Jorge Lorenzo: O vilão que acabou amado

- Advertisement -

Jorge Lorenzo anunciou a sua retirada poucos dias antes do último grande prémio da temporada, em Valência, deixando o mundial de motociclismo mais pobre. Estamos habituados a perder pilotos por acidente, não por vontade própria.

O espanhol deixa para trás três títulos mundiais na categoria rainha e as melhores memórias das batalhas e rivalidades com Dani Pedrosa e Valentino Rossi. Curiosamente, só Valentino Rossi insiste em continuar, mesmo que os resultados não sejam dignos de um campeão do mundo.

Jorge Lorenzo chegou à categoria rainha determinado em fazer frente ao reinado de Rossi, ganhando assim fama de anti-herói, vilão e demasiado ousado para um mundial de motociclismo que era, até então, dominado por Il Doctorre. O italiano, intimidado com a pujança de Lorenzo, chegou mesmo a pedir para criarem um muro dentro da box quando ambos faziam parte da mesma equipa.

Jorge Lorenzo travou batalhas intensas com Valentino Rossi
Fonte: MotoGP

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores. Tornou-se um daqueles pilotos que ou amamos ou odiamos, já que o seu estilo de pilotagem não agradava, de todo, a gregos e a troianos, principalmente quando alguém se atreve a dizer que: “Não sou um grande piloto, sou um campeão”.

O espanhol foi conquistando ódios, mas também amores
Fonte: MotoGP

A decisão de Lorenzo só surpreendeu os mais desatentos, já que a temporada de 2019 acabou por ser um calvário de lesões, desilusões e resultados negativos. Em entrevista, o espanhol admitiu que é difícil manter a motivação quando as quedas são constantes e se está habituado a ganhar, ficar em 15.º lugar acaba por criar uma constante frustração.

E este abandono não é mais do que isso mesmo. Uma rendição à frustração. Muitos poderão dizer que Lorenzo não é assim um piloto tão bom porque não conseguiu resultados com uma Honda menos pujante do que a de Márquez. Se for assim, também Valentino não é a lenda que é, já que a sua Yamaha não consegue, de todo, fazer frente a Márquez.

Lorenzo chegou à Honda com vontade de voltar aos lugares mais altos do pódio, depois de dois anos menos felizes na Ducati. O que inicialmente parecia um conto de fadas, com o decorrer da temporada, acabou por se tornar num enorme pesadelo para o espanhol.

Nunca conseguiu terminar uma prova nos dez primeiros lugares, nunca conseguiu terminar uma qualificação no top 5 e muito menos conseguiu ficar à frente do seu colega de equipa. Sem esquecer, claro, as constantes lesões que pareciam não curar: duas fraturas na mão, uma outra com luxação no pé direito, uma fissura numa costela e duas operações, uma à mão e outra ao joelho.

Agora que Lorenzo disse adeus ao mundial, todos acabam por se render ao óbvio: Lorenzo conquistou o lugar de melhor piloto espanhol de sempre. Foi o único que chegou e se atreveu a questionar a lenda que era Valentino Rossi – com a mesma moto que o italiano conquistou três campeonatos do mundo. Lutou com o campatriota Dani Pedrosa sem dó nem piedade e nos seus tempos áureos, roubou um título a Marc Márquez – aliás, o único que o espanhol não conquistou desde que ingressou na categoria rainha.

Amado ou não, Jorge Lorenzo foi capaz de mostrar que é sim um campeão, e não apenas um grande piloto.

Obrigada, Giorgio. Foi um prazer ver-te correr durante todos estes anos. Agora, descansa esse “martillo” que tantas alegrias deu aos teus fãs.

Foto De Capa: Repsol Honda Team

Carolina Neto
Carolina Neto
O desporto está-lhe no sangue, o futebol e o mundo das duas rodas são as suas verdadeiras paixões.                                                                                                                                                 A Carolina escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Benfica avança por jovem avançado despromovido da Bundesliga

O Benfica entrou em negociações por Dzenan Pejcinovic. Avançado de 21 anos foi despromovido com o Wolfsburgo após apontar 8 golos na Bundesliga.

Villarreal anuncia Iñigo Pérez como novo treinador: Finalista da Conference League assina até 2029

Depois de fazer história no Rayo Vallecano, Iñigo Pérez é oficialmente o novo treinador do Villarreal, assumindo o cargo abandonado por Marcelino Toral.

Treinador do Häcken lamenta a saída de Silas Andersen para o Sporting: «Toda a Liga Sueca perderá uma grande figura»

Numa altura em que Silas Andersen está muito perto de tornar-se o mais recente reforço do Sporting, Jens Gustafsson destacou o talento do médio.

São Paulo apresenta proposta por internacional português a atuar na La Liga

O contrato de Domingos Duarte com o Getafe termina no final do mês de junho. São Paulo avançou para a contratação do defesa-central a custo zero.

PUB

Mais Artigos Populares

Juan Miranda renova com Bolonha até 2028

O lateral-esquerdo Juan Miranda estendeu o vínculo com o Bolonha. Lateral espanhol está no clube há duas épocas.

Augsburgo contrata Calvin Brackelmann a custo zero para a temporada 2026/2027

O defesa Calvin Brackelmann, chega do recém promovido Paderborn e assina contrato de longo prazo até junho de 2030, com o Augsburgo.

Getafe aciona a opção de compra e garante Sebastián Boselli até 2030

Sebastián Boselli chegou por empréstimo do River Plate. Getafe acionou a opção de compra e tornou assim a contratação definitiva.