GP Sakhir: Sergio Pérez, bem-vindo ao círculo dos vencedores

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A CORRIDA: A DOR DE UNS, O JÚBILO DE OUTROS

O ano de 2020 já provou que pode trazer um pouco de tudo, sempre inesperável, e hoje, mais uma vez, voltamos a ver o que isso quer dizer. No circuito exterior do Bahrain, GP Sakhir, Sergio Pérez foi o primeiro a ver a bandeira axadrezada, para garantir a primeira vitória da carreira. Numa corrida completamente caótica, foi o mexicano que chegou à frente do estreante em pódios, Esteban Ocon (Renault), e de Lance Stroll (Racing Point).

Quem visse a primeira metade da corrida não percebia o que aconteceu. George Russell (Mercedes), arrancou na perfeição do seu segundo lugar da grelha, saltando para a liderança pela primeira vez na carreira. Mais atrás, Max Verstappen (Red Bull), também teve um excelente arranque, mas ao tentar desviar-se do choque entre Charles Leclerc (Ferrari) e Sergio Pérez, acabou por se tornar um passageiro, e não conseguir evitar as barreiras. Leclerc mais uma vez a mostrar ambição em demasia na primeira volta, e quase arruinou a corrida de Pérez que após parar atrás do safety car, caiu para último.

A partir deste momento, George Russell controlava a corrida com relativa tranquilidade, com Valtteri Bottas (Mercedes), incapaz de se aproximar. O homem que substituiu Lewis Hamilton este fim-de-semana a honrar bem o carro que herdou.

No pelotão parecia tudo bem, inicialmente Carlos Sainz (Mclaren), parecia o homem a bater pelo último lugar do pódio, mas lá atrás e cheio de gana, havia um mexicano…

Onde tudo ficou virado de pernas para o ar foi na volta 63 de 87. Após um despiste de Jack Aitken, o substituto de Russell na Williams, a Mercedes mandou parar o britânico atrás do safety car, com Bottas logo de seguida, uma manobra já executada pela Mercedes no passado e com sucesso. Contudo, desta vez tudo correu mal, com os mecânicos a colocar pneus de sets diferentes no carro de Russell, e afectando a pit stop de Bottas, que foi obrigado a sair com pneus usados com cerca de 20 voltas.

Russell teve de regressar às boxes para corrigir o erro, caindo na tabela. O britânico regressou logo atrás de Bottas, a quem mostrou as garras, com uma fenomenal ultrapassagem. Tudo parecia bem, Sergio Pérez seguia em primeiro, mas com Russell a aproximar-se, até que um furo obriga a mais uma paragem do piloto “emprestado” pela Williams, e o atira para fora do top 10, sendo que conseguiu ainda chegar a nono, que também está dependente da penalização dos comissários pela confusão dos pneus, que, no momento em que este artigo está a ser redigido, ainda não foi anunciada. Ou seja, nem num Mercedes, George Russell poderá ter a sorte de conseguir os seus primeiros pontos.

 

O caos foi a ordem do dia, e na confusão, vários homens do pelotão que tinham o pódio em vista, deitaram a hipótese fora devido a paragens mal calculadas. Um deles foi o quarto classificado Carlos Sainz (McLaren), que até a uma má paragem atrás do VSC, era o favorito para seguir Sergio Pérez, em vez de Esteban Ocon. Daniel Ricciardo também foi prejudicado pelas paragens, caindo para quinto, ao contrário do seu colega de equipa na Renault, que terminou no pódio. Outro azarado, foi Daniil Kvyat (Alpha Tauri), que executou uma corrida fantástica, e podia ter sido um dos beneficiados, contudo, terminou na sétima posição.

Alexander Albon teve mais um dia difícil, conseguindo apenas o sexto lugar. Sejamos honestos, com o caos, deveria ter aproveitado melhor tendo em conta a máquina que tem debaixo de si, e se Sergio Pérez é o principal candidato a ficar com o seu lugar na Red Bull, esta corrida não ajudou, de todo.

Os dois Mercedes de Bottas e Russell terminaram em oitavo e nono, respectivamente, e o finlandês não pode estar feliz com esta corrida, mesmo retirando o caos. Foi claramente batido por um piloto com apenas dois anos de experiência, a conduzir este carro pela primeira vez. No que toca a George Russell, a mostrar bem o que toda a gente dizia quando lhe chamam um futuro campeão. Isto foi a prova de que já está pronto para sair de um Williams para algo mais rápido.

A fechar os 10 primeiros está Lando Norris (McLaren). Após um início fabuloso, com 9 posições ganhas em poucas voltas, acabou por não sair do sítio, e ficar com um ponto solitário.

Este foi um grande prémio fabuloso. A Racing Point reaqueceu a luta pelo terceiro lugar do campeonato de construtores, voltando para a frente da Mclaren, agora com 10 pontos de vantagem, e Pérez, com esta vitória, dificilmente perde o quarto lugar no campeonato de pilotos. É cada vez mais frustrante ver um piloto deste calibre sem um lugar garantido para 2021. O nível que ele tem demonstrado desde que se soube que seria substituído por Sebastian Vettel, tem sido dos melhores da grelha, e isso merece respeito. Mais uma vez, Red Bull, não sejam parvos, a escolha é óbvia.

Foto de capa: Racing Point

Luís Manuel Barros
Luís Manuel Barros
O Luís tem 21 anos e é de Marco de Canavezes, tem em si uma paixão por automobilismo desde muito novo quando via o Schumacher num carro vermelho a dominar todas as pistas por esse mundo fora. Esse amor pelas 4 rodas é partilhado com o gosto por Wrestling que voltou a acompanhar religiosamente desde 2016.                                                                                                                                                 O Luís escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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