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FC Sheriff Tiraspol 2-0 SC Braga: Respeito a mais e relvado a menos

Pedro Cantoneiro · 4 min

Ausência Seleção Ricardo Horta
Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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A CRÓNICA: A SOBREVALORIZAÇÃO DO ADVERSÁRIO COMO ERRO CAPITAL  

A vitória do FC Sheriff no Bernabéu ecoou pela Europa e construiu à equipa da Transnístria uma imagem falsa da sua qualidade. Os moldavos não passam duma equipa competente quanto baste, muito dependente dos rasgos individuais das suas ‘flechas’ ofensivas – Yansane ou Traoré, o autor do segundo – e do cérebro Thill na intermediária.

O SC Braga viu-se constrangido pela própria ideia que criou, erradamente, de que defrontava adversário ao seu nível. O choque com a realidade terá sido surpreendente para todos na comitiva, em especial para Carvalhal pela forma como fez alinhar a equipa.

Os primeiros minutos tornaram-se quase cómicos pela perplexidade arsenalista perante uma pressão ineficiente – muito mais impulsiva que coordenada – dos visitados e talvez por aí a inusitada em demora em tomar conta da ocorrência. Viu-se no relvado que aos portugueses bastava um pouco mais de criatividade no último terço – a bola gostou sempre mais de estar em nossa posse, ficando a faltar a verticalidade da qual abusou o Sheriff.

O cerco à baliza de Anasthasiadis só era interrompido por incursões expresso pela defensiva arsenalista, interpretados maioritariamente pelos dois supracitados: Yansane esteve sempre muito irrequieto na pressão e agressivo nos duelos, enquanto que Adama Traoré – com a mesma irreverência do homónimo mas sem a estampa física – aproveitou como pode o espaço entre Tormena e Bruno Rodrigues.

Podem-se apontar muitos factores determinantes para resultado tão negativo face á disparidade de qualidade individual das duas equipas. O relvado em mau estado – seco, relva alta, muitos remendos – não ajudou quando somado ao natural cansaço duma viagem de 6300 quilómetros, com um intervalo de quatro dias desde o último jogo.

Contudo, a desvantagem de dois golos torna-se acessível quando pensarmos na diferença de condições que Carlos Carvalhal encontrará em casa: perante o seu público, num relvado á medida dum futebol mais fluído e com a equipa mais ciente de que os moldavos estão perfeitamente ao seu alcance, o SC Braga tem todas as condições para ser feliz. Hoje não o foi muito por culpa própria.

 

A FIGURA

Evangelou, Radeljic e Petro – A linha de três do Sheriff foi sempre muito eficaz na resolução de problemas. Se conseguiram manietar Vitinha em primeira instância, fizeram o mesmo a Abel Ruiz; Horta e Medeiros andaram sempre muito distantes para serem problemas sérios e, em bloco baixo, tudo se tornou mais fácil para a tripla, que mostrou sempre altos níveis de concentração.

O FORA DE JOGO

Relvado do Sheriff Stadium – Não serve como desculpa, mas as más condições do tapete só acentuaram a desinspiração portuguesa e a má qualidade do espectáculo.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC SHERIFF TIRASPOL

Os dois meses sem competição permitiram uma preparação muito cuidada ao conjunto liderado por Yuri Vernydub. Decidiu-se por encaixar na formação arsenalista e alinhar igualmente num 3-4-3, com Nikolov e Thill em cima de Castro e Musrati. Bruno, uma adaptação, e Julien, foram sempre muito mais laterais que verdadeiros alas, cumprindo na maioria do tempo a linha de cinco que se tornou inultrapassável quanto mais confortável a equipa foi ficando no jogo e com a vantagem no placard – o recuo exagerado (mas conveniente) do bloco dificultou até a Yansane e Traoré o aproveitamento da profundidade no contra-golpe.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Athanasiadis (7)

Evangelou (8)

Radelijc (8)

Petro (8)

Bruno (7)

Nikolov (8)

Sebastien Thill (8)

Keston Julien (7)

Traoré(8)

Yansane (7)

Yakshiboev (6)

SUBS UTILIZADOS

Basit Khalid (6)

Kyabou (-)

Belousov (-)

Cojocari (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

O 3-4-3 habitual que muitas vezes se torna num 4-2-3-1 foi espelhado pelos moldavos e tornou-se impotente para penetrar no último terço. Cedo se percebeu que a consistência oferecida pela dupla Castro-Musrati era dispensável num desafio que pediu, desde o ínicio, cérebro que descobrisse caminhos mais á frente – já que Iuri Medeiros pouco conseguiu fazer e Ricardo Horta esteve sempre muito ocupado em livrar-se da marcação.

Quando entrou o irmão André, aos 64’, notou-se desde logo a diferença no controlo arsenalista, ajudando tambem a troca de Rodrigo Gomes – um destro – por Francisco Moura, muito mais rotinado naquela ala e com a canhota á disposição para explorar convenientemente o espaço exterior. Yan Couto aventurou-se sempre de forma pouco convicta  e a equipa ressentiu-se dessa falta de largura.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (5)

Yan Couto (5)

Bruno Rodrigues (5)

Paulo Oliveira (6)

Vítor Tormena (6)

Rodrigo Gomes (6)

Musrati (8)

Castro (5)

Iuri Medeiros (5)

Ricardo Horta (6)

Vitinha (5)

SUBS UTILIZADOS

André Horta (7)

Francisco Moura (6)

Abel Ruiz (-)

Roger (-)

Miguel Falé (-)

Pedro Cantoneiro

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