O sonho continua: Amarante escreve página bonita da sua história | Paredes 0-0 Amarante

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Há jogos que não se medem apenas pelo resultado. Medem-se pelo que representam, e pelo que confirmam. O empate a zeros entre Paredes e Amarante foi exatamente isso: a certificação de uma época histórica para a formação amarantina. Sem golos, mas carregado de significado. Sem exuberância, mas repleto de alma.

O Amarante está na fase final de apuramento do campeão da Liga 3. E isso, por si só, devia ser suficiente para parar qualquer análise fria e obrigar a um aplauso demorado. Porque esta não foi uma equipa construída para subir. Não é um projeto desenhado para atacar a Liga 2. É uma equipa montada para sobreviver assente num plantel muito curto, para garantir a manutenção, e para respirar tranquilidade num campeonato feroz. 

Uma equipa que ainda não sofreu golos (!) em jogos fora de casa sob o comando do treinador português, e que tem um espírito de entreajuda descomunal, que o próprio treinador vimaranense destacou em declarações após o fim do jogo ao Bola na Rede (ver declarações completas no final do artigo.)

O Estádio Municipal das Laranjeiras em Paredes recebeu, na tarde deste domingo, o duelo entre o Paredes e o Amarante, em jogo a contar para a 17ª e penúltima jornada do grupo A da Liga 3. Ao intervalo, o resultado registava um empate a zero, penalizando a falta de acerto na finalização dos jogadores paredenses.

Uma etapa inicial na qual a equipa da casa dispôs de inúmeras oportunidades de golo, mas Martim Duarte vestiu a capa de herói e fez uma defesa monumental a cabeceamento de Dénis Duarte.

Este Amarante não se explica apenas por números. Explica-se por caráter. Por uma identidade muito clara: não sofre golos fora de casa por acaso. Não lidera o grupo A por sorte. Não chegou a Paredes com cinco vitórias consecutivas por obra do destino. Chegou porque sabe competir. Porque sabe sofrer. Porque sabe esperar. Porque sabe quando morder.

No Municipal das Laranjeiras, é verdade que o Amarante não fez o seu jogo mais vistoso. Longe disso. Foi talvez uma das exibições mais contidas, mais nervosas, muito presa à responsabilidade do que estava em jogo. Jogou muitas vezes “sobre brasas”, consciente de que um erro podia custar meses de trabalho. Ainda assim, sobreviveu. E sobreviver, neste contexto, foi vencer.

O Paredes teve mais bola, mais iniciativa, mais ocasiões, quase todas elas conduzidas por um inspirado Erik Santana, que realizou uma exibição fantástica, na qual pôde demonstrar toda a sua qualidade técnica e capacidade de desequilíbrio. A equipa do Paredes pecou onde tantas equipas pecam: na finalização. 

Mas também esbarrou numa equipa que sabe fechar espaços, que aceita ser dominada territorialmente sem perder a alma competitiva, e que teve no seu guarda-redes Martim Duarte um muro imbatível. O 3-5-2 do Amarante voltou a ser um exercício de organização, mesmo quando a fluidez ofensiva desapareceu quase por completo.

E é precisamente aí que reside a grandeza desta equipa. Quando não consegue ser bonita, é sólida. Quando não consegue ser criativa, é resiliente. Quando não consegue ser dominante, é inteligente.

Fonte: Amarante

Este apuramento da equipa amarantina tem um rosto claro: Alex Costa. Um treinador que pegou num plantel pensado para a manutenção e transformou-o numa equipa que luta por algo que parecia impensável em agosto. Não por magia, mas por cultura competitiva. Por leitura de jogo. Por respeito absoluto pelo processo.

Num futebol cada vez mais obcecado por projetos milionários e promessas de curto prazo, o Amarante é a prova viva de que a ambição também pode nascer da humildade. Que se pode começar pequeno e acabar grande. Que se pode sonhar sem se perder.

O empate em Paredes não foi um jogo épico. Foi um jogo sério. Foi um jogo adulto. Foi um jogo de equipa que sabe exatamente quem é e até onde quer ir. Mesmo reduzido a dez unidades nos descontos por expulsão do defesa-central Feliciano Mendes, mesmo sob pressão, mesmo com o risco de tudo ruir num lance isolado, o Amarante não se desorganizou. Não entrou em pânico. Não traiu a sua identidade.

Mas mesmo assim, continuou a ser o Paredes a ter as melhores oportunidades de golo, destacando-se um livre direto de Duarte Carvalho desviado de forma milagrosa pelo guardião Martim Duarte para o poste.

E inclusive, poderia ter saído com a vitória do reduto do Paredes (o que teria sido bastante cruel para a equipa orientada por Tarantini), mas Moisés Conceição (filho de Sérgio Conceição) desperdiçou de forma quase escandalosa uma oportunidade clamorosa de golo, quando já com o guardião do Paredes Fábio Matos fora da baliza (por ter subido de forma desesperada a um canto ofensivo a favor da sua equipa), não conseguindo encontrar a direção da baliza já desguarnecida da turma paredense.

Vem aí uma final para os comandados de Tarantini quando se deslocar ao terreno do São João de Ver na 18ª e derradeira jornada da primeira fase de apuramento de campeão da Liga 3, não dependendo exclusivamente do seu resultado para conseguir esse objetivo de ficar dentro do Top 4.

Agora, o Amarante vai lutar pela subida de divisão. Não como favorito, não como gigante, não como potência. Vai como equipa que já venceu o seu próprio destino. Tudo o que vier a partir daqui é bónus. Mas um bónus que já se conquistou com autoridade.

Com este empate tão saboroso, o Amarante garante o apuramento para a fase final de apuramento do campeão, cimentando a sua posição no primeiro lugar do grupo A da Liga 3 com 28 pontos, ao passo que o Paredes desce para o quinto lugar da classificação, com 24 pontos na tabela classificativa.

Fonte: Amarante

O Bola na Rede marcou presença em Paredes nesta autêntica final, e teve a oportunidade de colocar questões a ambos treinadores.

Bola na Rede: Na primeira parte, a equipa pareceu estar a jogar “sobre brasas”, dando totalmente a iniciativa de jogo à equipa do Paredes. Considera que a sua equipa acusou a importância deste jogo, sabendo que estava apenas a um ponto de garantir um histórica qualificação para a fase final de apuramento? Na segunda parte, a equipa pareceu conseguir sair com mais critério para o ataque, mas terminou naturalmente estando mais focada em segurar o resultado, do que a tentar chegar à vantagem. 

Alex Costa: Na primeira parte, não estávamos a conseguir ganhar duelos. Não estávamos a ser agressivos sob o portador da bola, e estávamos com muita dificuldade em controlar os movimentos do Erik Santana e do Miguel Moreno. Ao intervalo, eu disse-lhes que não podíamos ficar expectantes e tínhamos de fazer acontecer. Tivemos uma ótima entrada na segunda parte. Depois com a ida do Erik Santana para o corredor e o Paredes a jogar com dois homens na frente de ataque, esse factor ajudou-nos, porque conseguimos controlar melhor o jogo defensivamente com a nossa linha de cinco. Uma palavra a toda a massa associativa do Amarante que nos ajudou muito a conseguir este primeiro objectivo de nos qualificarmos para a fase final de apuramento. Este plantel é muito curto, e temos tido um comportamento exemplar, com um forte espírito de entreajuda, sendo um grupo muito solidário. Mais um jogo em que não sofremos golos fora de casa sob o meu comando contra uma equipa com jogadores de muita qualidade e muito bem treinada. Estou orgulhosíssimo do que conseguimos.

Bola na Rede: O que é que procurava com a tripla substituição à hora de jogo? Não sente que o Erik Santana deixou de ter o protagonismo que tinha até aquele momento, depois de começar a cair mais no corredor? Ficou igualmente a ideia de que a equipa se partiu, concedendo algumas oportunidades à equipa do Amarante, que até então se tinha revelado praticamente inofensiva. 

Tarantini: Fizemos uma primeira parte brilhante, de domínio absoluto e com várias oportunidades de golo. No início da segunda parte, sentia que a equipa estava a perder frescura, e que era necessário dotar a equipa de outras dinâmicas, procurando a maior profundidade que o Diogo Outeiro nos dá. É verdade que ficar com dois homens na frente do ataque (o Balelo e o Rúben Fonseca) fez com que o Erik Santana deixasse de jogar numa zona central. Ele não é tão forte nos corredores e perdemos qualidade nessa zona do terreno, mas mesmo assim, conseguiu a continuar a ligar o jogo ofensivo da equipa. Estou muito orgulhoso do que fizemos. Somos a equipa que mais cria na Liga 3, hoje faltou-nos um pouquinho de sorte.Vamos motivados e confiantes para o próximo jogo. Uma palavra aos paredenses, por terem ficado até ao fim do jogo e terem aparecido em peso.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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