Dia 8 dos Mundiais: Um hino ao atletismo

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Um dia memorável para o atletismo! Numa sessão bastante curta, assistimos à melhor prova feminina de 400 barreiras da história, a uns 3.000 obstáculos masculinos excitantes, ganhos com a menor diferença da noite (!) e a uns 400 metros com uma marca fantástica para o Ouro. Em relação aos concursos, nada há para nos queixarmos também: a estrela local brilhou num concurso verdadeiramente emocionante de Salto em altura e houve um festival de boas marcas cubanas no Disco.

AS FINAIS DE HOJE

A muito esperada final feminina dos 400 metros barreiras deu tudo o aquilo que todos nós queríamos e muito mais. Dalilah Muhammad (USA) – que já havia batido o recorde mundial – disparou desde o tiro de partida para uma volta perfeita à pista com barreiras. Sempre muito forte, Dalilah tinha uma considerável vantagem à entrada da meta sobre Sydney McLaughlin (USA) e, embora essa diferença se tenha reduzido, isso foi o suficiente para conquistar o Ouro nestes Mundiais, com um novo RECORDE MUNDIAL, baixando a sua marca para 52.16 segundos!

A Prata foi para a jovem Sydney McLaughlin, de 20 anos, que correu em 52.23 segundos, no que há três meses atrás seria um recorde mundial  – Muhammad bateu o recorde que durava há 16 anos durante o mês de Julho – subindo a 2.ª atleta mais rápida da história. A medalha de Bronze foi para Rushell Clayton (JAM), com um grande recorde pessoal de 53.74 segundos, sendo que Lea Sprunger até bateu o recorde nacional suíço (54.06) sem que isso tenha chegado para uma medalha.

Nos 3.000 metros Obstáculos masculinos, grande prova, emocionante e disputada até ao final, com uma vitória ao limite de Conseslus Kipruto (KEN), confirmando os rumores de que estava totalmente recuperado de lesão e ultrapassando Lamecha Girme (ETH) mesmo em cima da meta. O etíope fez uma prova estupenda, deu tudo o que tinha e não tinha, batendo o recorde nacional da Etiópia aos seus 20 anos e alcançando uma excelente medalha de Prata. Kipruto fechou em 8:01.35 e Girme em 8:01.36. O queniano renova, assim, o título mundial, numa época em que muitos duvidavam que fosse capaz de cá chegar na máxima força.

Mais um título para Kipruto. Sempre pronto para grandes competições!
Fonte: IAAF

A completar o pódio, no 3.º lugar, Soufiane El Bakkali (MOR), em 8:03.76, não sendo ainda desta que chega ao Ouro em eventos globais. O 4.º – Getnet Wale (ETH) – e o 5.º – Djilali Bedrani (FRA) – também bateram recordes pessoais hoje em Doha.

A última final da noite, os 400 metros masculinos, parecia descaracterizada com a ausência de Wayde van Niekerk (o sul-africano, recordista e campeão mundial, ficou de fora dos Mundiais por lesão) e de Michael Norman (USA), o líder mundial que foi eliminado nas semifinais. Fred Kerley (USA), que venceu a Diamond League no ano passado e que até já tinha batido Michael Norman este ano nos Nacionais norte-americanos era o grande favorito quando as luzes se acenderam de novo no estádio, depois do espetáculo luminoso na apresentação dos atletas.

Kerley arrancou forte e parecia bem encaminhado nos primeiros 200 metros, mas Steven Gardiner (BAH) que até aí mantinha-se a uma pequena distância do norte-americano e com Kerley controlado, arrancou para uns fulminantes 200 metros finais, terminando em impressionantes 43.48 segundos, um novo recorde pessoal para o atleta que havia sido Prata em Londres e um incrível novo recorde nacional das Bahamas. Gardiner que tinha, à partida para esta prova, um recorde pessoal de 43.87, e um melhor da época de apenas 44.13 feitos na semifinal, estava de boca aberta no final e todo o estádio pareceu ter ficado assim, pois até o sistema de som avariou e nem o anúncio do vencedor se ouviu.

Até o estádio ficou em silêncio
Fonte: IAAF

Fred Kerley (USA), que era o favorito, nem conseguiu chegar à Prata, contentando-se com o Bronze em 44.17 segundos, sendo que a medalha de Prata foi para Anthony Zambrano, de 21 anos, com uma ponta final impressionante, correndo em 44.15 segundos e batendo o recorde da América do Sul.

Pedro Pires
Pedro Pireshttp://www.bolanarede.pt
O Pedro é um amante de desporto em geral, passando muito do seu tempo observando desportos tão variados, como futebol, ténis, basquetebol ou desportos de combate. É no entanto no Atletismo que tem a sua paixão maior, muito devido ao facto de ser um desporto bastante simples na aparência, mas bastante complexo na busca pela perfeição, sendo que um milésimo de segundo ou um centimetro faz toda a diferença no final. É administador da página Planeta do Atletismo, que tem como principal objectivo dar a conhecer mais do Atletismo Mundial a todos os seus fãs de língua portuguesa e, principalmente, cativar mais adeptos para a modalidade.                                                                                                                                                 O Pedro escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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