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Que jogos devo rever esta quarentena? Watford FC 3-1 Leicester City FC

Guilherme Vilabril Rodrigues · 3 min

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O ano era 2013, e em Inglaterra disputava-se a subida à primeira Liga Inglesa, a melhor liga de clubes de todo o mundo. Estávamos em maio, e por essa altura já se disputavam as meias finais dos playoffs que tinham colocado frente a frente, de um lado, Crystal Palace Football Club e Brighton & Hove Albion Football Club, e do outro, Leicester City Football Club e Watford Football Club. Só dois poderiam chegar à grande final, e só um se juntaria aos já dois qualificados na subida ao patamar superior.

Mas se no primeiro caso tivemos um duelo tranquilo sem grande história por contar, do outro aconteceria algo que iria ficar marcado para sempre na história da competição e intitulado como o melhor playoff de que os adeptos têm memória. Ora relembre-se.

De um lado estava o Leicester, que havia conquistado o último lugar de acesso ao playoff com os mesmos 68 pontos que o Bolton Wanderers, que ficou imediatamente atrás. Do outro, o Watford, aparentemente favorito, depois de ter conseguido o terceiro lugar, a dois pontos apenas da promoção direta para a Primeira Liga Inglesa. As expetativas eram, evidentemente, muito altas, uma vez que não haverá nada mais emocionante para estes adeptos do que um “mata-mata” que os leve ao pódio.

No dia 9 de maio disputou-se a primeira mão, no King Power Stadium, casa dos Foxes. Nessa noite, a equipa da casa fez o seu trabalho ao vencer por uma bola a zero, com golo de David Nugent, aos 82 minutos. Mas estavam jogados apenas os primeiros 90 minutos da eliminatória, e faltavam outros tantos para decidir quem passaria à próxima fase.

Passados três dias, a 12 de maio de 2013, jogava-se então o jogo decisivo, e ninguém naquele estádio, nem no mundo, estava preparado para o que viria a acontecer.

A partida começou intensa, e nos primeiros 20 minutos haviam já dois golos, um para cada lado. Aos 15, Matej Vydra havia feito o 1-0 e colocado a eliminatória empatada. Mas apenas quatro minutos mais tarde, o mesmo David Nugent fazia das suas, e marcava mais um golo, que dava outra tranquilidade, ainda que pequena, à turma dos azuis. Recorde-se que na altura não havia a questão do golo fora, e que um golo da equipa da casa levaria a eliminatória para prolongamento.

E foi mesmo isso que aconteceu aos 65 minutos. O mesmo Matej Vydra bisava na partida e colocava a eliminatória de novo empatada, levando os adeptos à loucura, confiantes de que aquele jogo não lhes escaparia.

Mas aos 90+5 minutos, o árbitro Phil Dowd, depois de um lance muito duvidoso dentro da área dos Hornets, marcava uma grande penalidade a favor da equipa visitante, que via assim a sua tarefa facilitada e colocava pé e meio na final de Wembley. Isto se Anthony Knockaert tivesse colocado a bola no fundo das redes, algo que não aconteceu. Com um “penalti” batido para o meio da baliza, o francês permitiu a defesa com os pés a Manuel Almunia que na recarga levava também a melhor sobre o seu adversário. Tinham desperdiçado a maior oportunidade para se colocarem na frente da eliminatória, mas o jogo estava, na cabeça de todos, a caminho do prolongamento.

Foi, porém, um pensamento muito curto, de cerca de 15 segundos. Isto porque foi este o tempo que o Watford levou no contra-ataque, até fazer o golo que levaria todo o estádio à loucura completa. Com um remate de ressaca, Troy Deeney colocava a bola na baliza, alterava o placard para 3-1 e levava o símbolo que carregava ao peito até à final de Wembley, que seria disputada contra o Crystal Palace. Um momento de arrepiar.

Depois do golo, ninguém se conseguiu conter, e os adeptos proporcionaram uma invasão de campo à antiga, daquelas que estamos habituados a ver nos jogos ainda transmitidos a preto e branco. Ninguém que não tenha lá estado conseguirá descrever a sensação daquele momento, que é um dos que nos faz apaixonar por este desporto.

No entanto nem tudo poderia ser perfeito, e na final, o Crystal Palace havia levado a melhor por 1-0, e juntava-se assim aos já promovidos Cardiff City Football Club e Hull City Football Club.

Guilherme Vilabril Rodrigues

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