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Vitória FC 0-2 FC Porto: Num jogo destes, os serviços mínimos chegaram

Redação BnR · 4 min

Vitória FC 0-2 FC Porto: Num jogo destes, os serviços mínimos chegaram

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Ao longo deste campeonato, fui dando a opinião sobre aquilo que é o campeonato português e as suas exigências, tendo em conta o nível médio das equipas. Mesmo considerando que há algumas formações de qualidade, como Belenenses, Paços Ferreira, Rio Ave ou Nacional, parece-me óbvio que esta é uma prova demasiado bipolar relativamente ao grau qualitativo das equipas. Por isso, olhar para este Vitória de Setúbal torna-se quase confrangedor, dada a fraca qualidade de muitos dos seus jogadores e sobretudo a falta de uma ideia clara de jogo. Bem sei que sem ovos não se podem fazer omeletes, mas mesmo não tendo o melhor plantel deste campeonato, creio que os vitorianos poderiam fazer mais do que aquilo que o seu estilo de jogo demonstra. Por tudo isto, creio que a exibição do FC Porto esta noite, no Estádio do Bonfim, foi meramente o suficiente para chegar a uma vitória perfeitamente natural.

Nos onzes iniciais, Bruno Ribeiro e Lopetegui optaram por ir ao encontro das expetativas: do lado sadino, destaque para a inclusão de Advíncula no lado esquerdo do ataque, procurando com isso suster o caudal ofensivo portista e aproveitar a rapidez do peruano para a exploração das transições rápidas; do lado portista, Ricardo foi o substituto natural do castigado Danilo, enquanto Herrera e Quaresma voltaram à titularidade depois de terem sido suplentes no clássico da última semana, frente ao SL Benfica. Os primeiros minutos de jogo demonstraram um FC Porto mandão, a procurar – mesmo que sem um ritmo muito alto – chegar rapidamente a uma vantagem que lhe pudesse facilitar o rumo da partida. Para isso, a equipa de Lopetegui decidiu, quase sempre no primeiro tempo, deixar as faixas para os laterais, remetendo os alas Quaresma e Brahimi a uma zona mais interior, procurando criar uma fase de pressão mais alta junto do meio campo sadino. Os comandados de Bruno Ribeiro sentiram enormes dificuldades pelas subidas dos laterais portistas, sobretudo no caso de Alex Sandro, que não raras vezes ultrapassou Zequinha e aproveitou as costas da defensiva vitoriana para criar perigo.

Portanto, não foi de estranhar que tenha sido pelas zonas laterais que o golo portista tenha chegado, após um excelente trabalho de Jackson a arrastar a marcação de três defesas do Vitória. Depois, Ricardo acabou por fazer um cruzamento com conta, peso e medida a que Brahimi respondeu afirmativamente para o primeiro golo portista no Bonfim. A vantagem era natural, tamanho era o domínio portista e a incapacidade gritante para o Setúbal chegar sequer ao último terço dos dragões. Também por isso, o FC Porto continuou a carregar no acelerador, mesmo que de forma não muito intensa. Ainda assim, até ao intervalo o segundo golo poderia ter chegado, numa bela trivela de Quaresma que só Raeder parou.

Como não podia deixar de ser, a segunda parte vitoriana foi completamente diferente. Ao contrário do que havia acontecido no primeiro tempo – em que o meio campo composto por Dani, Paulo Tavares e João Schimdt raramente havia sido intenso o suficiente para provocar erros na fase de construção portista – a segunda parte trouxe-nos um Vitória mais afoito, num bloco mais alto e sobretudo com as linhas mais próximas, procurando explorar a profundidade com o avançado Suk e a velocidade com Zequinha e Advíncula. Mais unida e solidária taticamente, a equipa do Setúbal começou a ganhar confiança num jogo que, à medida que os minutos foram passando, foi perdendo velocidade e intensidade.

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Brahimi marcou o primeiro golo do FC Porto, no Bonfim
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

O FC Porto já não controlava o jogo como no primeiro tempo, e o resultado magro não garantia o triunfo final. Por isso, aos ameaços do Vitória – com particular destaque para um cabeceamento de Suk para defesa de Helton – Lopetegui respondeu com dupla mudança: entradas de Evandro e Hernâni para as saídas de Quaresma e Brahimi. A equipa portista ficou mais rápida e sobretudo mais desperta, não cometendo o erro que já tantas vezes lhe foi fatal, que é o de adormecer demasiado o jogo e depois não conseguir responder ao ímpeto adversário. Os minutos finais tinham entusiasmo nas bancadas e crença na equipa da casa, mas o que é facto é que o V. Setúbal, mesmo com muito boa vontade dos seus jogadores, raramente deu a ideia de que podia tirar qualquer coisa do duelo com os dragões.

Por essa razão, os portistas, mesmo sem fazerem uma exibição de encher o olho, acabaram por matar a partida através de Jackson Martinez, que, após excelente assistência de Herrera, desfeiteou Raeder e fez o 18.º golo no campeonato, recuperando a liderança isolada na tabela dos melhores marcadores. Sem ter feito um grande jogo, até porque o adversário não o obrigou a tal, o FC Porto voltou a vencer num dos redutos em que possui maior percentagem de vitórias. Mesmo que sem grandes objetivos para esta reta final do campeonato, fica o registo de mais um triunfo portista. Sem brilho nem sequer grande velocidade e intensidade, os portistas voltam a colocar em três pontos a distância para o líder.

A Figura
Alex Sandro –
O lateral brasileiro fez um jogo a roçar a perfeição no Bonfim. Raramente perdeu um duelo individual e foi, durante toda a partida, um verdadeiro quebra cabeças para Pedro Queirós. Exibição a relembrar os velhos tempos do brasileiro.

O Fora de jogo
Primeira parte do V. Setúbal
– A qualidade do plantel está longe de ser grande mas mesmo isso não justifica um primeiro tempo tão cinzento da equipa de Bruno Ribeiro. Sem atitude nem capacidade de pressão, a equipa sadina pareceu um fantasma tático nos primeiros 45 minutos do jogo desta noite, no Bonfim.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

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