Novo balão de oxigénio para o Casa Pia AC?

O Casa Pia AC poderá a vir beneficiar de um eventual desfecho da presente temporada. A suspensão dos campeonatos profissionais de futebol devido à pandemia que o país enfrenta, colocou em cima da mesa várias possibilidades para o desfecho da restante temporada. Entre elas, aquela que é defendida pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e que será a mais provável de acontecer, caso seja possível: a retoma das competições e a disputa das jornadas restantes, até ao final de julho.

A Liga apresentou, esta quinta-feira, uma proposta de calendário para a primeira e segunda liga que se enquadra na anterior: retoma dos treinos no início de maio, regresso das competições no final desse mês e a última partida a disputar-se no final de julho.

Contudo, devido à incerteza sobre o desenvolvimento da situação em que nos encontramos, o regresso das competições pode não ser uma realidade. Assim, surgem duas alternativas: o término da temporada como está até ao momento, ou seja, é campeão o clube que estava no primeiro lugar antes da suspensão dos campeonatos e são despromovidas a escalões inferiores as equipas que estavam em posições de descida; ou então o cancelamento total da época. Aqui, seria como se a temporada 2019/2020 não tivesse existido e não haveria lugar para campeões, nem para subidas ou descidas de divisão.

Esta última opção foi, aliás, aquela utilizada para todos os campeonatos de formação em Portugal, uma decisão anunciada pela Federação Portuguesa de Futebol no passado dia 27 de março. Ora, se esta medida se estender a todas as competições de futebol seniores, será justo dizer que o Casa Pia AC será o principal beneficiado da mesma, pelo menos se analisarmos apenas as tabelas classificativas da primeira e segunda liga.

O emblema de Pina Manique está, à 24ª jornada – a dez do término da temporada – no último lugar da classificação, com apenas onze pontos e a seis do CD Cova da Piedade, o seu antecessor na tabela (também ele sujeito à despromoção). Para conseguir alcançar uma posição que permitisse a manutenção na segunda liga, o Casa Pia AC teria de ultrapassar o clube de Almada e ainda de milagrosamente recuperar os 13 pontos de diferença para o UD Vilafranquense, que se encontra na 16ª posição.

Isto seria praticamente uma missão impossível, o que leva a crer que, caso a época tivesse decorrido na sua normalidade, o Casa Pia AC teria grandes probabilidades de ser despromovido ao Campeonato de Portugal.

Ricardo Peres lidera o Casa Pia AC desde dezembro passado
Fonte: Casa Pia Atlético Clube

O possível cancelamento da presente de temporada dá um novo “balão de oxigénio” à equipa liderada por Ricardo Peres, que tem, assim, mais uma possibilidade na segunda divisão, para onde conseguiu subir na época passada. Esta promoção, recorde-se, foi também ela envolta em polémica.

A equipa, na altura liderada na teoria por José da Paz, viu serem-lhe subtraídos seis pontos na classificação, depois do treinador estagiário Rúben Amorim – que ainda se encontrava a tirar o nível 1 de treinador – ter dado indicações do banco. Este incumprimento das leis trouxe vários castigos para o clube de Pina Manique, mas o mais gravoso foi a retirada de pontos cruciais na luta por um lugar no play off de campeão.

Porém, esta decisão foi revogada depois de um recurso interposto por Amorim e pelo clube, permitindo ao Casa Pia AC a recuperação dos seis pontos. Pouco depois, nova boa notícia para os “gansos”. A FPF decidiu a favor do emblema lisboeta, num novo processo com muita controvérsia à mistura: um mês antes, a partida frente ao SC Olhanense fora suspensa por invasão de campo aos 81 minutos, quando o Casa Pia AC se encontrava a ganhar por 2-1.

O jogo seria retomado no dia seguinte, mas a equipa de Pina Manique não compareceu, alegando questões de segurança. Quando tudo parecia dar como certo a perda do jogo por 3-0 por falta de comparência, a equipa recebeu a notícia que os três pontos lhe foram atribuídos, permitindo-lhe assim, ocupar o último lugar de acesso ao play off, em detrimento do Real Sport Clube.

Estas duas decisões a favor do Casa Pia AC ainda hoje levantam dúvidas par vários amantes e críticos do futebol, mas principalmente para o clube de Massamá, que acabou por ser o principal prejudicado com as mesmas, ao falhar a possibilidade de jogar o play off que permitiria o acesso à segunda liga.

Ironicamente, um eventual cancelamento da presente temporada voltaria a “salvar” o Casa Pia AC e a “condenar” o Real SC a permanecer no Campeonato de Portugal. A equipa encontrava-se, no momento de suspensão do campeonato, com grandes probabilidades de conseguir um tão desejado lugar no play off: segundo lugar na tabela classificativa, com os mesmos 57 pontos que o emblema que ocupa a primeira posição.

O clube de Massamá já fez saber a sua posição sobre o assunto em comunicado: “Como é sabido, no final da época passada, o Real foi administrativamente prejudicado e, por isso, não aceita ser prejudicado de novo. Ontem, como hoje e como amanhã, continuaremos sempre a defender a verdade desportiva! Também por isso repudiamos qualquer intenção de terminar o Campeonato de Portugal deixando tudo como está.”

Polémicas à parte, a verdade é que se o cancelamento da época for avante, o Casa Pia AC vê-se novamente bafejado pela sorte, tendo em conta que evita uma descida quase certa de escalão. Ainda assim qualquer decisão tomada pelo organismo que regula as ligas nunca obterá um total consenso de todos os clubes, pois haverá sempre, inevitavelmente, equipas que serão mais prejudicadas por uma medida ou por outra.

Neste momento crítico para o país em que o futebol tem obrigatoriamente de ficar para segundo plano, resta-nos aguardar pelo bom senso dos decisores e que a opção tomada seja a mais adequada às circunstâncias, custe a quem custar.

 

Diana Oliveira
Diana Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
A Diana é licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade do Porto e, desde cedo, que a escrita faz parte de si. Poder conjugá-la com o futebol, outra das suas paixões, é a cereja no topo do bolo. A Diana escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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