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UEFA Women´s Champions League: Tyreso FF 3-4 Wolfsburg

Num estádio do Restelo bem composto para um jogo de futebol feminino, Tyreso e Wolfsburg jogavam a oportunidade de entrar na história do futebol feminino. Para as suecas do Tyreso, que têm na sua equipa a melhor jogadora do mundo, Marta, era uma oportunidade de conseguir vencer a Liga dos Campeões pela primeira vez (para a jogadora, a oportunidade de conquistar o troféu pela segunda vez). O clube nórdico atravessa uma grave crise financeira e vai perder várias jogadoras, incluindo a brasileira. Do outro lado estava o campeão em título, o Wolfsburg. As alemãs surpreenderam no ano passado ao vencer o favorito Lyon e tinham a oportunidade de vencer o troféu pela segunda vez na sua história.

Depois de um espetáculo de abertura bem conseguido era tempo de disputar o jogo decisivo. A primeira parte foi fraca, uma vez que ambas as equipas jogaram na expectativa. Ainda assim, o sinal mais vai para o Tyreso. Foi sempre mais perigoso e soube aproveitar as (poucas) oportunidades para ficar em vantagem, frente a um Wolfsburg sem ideias dentro de campo e que apenas obteve uma oportunidade – um mau corte da defesa sueca que ia dando em auto-golo. O Tyreso acabaria por marcar dois golos seguidos no primeiro tempo. O primeiro surgiu pela inevitável Marta, que numa arrancada fantástica deixou três jogadoras para trás e inaugurou o marcador. O segundo apareceu quando ainda se comentava nas bancadas o grande golo de Marta: Christen Press, depois de um excelente trabalho na ala, cruzou para Veronica Boquette facturar. Em poucos minutos o Tyreso parecia caminhar a passos largos para a conquista da Champions League. Um resultado justo ao intervalo – as suecas estiveram sempre mais perto do golo do que as alemãs, mas a qualidade de jogo era baixa.

O Restelo teve uma boa casa para a final Foto: Rodrigo Fernandes
O Restelo teve uma boa casa para a final
Foto: Rodrigo Fernandes

Mas quem pensava que o futebol feminino é sempre assim enganou-se. A segunda parte foi de grande qualidade e de grande emoção. Um golo do Wolfsburg logo a abrir a segunda parte, num cabeceamento de Alexandra Pop, deu o mote para a reacção alemã. O Wolfsburg apresentou-se de forma completamente diferente da primeira parte. Para se ter ideia, em apenas cinco minutos, as alemãs tiveram mais oportunidades do que em toda a primeira parte. O golo, uma bola cortada em cima da linha e uma oportunidade desperdiçada na cara do guarda-redes mostravam a vontade do Wolfsburg de dar a volta ao resultado. E quem trabalha consegue resultados: aos 52 minutos veio o golo do empate. Martina Muller, frente à guarda-redes, empatou e voltou a pôr as duas equipas em igualdade. O que parecia uma final já quase decidida voltou a ser um jogo emocionante. Os papéis tinham-se invertido: o Tyreso era agora uma equipa sem ideias, surpreendida pela grande entrada do Wolfsburg. Mas quem tem Marta nunca está muito tempo apagado do jogo. A jogadora cinco vezes Bola de Ouro foi a grande atracção da final. Cada vez que tocava na bola levava o público ao delírio, cada lance mágico dela tirava olés da bancada, e não é de espantar que todos os cartazes tivessem escrita uma mensagem a pedir a sua camisola. Aos 56 minutos houve um momento de magia: Marta, dentro da pequena área, tirou uma adversária do caminho e colocou a bola no ângulo. Um grande golo de uma grande jogadora que deixou as bancadas de boca aberta. Os primeiros dez minutos do segundo tempo, de pura emoção, espectáculo e qualidade, acabavam, assim, da melhor maneira.

O jogo baixou de ritmo com o 3-2, mas aos 68 minutos Verena Faißt voltou a empatar o encontro  para a equipa alemã. O ritmo manteve-se sempre elevado, mesmo sem qualidade no jogo. Martina Müller, a 10 minutos do fim, fez o 4-3 com que o jogo chegou ao final, apesar de o Tyreso ter tentado sempre voltar à igualdade, mais com o coração do que com a cabeça.

Este foi um resultado que premiou a boa segunda parte do Wolsfburg, apesar de a equipa sueca merecer pelo menos uma ida ao prolongamento.

 

Reportagem elaborada por André Conde e Rodrigo Fernandes

Redação BnR
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