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Não é esse o futebol que me faz largar tudo

Inês Figueiredo Mendanha · 2 min

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No futebol português, é raro haver consensos, mas creio que há um que supera todas as divergências: o futebol é uma festa. Ou pelo menos, é suposto ser. É suposto ser alegria, diversão, emoção… fazer-nos largar tudo para acompanhar os nossos clubes. Isto é o que fazem os verdadeiros adeptos. Fazem do futebol uma festa. Infelizmente, não é o que tem acontecido nos jogos da Liga Portuguesa.

Não sei bem como nem porquê, mas nos últimos anos, a ténue linha que separa adeptos fervorosos de adeptos criminosos, foi totalmente apagada. Hoje em dia, lançar tochas e petardos, arremessar cadeiras e destruir estádios faz parte do quotidiano do futebol português. Espanta-me que tenhamos deixado esta situação ir tão longe. Entristece-me que hoje, o futebol não seja sobre os 22 homens que se divertem em campo e dão tudo para alegrar também os seus adeptos.

Esta situação já se arrasta não há dias, semanas, meses, mas sim anos. Perdemos o controlo. Actualmente, não é seguro famílias irem aos estádios ver a bola, porque estão sujeitas a ser agredidas; as crianças têm medo dos petardos e das tochas, os adultos pagam bilhete para verem jogos interrompidos por largos minutos por não haver visibilidade. Não é esse o futebol que nos apaixona. Em que claques matam adeptos, param jogos, em que adeptos são feridos e  que árbitros são agredidos. Agora, o que fica para a história, não é o golo, não é o drible, não é a jogada mais bonita, é o petardo que rebentou nas costas do guarda-redes e que fez o árbitro parar o jogo.

Queixamo-nos constantemente que o nosso futebol é pouco competitivo, tem pouco tempo útil de jogo, e isso impede-nos de ombrear com os tubarões na Europa. Pois bem, quando os “adeptos” passam as marcas e interferem desta maneira no jogo, o problema só se agrava. O exemplo mais flagrante é o último Vitória SC x SL Benfica, no sábado passado.

Duas equipas fantásticas, com os melhores adeptos do país. Mas, como se viu, no meio desses adeptos havia outros; aqueles sem nome, nem identidade, que estão sempre nos estádios, a apoiar mas também a destabilizar. Um jogo tão bonito, virou um filme de terror cheio de paragens e peripécias. Mas julgam que lançar cadeiras para o relvado não destabiliza também a vossa equipa? Julgam que parar o jogo alivia os vossos jogadores? Sou admiradora das claques, quando estas mobilizam um estádio inteiro para empurrar a equipa para a vitória. Quando se descontrolam, não ajudam ninguém.

Não há qualquer dúvida que os clubes devem viver dentro da legalidade, contudo a Lei que hoje regula as claques e a sua legalização em nada protege o mundo desportivo.
O mau comportamento dos adeptos tem vindo a assombrar o campeonato português
Fonte: SL Benfica

Sou o tipo de adepta que acredita cegamente, que um estádio cheio de pessoas a cantar a uma só voz, a plenos pulmões, é capaz de marcar um golo; de ganhar jogos; de fabricar campeões. Esses são os adeptos. Os outros? Não sei. O que sei é que, interromper jogos e destruir estádios não é digno do nome “adepto”. Não é esse o futebol que me faz largar tudo.

Foto de Capa: Bola na Rede

 

Inês Figueiredo Mendanha

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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