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Perdidos no Tempo: Rúben Micael, o madeirense “raçudo”

José Mário Fernandes · 3 min

Rúben Micael não é um dos nomes mais óbvios, contudo entraria, na minha opinião, facilmente numa lista de menosprezados da história recente do FC Porto
Foto: FC Porto

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Rúben Micael não é um dos nomes mais óbvios no que a médios portistas diz respeito, contudo entraria, na minha opinião, facilmente numa lista de menosprezados da história recente do FC Porto e, por que não, do futebol português como um todo.

Falar deste jogador é falar de alguém que participa, ainda em tenra idade, em fantásticas campanhas do CD Nacional (a nível interno e europeu), bem como de anos vitoriosos, quer de FC Porto, quer de SC Braga. Bom, mas já lá iremos…

Comecemos pelo início: após o seu período de formação (curiosamente, com a camisola do União da Madeira), Rúben chega à Choupana para ser comandado por Manuel Machado, corria o verão de 2008.

Coincidência ou não, esse verão anteciparia uma época que seria histórica para a turma insular: quarto lugar no campeonato e consequente acesso às provas europeias.

Nesse percurso, o médio recém-contratado revelar-se-ia uma peça fundamental, não só pelas suas regulares aparições no onze inicial, como também em termos de golos: cinco tentos de sua autoria em adição a quatro assistências.

Esse era um aspeto em que Rúben Micael se destaca particularmente: os golos. É um médio com capacidade de pisar terrenos mais adiantados, um médio também com golo.

E qual o melhor palco para demonstrá-lo? A Liga Europa. Numa edição em que os insulares alcançaram a fase de grupos, após eliminar o Zenit na eliminatória de acesso, o médio madeirense participa diretamente em extraordinários dez golos em oito partidas.

Os números já eram demasiado chamativos para que fosse possível segurar Rúben Micael na Madeira. Dentre muitos interessados, o FC Porto viria mesmo a vencer esta corrida, assegurando a sua contratação a meio da temporada 2009/10.

De dragão ao peito, chegaria ao ápice da sua carreira, no que a conquistas diz respeito: é campeão nacional, vence duas edições da Taça de Portugal, duas edições da Supertaça e, por último, mas não menos importante, uma Liga Europa.

 

No entanto, do ponto de vista dos minutos, a sua passagem pela Invicta acaba por ficar algo aquém do esperado, muito por conta, diga-se, da enorme concorrência existente para aquele setor.

Despede-se do FC Porto juntamente com Falcao, no verão de 2011, e ruma ao Vicente Calderón, numa transferência, no mínimo, estranha. Seguiram-se os empréstimos: num primeiro momento, ao Real Zaragoza e, em 2012/13, ao SC Braga.

Logo após a sua chegada a Braga, “coloca” a formação minhota na fase de grupos da Liga dos Campeões, marcando um golo no tempo regulamentar que empata a eliminatória e cobrando a grande penalidade decisiva no desempate.

Ao serviço dos guerreiros do Minho, Rúben Micael somaria quinze golos e onze assistências, conquistando, precisamente frente ao FC Porto, uma Taça da Liga.

Seguiram-se passagens por China e Israel, até que as portas do nosso país se abriram novamente, desta feita as de Paços de Ferreira, onde não conseguiu evitar a descida de divisão. Da capital do móvel viajou para Setúbal, onde, desta vez, o objetivo “manutenção” foi alcançado.

No início da presente temporada, regressou à sua ilha, ao CD Nacional, clube que ajudou a devolver à elite do futebol nacional (ao que tudo indica).

No que toca à seleção portuguesa, Rúben Micael acumula, até à data, dezasseis internacionalizações, possuindo no seu currículo, inclusivamente, uma convocação para o Euro 2012.

José Mário Fernandes

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