Rodrigo Caio e o seu condenável Fair-Play

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O assunto mais comentado no futebol brasileiro nessa semana foi a atitude do zagueiro são-paulino Rodrigo Caio em um lance da partida contra o Corinthians, pelo Campeonato Paulista. No referido lance o zagueiro protegia a bola contra a investida do atacante adversário, Jô, enquanto o seu goleiro, Renan Ribeiro, saia do gol para agarrar a bola. Porém, Rodrigo Caio acabou acertando o goleiro, sem ter tido a intenção, mas o juiz entendeu que quem o acertou foi o atacante corintiano.

Pela suposta falta o arbitro advertiu Jô com um cartão amarelo. Entretanto, Rodrigo Caio o informou que havia sido ele que havia pisado no goleiro. Após ter avisado ao juiz o cartão amarelo dado ao Jô foi retirado. Abaixo o vídeo do lance.

A atitude de fair play do são-paulino foi tema de debate durante toda a semana nos maiores programas esportivos brasileiros e dividiu opiniões. Admito que me surpreendi tanta repercussão. Talvez seja pela falta de atitudes nobres no futebol – e até mesmo na nossa sociedade apodrecida – que um lance de pura honestidade de um jogador seja tão comentado. Entre tantos comentários os que me deixa mais estarrecido são os que condenam a atitude do atleta. Inclusive sua atitude foi recriminada por parte do elenco, da torcida e da comissão técnica do São Paulo.

A alegação é sempre a mesma: “E se fosse eles teriam a mesma atitude?”. Essa é uma alegação pequena mediante ao gesto do Rodrigo Caio. Chegamos ao ponto em que criticamos alguém que agiu com honestidade, inclusive muitos comentários foram de que um jogador assim não pode atuar no seu time. É assustador. Destaco o comentário do ex-portista Maicon: “É melhor a mãe dele chorando do que a minha. Essa é a minha percepção. Prefiro a mãe dos meus adversários chorando do que a minha.”

Não sei se o Rodrigo Caio teria a mesma atitude em algum lance mais relevante no jogo ou se terá essa atitude no futuro, não importa. A atitude que teve serviu para abrir uma discussão e vermos que podemos ter um futebol mais limpo, sem desonestidades e simulações. O futebol brasileiro chegou ao ponto de que as simulações não são mais restritas aos jogadores. Incrivelmente tivemos esse ano simulação de agressão feito por juiz, por gandula e até mesmo tivemos o treinador Antônio Carlos, do Internacional, simulando uma agressão. Foi um momento patético e constrangedor para o Zago.

Merecemos um futebol melhor. Parabéns e obrigado, Rodrigo Caio!!!

Foto de capa: São Paulo FC

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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