UEFA Youth League: a banalidade do Sporting, o poder inglês e a desilusão alemã

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Depois do ano de estreia, que correu de forma positiva, a UEFA Youth League desta temporada arrancou com a certeza de que a prova é, de facto, uma mais-valia em termos competitivos. A fase de grupos da competição para jovens sub-19 não trouxe grandes surpresas, mas serviu para perceber o potencial de algumas equipas e tirar conclusões relativamente ao estado da formação em determinados países.

No que diz respeito às equipas portuguesas, há que destacar pela negativa a prestação do Sporting. É certo que o grupo era difícil e esta geração é, provavelmente, a pior desde que existe Academia de Alcochete (Postiga, Elói e José Correia serão os elementos mais interessantes), mas não é admissível que um clube com tanto estatuto ao nível da formação tenha uma participação tão medíocre. Os jovens leões foram uma das piores defesas da prova (score de 11-0 nos jogos com o Chelsea) e só conseguiram pontuar com o Maribor, deixando a montra europeia sem grande brilho. Já o Benfica, finalista da última edição, voltou a provar que está a fazer um bom trabalho na formação e venceu o seu grupo. A equipa deste ano é inferior à da última temporada e dificilmente os encarnados terão capacidade de repetir a façanha, mas ainda assim é possível que cheguem longe na competição.

A dupla composta por Gilson Costa e Gonçalo Rodrigues dá bastante consistência à zona central, e do meio campo para a frente há nomes que fazem a diferença, como Renato Sanches, Hildeberto Pereira, Romário Baldé ou João Carvalho, que tem uma qualidade técnica e visão de jogo muito acima da média. A outra equipa portuguesa que vai disputar a fase a eliminar é o Porto, que conseguiu o apuramento apenas no último minuto da última jornada. Os dragões têm uma equipa interessante, com vários jovens que podem ser uma mais-valia a médio prazo. O extremo Rúben Macedo é talvez a principal figura, a par do colombiano Leonardo Ruiz, ponta-de-lança que mostrou muita qualidade e que já merece comparações com Jackson. O guarda-redes Raúl Gudiño, mexicano que foi vice-campeão do mundo de sub-17, também impressionou e já foi promovido à equipa B (grande diamante que o Porto tem em mãos). Fidelis, médio defensivo nigeriano, Sérgio Ribeiro e Rui Pedro foram outros jogadores que se exibiram em bom plano. Destaque ainda para Moreto Cassamá, que, apesar de ter apenas 16 anos, foi titular na última jornada. Tem um potencial incrível.

Os jovens leões só venceram o Maribor Fonte: Facebook do Sporting
Os jovens leões só venceram o Maribor
Fonte: Facebook do Sporting

O Chelsea e o Manchester City podem ser colocados numa primeira linha de candidatos à vitória final. Os londrinos têm um conjunto de jogadores absolutamente fantástico, com vários nomes que podem vir a estar entre os melhores do mundo. Não foi por acaso que Mourinho deu oportunidades a Loftus-Cheek, médio box-to-box que se estreou pela equipa principal no jogo com o Sporting, e a Dominic Solanke, avançado que jogou com o Maribor (muito oportuno, com poder de desmarcação e frieza na finalização). Andreas Christensen é um central dinamarquês com uma qualidade incrível para um jovem de 18 anos, e os atacantes Isaiah Brown, Charly Musonda e Tammy Abraham têm um potencial físico e técnico simplesmente assombroso. Jeremie Boga, médio ofensivo francês que foi o melhor jogador da última Next Gen com apenas 16 anos, é outra das figuras.

Em Manchester, Patrick Vieira está a fazer um excelente trabalho no City (será que temos treinador?). A equipa joga um futebol de grande qualidade e individualmente é fortíssima. Pozo, avançado espanhol, já foi lançado por Pellegrini, mas há outros jogadores que podem vir a chegar à equipa principal. Maffeo, central espanhol, tem sido um dos melhores da prova; Kean Bryan é o patrão do meio campo e Byrne é um interior especialista em bolas paradas (remata muito bem) e com boa chegada à área; Ambrose, que joga do lado direito do ataque, é um autêntico craque (muito dotado tecnicamente e com uma facilidade tremenda na criação de desequilíbrios), e Barker é um perigo nas diagonais da esquerda para o meio.

Patrick Vieira tem feito um grande trabalho com os jovens do City Fonte: Facebook do City
Patrick Vieira tem feito um grande trabalho com os jovens do City
Fonte: Facebook do City

Aos dois clubes ingleses pode juntar-se o Ajax, que tem feito jus ao rótulo de grande academia. Os holandeses têm uma equipa recheada de talento e venceram o grupo que tinha Barcelona e PSG (ficou pelo caminho). O meio campo tem nomes como Donny van de Beek, que não deve demorar a chegar à equipa principal, ou Abdelhak Nouri, que tem um toque de bola simplesmente fantástico, e o ataque pouco fica a dever aos do Chelsea e do City. Vaclav Cerny, checo com um talento brutal que joga pela esquerda, Robert Muric, croata que ocupa o lado direito, e Zakaria El Azzouzi, avançado móvel de origem marroquina que é o segundo melhor marcador da prova (6 golos, só atrás dos 7 de Solanke), são nomes a fixar.

Para além do emblema de Amesterdão, também o Barcelona e o Real Madrid podem ter uma palavra a dizer na luta pelo título. Os catalães são os campeões, mas têm uma equipa bastante inferior à que venceu a primeira edição da prova (até porque Adama Traoré ou Halilovic já não jogam neste escalão). A principal figura é o médio camaronês Lionel Enguene, que está claramente um passo à frente dos restantes companheiros. O central Rodrigo Tarin, um dos melhores da última edição, e o avançado Isaac Padilla são outros jogadores com bastante margem de progressão. O rival da capital tem uma geração interessante, com três nomes que saltam à vista: José Carlos Lazo, que actua no lado direito do ataque, e a dupla Jack Harper, escocês que joga no apoio ao avançado, e Borja Mayoral, um dos melhores marcadores da prova.

Pelo segundo ano consecutivo, o Schalke foi a única equipa alemã que conseguiu ultrapassar a primeira fase. Tendo em conta que estamos a falar de um país que tem feito um trabalho exemplar na formação, este dado não deixa de ser um pouco estranho. Contudo, olhando para a falta de qualidade das equipas não é, de todo, surpreendente. O Bayern, que tem em Sinan Kurt a sua principal promessa (Gaudino já não conta), tem um conjunto de jogadores muito limitado e foi humilhado pelo City; o Dortmund não fez melhor, vencendo apenas um jogo e terminando no último lugar do grupo, e o Leverkusen, sem Julian Brandt e Levin Öztunali na maior parte dos jogos, acabou por não ter armas para se bater com Benfica e Zenit. Salvou-se o Schalke, que confirmou que, neste momento, é a melhor escola de formação da Alemanha.

Foto de capa: Facebook do Chelsea

Tomás da Cunha
Tomás da Cunha
Para o Tomás, o futebol é sem dúvida a coisa mais importante das menos importantes. Não se fica pelas "Big 5" europeias e tem muito interesse no futebol jovem.                                                                                                                                                 O Tomás não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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