Tapsoba, uma joia a lapidar

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Edmond Faycial Tapsoba, 20 anos, defesa central que representa o Vitória Sport Clube. Conta já com sete internacionalizações A pelo Burkina Faso, onde nasceu, a 2 de fevereiro de 1999, na capital Uagadugu.

As portas de Portugal foram-lhe abertas pelo histórico emblema matosinhense, Leixões, e deu tanto nas vistas que, a meio dessa mesma temporada (estávamos em 2017/18), viajou para Guimarães, para jogar pelos juniores do Vitória Sport Clube.

Na temporada seguinte, deu-se a (natural) ingressão na equipa B vitoriana, onde realizou 30 jogos e perfez a excelente soma de 7 golos. Daí até à equipa principal foi um tirinho e 2019/20 não podia ter dado mais razão à aposta vimaranense no jovem jogador. Neste momento, é mesmo, pasme-se, o melhor marcador da equipa ex aequo com Davidson.

Diz muito sobre a sua mais-valia global o facto de ser o marcador de grandes penalidades da equipa. Resolveu a difícil equação com o FCSB, “dando” o passaporte ao Vitória para a entrada na Europa e, no último minuto de compensação do não menos complexo jogo diante do Paços de Ferreira, a contar para a Primeira Liga, assumiu a marcação do castigo máximo e… garantiu os três pontos à sua equipa. Vê-lo marcar grandes penalidades é ver um cofre bem fechado, de difícil abertura, expressão fechada e compenetrada, de acordo com a importância do momento.

Fisicamente bem constituído, Tapsoba é muito forte na disputa das bolas aéreas defensivas, tanto no corte para zonas seguras (geralmente para fora, onde não há risco para a sua equipa) como em bolas longas do adversário (por norma, para o avançado, que coabita nas suas zonas), situação em que impõe o seu físico e o seu poder antecipativo, desarmando assim com autoridade.

O central do Burkina Faso tem mostrado qualidade a defender e a atacar
Fonte: Vitória SC

Percebe, ainda do ponto de vista defensivo, muitíssimo bem os movimentos da linha defensiva (importa lembrar que a equipa de Ivo Vieira joga, por norma, num bloco alto, algo que exige muito aos jogadores mais recuados da equipa), as situações em que deve baixar (bola descoberta), subir (bola coberta), coloca muito bem os apoios, o que lhe permite atacar, por norma, sempre bem os lances, e tem noções muito capazes de quando deve ficar na linha defensiva (fazendo contenção e/ou tirando a profundidade) ou acompanhar o adversário.

A sua maior pecha, falando ainda nesta vertente, é a do tackle em situações de 1×1 (frontal). O posicionamento do seu corpo não é o mais adequado (não baixa tanto como devia para abordar da melhor forma o lance). Comete, também, um erro muito habitual nos centrais, o de olhar muito para a bola e “esquecer” o que se passa em seu redor, situações em que já colocou por algumas vezes (ainda que não muitas) a equipa em perigo.

A nível ofensivo, é o jogador que consegue sair a jogar de forma mais “limpa”. Não é dado a passes de rutura, mas é bom no passe longo e nas variações de centro de jogo. Mesmo no passe curto é muito assertivo e (re)age bem quando é pressionado, tirando facilmente o adversário do caminho e jogando simples (a simplicidade de processos, neste momento específico, é mesmo a sua imagem de marca).

Sem bola, o jovem africano apresenta, indubitavelmente, um comportamento negativo. Entra em apatia quando a equipa se encontra na 1.ª fase de construção (GR + dois centrais, por norma). Mesmo quando há uma pressão mais intensa do adversário, não apresenta uma proatividade na busca do melhor espaço para conferir uma linha de passe, passando, por isso, a ser um “peso morto” muitas vezes nesse momento.

Fisicamente, como foi já supracitado, é robusto. Tem 1.92m e 78kg. Impulsiona-se muito bem, o que aliado a ser bom cabeceador o leva já a ter dois cabeceamentos certeiros esta temporada (ambos no seguimento de bolas paradas). É veloz e essa vertente compensa, muita das vezes, a baixa capacidade de aceleração. É, por norma, agressivo, mas ainda não está au point. Necessita, sem dúvida, de crescer a esse nível para potenciar (ainda mais) o seu imponente físico e, no fundo, todas as suas ações em campo.

Fonte: Vitória SC

É, igualmente, um jogador que mantém uma concentração muito alta e constante ao longo do jogo, o que faz, por isso, crer que poderá jogar de forma perene num contexto de alta competição, algo que não deixa de ser relevante na medida em que estamos a focar um atleta sub-21.

No estado de maturação em que se encontra, aliado ao potencial que ostenta, Edmond Tapsoba poderá, sem dúvida, ser um jogador a ter muito em conta no futuro. Apresenta características muito prometedoras para tão tenra idade e caminhará, seguramente, a… olhar para cima. É, muito provavelmente, o ativo mais prometedor do Vitória minhoto e uma jóia a rentabilizar aos mais diversos níveis no futuro (ou… presente?).

 

Foto de Capa: Vitória SC

Artigo de opinião de André Rodrigues

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

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