«O Clube lá da Terra»: GD Alcochetense

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cab reportagem bola na rede

Já com 82 anos de vida, o Grupo Desportivo Alcochetense é um dos clubes mais emblemáticos da AF Setúbal, mas passou por grandes dificuldades financeiras e organizativas durante metade desta década. Acompanhados pelo presidente Nuno Reis, fomos descobrir como é que os verde-e-brancos recuperam de uma crise que afastou a vila do clube, a formação como tábua de salvação em tempos difíceis e a aposta nas modalidades como forma de aproximar as pessoas do clube. Eis a quarta edição de “O Clube lá da Terra”.

O Estádio António Almeida Correia – com a fachada renovada esta época – é a casa do GD Alcochetense desde 1993
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede

“O clube tinha um passivo muito acima daquilo que um clube como o Alcochetense pode suportar, ou seja, na maior parte das situações, seria suficiente para fazer o clube fechar portas.”

Bola na Rede (BnR): Há quantos anos acompanha o GDA?

Nuno Reis (NR): Desde os meus seis, sete anos. Sou de Alcochete e vinha ao campo antigo (atual campo de treinos). O meu irmão mais velho jogou aqui, eu também passei pela escola de formação do Alcochetense e o meu irmão mais novo também jogou cá. O meu avô e o meu tio também eram do Alcochetense, por isso, faz parte da minha vida desde criança.

BnR: Como estava o clube quando entrou em 2016?

NR: O clube passou por grandes dificuldades nos últimos anos, quer a nível financeiro, quer a outro nível: Os sócios e simpatizantes estiveram de costas voltadas para o clube . Nós entrámos e encontrámos uma situação complexa de gerir.

À frente do GDA desde 2016, a direção liderada por Nuno Reis teve de resolver complicados problemas financeiros para manter o clube em atividade
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede

BnR: Como surgiu a oportunidade de chegar à direção do clube?

NR: Tinha um colega na anterior direção – o atual vice-presidente – que saiu por discordar das atitudes da antiga direção. Na altura pus aqui na formação o meu filho mais novo e voltei a estar envolvido na vida do clube e percebi que o clube não estava numa situação favorável e que havia aqui alguns riscos. O clube tinha um passivo muito acima daquilo que um clube como o Alcochetense pode suportar, ou seja, na maior parte das situações, seria suficiente para fazer o clube fechar portas. Mas havia uma nuance: a dívida estava centrada em dois ex-presidentes (Carlos Cortes e Orlando Carvalho) e isso permitiu-nos avançar mesmo com as condições adversas.

BnR: Qual foi o principal objetivo quando agarraram no Alcochetense?

NR: Tínhamos dois objetivos principais, a parte financeira: tornar o clube sustentável e ir no sentido de resolver alguns problemas financeiros do passado. Neste momento não estão todos resolvidos, mas já se conseguiram grandes avanços nesse sentido. Outro dos grandes objetivos era a recuperação do património do clube, porque estava muito degradado – e ainda não está nas condições que pretendíamos.

Estamos a falar do estádio, da sede, que continua fechada apesar de ser um dos nossos objetivos a sua reabertura, mas infelizmente o clube continua a viver com limitações financeiras e até solicitámos à autarquia que nos facultasse um espaço nesse sentido, com o objetivo de reaproximar os sócios do clube. Outro objetivo era a aposta no futebol de formação, porque um clube da dimensão do Alcochetense depende muito daquilo que vai ser gerado na formação, porque é um clube com pouca capacidade de criar receita, há pouco apoio das empresas do concelho e o Alcochetense está sempre dependente da ajuda da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia.

Infelizmente, o futebol de formação encontrava-se numa situação provavelmente mais grave que a situação financeira, porque não havia uma política coerente e andava-se muito aos zigue-zagues, as pessoas viviam em função das pressões dos pais e havia situações em que pais mandavam em escalões. Estamos a viver com as dificuldades que vinham de trás, mas estamos num bom caminho e este ano apresentámos uma candidatura para a escola de formação da Federação Portuguesa de Futebol e o Alcochetense virá a ser uma escola de formação de quatro estrelas, o que nos deixa extremamente orgulhosos.

Em atividade de 1937, o Alcochetense esteve perto de ser mais um histórico da Margem Sul a desaparecer, como aconteceu com o CD Montijo em 2006
Fonte: Fábio Boavida / Bola na Rede
João Reis
João Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde de 1993 que a cor que lhe corre nas veias é vermelha e branca! Quando era mais novo, chegou a jogar no clube rival de Lisboa, mas nunca escondeu que o seu grande amor era o Glorioso. Tem uma enorme admiração pelo Liverpool FC. Gostava de um dia ir a Anfield Road e cantar bem alto a canção que imortalizou os Gerry & The Pacemakers: "You'll Never Walk Alone!" A dar os primeiros passos como treinador de futebol, o seu maior sonho é treinar o clube de coração e alma, o Sport Lisboa e Benfica.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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