Publicidade

Jorge Lorenzo: O vilão que acabou amado

Carolina Neto · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Jorge Lorenzo anunciou a sua retirada poucos dias antes do último grande prémio da temporada, em Valência, deixando o mundial de motociclismo mais pobre. Estamos habituados a perder pilotos por acidente, não por vontade própria.

O espanhol deixa para trás três títulos mundiais na categoria rainha e as melhores memórias das batalhas e rivalidades com Dani Pedrosa e Valentino Rossi. Curiosamente, só Valentino Rossi insiste em continuar, mesmo que os resultados não sejam dignos de um campeão do mundo.

Jorge Lorenzo chegou à categoria rainha determinado em fazer frente ao reinado de Rossi, ganhando assim fama de anti-herói, vilão e demasiado ousado para um mundial de motociclismo que era, até então, dominado por Il Doctorre. O italiano, intimidado com a pujança de Lorenzo, chegou mesmo a pedir para criarem um muro dentro da box quando ambos faziam parte da mesma equipa.

Jorge Lorenzo travou batalhas intensas com Valentino Rossi
Fonte: MotoGP

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores. Tornou-se um daqueles pilotos que ou amamos ou odiamos, já que o seu estilo de pilotagem não agradava, de todo, a gregos e a troianos, principalmente quando alguém se atreve a dizer que: “Não sou um grande piloto, sou um campeão”.

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores
Fonte: MotoGP

A decisão de Lorenzo só surpreendeu os mais desatentos, já que a temporada de 2019 acabou por ser um calvário de lesões, desilusões e resultados negativos. Em entrevista, o espanhol admitiu que é difícil manter a motivação quando as quedas são constantes e se está habituado a ganhar, ficar em 15.º lugar acaba por criar uma constante frustração.

E este abandono não é mais do que isso mesmo. Uma rendição à frustração. Muitos poderão dizer que Lorenzo não é assim um piloto tão bom porque não conseguiu resultados com uma Honda menos pujante do que a de Márquez. Se for assim, também Valentino não é a lenda que é, já que a sua Yamaha não consegue, de todo, fazer frente a Márquez.

Lorenzo chegou à Honda com vontade de voltar aos lugares mais altos do pódio, depois de dois anos menos felizes na Ducati. O que inicialmente parecia um conto de fadas, com o decorrer da temporada, acabou por se tornar num enorme pesadelo para o espanhol.

Nunca conseguiu terminar uma prova nos dez primeiros lugares, nunca conseguiu terminar uma qualificação no top 5 e muito menos conseguiu ficar à frente do seu colega de equipa. Sem esquecer, claro, as constantes lesões que pareciam não curar: duas fraturas na mão, uma outra com luxação no pé direito, uma fissura numa costela e duas operações, uma à mão e outra ao joelho.

Agora que Lorenzo disse adeus ao mundial, todos acabam por se render ao óbvio: Lorenzo conquistou o lugar de melhor piloto espanhol de sempre. Foi o único que chegou e se atreveu a questionar a lenda que era Valentino Rossi – com a mesma moto que o italiano conquistou três campeonatos do mundo. Lutou com o campatriota Dani Pedrosa sem dó nem piedade e nos seus tempos áureos, roubou um título a Marc Márquez – aliás, o único que o espanhol não conquistou desde que ingressou na categoria rainha.

Amado ou não, Jorge Lorenzo foi capaz de mostrar que é sim um campeão, e não apenas um grande piloto.

Obrigada, Giorgio. Foi um prazer ver-te correr durante todos estes anos. Agora, descansa esse “martillo” que tantas alegrias deu aos teus fãs.

Foto De Capa: Repsol Honda Team

Carolina Neto

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.