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CF União 0-0 SL Benfica: Empatar o campeonato com o clássico à porta

Luís Martins · 3 min

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Não tenho muitas palavras para descrever este jogo em que o Benfica não mostrou querer ganhar a todo custo para se aproximar dos rivais. Esta era uma partida em que se tinha que entrar a matar contra uma equipa destroçada pela goleada sofrida em Paços de Ferreira e sair a gerir do encontro da Choupana.

Não foi assim. O Benfica deu 45 minutos de avanço ao adversário, com um futebol lento, previsível, com passes para o lado e para trás e com vários cruzamentos sempre sem eficácia. André Moreira não precisou de brilhar, sequer de ter algum destaque e foi mesmo Júlio César que evitou um golo do União depois de uma bela cabeçada do seu atacante.

A sequência de vitórias que o Benfica vinha não permite pensar que se ganham jogos só porque o adversário é de menor valia e foi essa a ideia que o Benfica deixou no primeiro tempo. Referir ainda que não compreendo a única alteração no onze em relação a Setúbal, retirando Samaris e regressando Fejsa, já que o grego neste tipo de jogos acrescenta algo à equipa que o sérvio não consegue: poder ofensivo e qualidade técnica no último terço.

Na segunda parte, o Benfica entrou melhor, acutilante e notou-se que notou-se verdadeiramente que queria vencer o jogo. Pizzi foi o «maestro» e o finalizador, já que construía e era um dos principais rematadores dos encarnados. É o jogador em melhor forma, saindo das faixas para o meio, e por isso estranhei que Rui Vitória não o colocasse, nos últimos minutos, numa posição mais central entrando por exemplo Djuricic para uma das faixas. Assim também evitávamos que Talisca entrasse, que mais uma vez nada acrescentou.

Com o desenrolar dos minutos o União ficou cada vez mais confiante, esqueceu a goleada sofrida e agarrou-se ao pontinho tão saboroso e vital na luta pela manutenção. Pizzi, Carcela e Talisca quase marcaram, mas as oportunidades foram escassas para um conjunto que quer ser campeão nacional e que joga contra um candidato à descida.

Mais uma vez, o Benfica de Rui Vitória perde pontos, excetuando FC Porto e Sporting, com uma equipa que joga em casa emprestada e em que a maioria dos adeptos presentes são das «águias».

Este é o tipo de jogo que me chateia, que me deixa triste com o plantel porque era acessível e colocavamo-nos novamente na corrida pelo primeiro lugar, ainda para mais com um Sporting-FC Porto aí à porta. Mas não, deixamos os outros fugir e ficamos a ver de longe!

Não compreendi a opção de Fejsa por Samaris Fonte: Sport Lisboa e Benfica
Não compreendi a opção de Fejsa por Samaris
Fonte: Sport Lisboa e Benfica

Uma nota para um Benfica sem Gaitán que mostrou duas caras. Em Setúbal frente ao Vitória que jogou o jogo pelo jogo e onde os encarnados tiveram mais espaço conseguiram chegar com mais frequência à área, mas sem grande brilho. Frente a um União completamente fechado, sem a magia de Gaitán, o Benfica não conseguiu rasgar a defesa adversária e bisar a baliza. É preocupante este facto, não o facto de Nico ser preponderante, mas o facto de sem Gaitán o Benfica não bater uma equipa do nível do União da Madeira, sem qualquer tipo de desrespeito.

Para finalizar, e porque este jogo me deixou com poucas palavras para descrever este Benfica, quero referir que compreendo que o União se agarre ao «pontinho», mas não detesto equipas que usam e abusam do anti-jogo e este foi o caso. Custa aos árbitros dar mais de seis ou sete minutos? Acho que as equipas pequenas, como noutros países, começariam a reduzir o anti-jogo e todos os protagonistas do jogo beneficiariam, sobretudo os adeptos.

Mas este é o futebol que temos! O que importa é que o Benfica voltou a falhar e agora o filme é outro…São 7 pontos e uma equipa que não vence o União não merece estar muito melhor na tabela!

A Figura:

Pizzi – é, a par com Lisandro e Renato Sanches, o jogador em melhor forma do Benfica e voltou a demonstrá-lo nesta partida. O internacional português joga e faz jogar e ainda tem tempo para finalizar, desta vez sem eficácia. Se dependesse dele tinhamos ganho mas nem todos lutaram tanto. Continua assim, Pizzi!

O Fora-de-Jogo:

Gonçalo Guedes – uma arrancada o jogo todo que terminou com um remate frouxo. Muito pouco para o que já mostrou que é capaz. Como já disse, noutros textos, não pode jogar sempre e o seu crescimento tem que ser gerido. Neste momento precisa de uma pausa. Era o elemento que podia dar profundidade para contrastar com Pizzi mas não conseguiu. Tal como no Bonfim, foi dos piores.

Foto de Capa: Clube de Futebol União

Luís Martins

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