 2025/26
- Alexander Bah: contrato até 2029 – 3 jogos e 1 golo em 2025/26
- Sidny Cabral: contrato até 2029 – 11 jogos, 1 golo e 3 assistências em 2025/26 (pelo Benfica)
No meio campo, há um elemento que pode deixar o Benfica (deixando de fora jogadores jovens como Diogo Prioste ou João Veloso, que até podem ser emprestados). É improvável que Rui Costa deixe sair Richard Ríos, que é alvo de críticas praticamente a um nível semanal, já que o colombiano custou 27 milhões de euros e é uma aposta da estrutura. Além disso, a probabilidade do médio geral lucro no verão é extremamente baixa. Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro são pilares para a equipa técnica. Manu Silva é o ‘6’ mais fiável do plantel. Quem sobra? Enzo Barrenechea. O argentino foi emprestado ao Benfica por parte do Aston Villa, mas a cláusula obrigatória de 15 milhões de euros acabou mesmo por ser exercida. O atleta destacou-se no Valência, mas na Luz nunca gerou uma alegria brutal. Enzo Barrenechea é um jogador seguro, cumpre defensivamente, é bom no passe, mas não se destaca em demasia dos restantes. Não foi feito para ser o ‘homem do jogo’. Ainda que as águias tenham adquirido o atleta, o clube terá a oportunidade de o vender por uma verba superior, já que a sua época na La Liga ainda está na memória. Trata-se de um jogador que não é chave para a equipa técnica e que é facilmente substituível pelos seus colegas de posição. Além disso, aos 24 anos ainda tem muita margem para se afirmar novamente em contexto europeu. Todavia, uma manutenção na Luz poderá levar à sua estagnação.
- Enzo Barrenechea: contrato até 2029 – 38 jogos, 2 golos e 1 assistência


Já no ataque, colocando desde já Henrique Araújo fora da equação, existem dois atletas que poderiam beneficiar com uma saída do Benfica, somando a estes, um jogador cujo futuro está em risco.
Bruma chegou à Luz depois de renascer em Braga, voltando a uma cidade onde já tinha sido feliz. Contudo, o internacional português sentiu o salto, deixando o bom rendimento na Pedreira. O extremo não conseguiu fazer a diferença com a águia ao peito na primeira metade de 2025 e viu uma lesão no tendão de Aquiles colocá-lo KO por vários meses. Poderia ter sido o extremo que José Mourinho tanto augurava por ter, mas a sua condição física impediu-o de o ser, com Dodi Lukebakio a ocupar a sua função. Além do belga, o setubalense tem colocado outros nomes do lado direito do ataque como Gianluca Prestianni, Fredrik Aursnes e até mesmo Richard Ríos. A estrutura deverá ir ao mercado por um atleta que faça a posição e Bruma ficará ainda sem mais espaço. O jogador formado no Sporting, está novamente lesionado e terá até maio para mostrar o que vale. Será um dos nomes com a porta aberta para firmar um bom contrato.
Franjo Ivanovic chegou ao Benfica como uma das ‘contratações bomba’ do verão de 2025. O croata era uma pérola da Liga Belga, uma autêntica máquina de fazer golos, que chegou igualmente a ser apontado ao Sporting. O ponta de lança não conseguiu ser relevante. O seu processo de adaptação não pareceu ser o mais simples e a concorrência de Vangelis Pavlidis não lhe deu hipóteses de ser feliz. O grego é o melhor jogador do Benfica e Franjo Ivanovic não conseguiu sair da sua sombra. O sistema também não é o melhor para as suas caraterísticas. José Mourinho decidiu inclusivamente promover Anísio Cabral ao plantel principal, ‘empurrando’ o balcânico para a disputa do lugar de extremo esquerdo, onde também não tem conseguido fazer a diferença. Custou aos cofres dos encarnados 20 milhões de euros e não está a mostrar que os vale, bem pelo contrário. O seu histórico exibe golos, assistências e palmarés, com duas ligas aos 22 anos de idade. Não será escandaloso se se mantiver na Luz a partir do verão, mas o mesmo estará descontente com a sua pouca utilização, num ano fundamental para o próprio, já que corre o risco de falhar o Mundial 2026.


Por fim, não nos podemos esquecer da situação de Gianluca Prestianni. O extremo é capaz de mudar o rumo do jogo, de sacar uma jogada de levantar o estádio, de realizar um drible que deixe qualquer um de queixo caído. Porém, também pode passar uma partida sem qualquer participação relevante. Esta inconsistência leva a que ainda não tenha conseguido afirmar-se na Luz, onde está desde janeiro de 2024. A somar a este ponto negativo, está o alegado insulto racista proferido contra Vinícius Júnior. O Benfica deveria ponderar o futuro do jogador, ainda que o mesmo tenha contrato até 2029. Caso se prove que o extremo do Real Madrid tem razão, passa a ser uma saída obrigatória.
- Bruma: contrato até 2028 – 2 jogos em 2025/26
- Franjo Ivanovic: contrato até 2030 – 34 jogos, 5 golos e 2 assistências em 2025/26
- Gianluca Prestianni: contrato até 2029 – 32 jogos, 2 golos e 1 assistência em 2025/26
Os encarnados terão que realizar pelo menos uma venda de muitos milhões no mercado de verão, principalmente se não conquistar o apuramento direto para a próxima edição da Champions League. Tudo dependerá das ofertas que chegarem às mãos de Rui Costa. Que terá um verão ocupado, entre colocar os elementos sem espaço e contratar verdadeiras mais-valias, ao mesmo tempo que seguirá a ser criticado, caso o Benfica termine a época em branco.



