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É desta, Arsenal?

Pedro Machado · 4 min

É desta, Arsenal?

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O Arsenal começou a época 2014/15 da melhor maneira possível. Derrotou, no passado domingo, o Manchester City no jogo relativo à Community Shield (Supertaça Inglesa), conquistando o segundo troféu oficial em menos de três meses.

A superioridade sobre os actuais campeões da Premier League ficou bem patente durante toda a partida. Depois de ter inaugurado o marcador, numa altura em que já estava por cima, só teve de gerir o encontro, e nesse capítulo esteve irrepreensível, neutralizando o temível ataque do City, que não chegou a assustar as redes defendidas por Szczesny.

O segundo golo chegou de contra-ataque, e a vitória do primeiro troféu da época ficou confirmada com um golaço de Giroud, entrado ao intervalo. 3-0 do Arsenal ao City. Uma diferença significativa, surpreendente (pelas indicações dadas por ambas as equipas na pré-época e no final da época transacta), mas justa face ao que se passou dentro de campo.

Como é natural, e apesar de, normalmente, se desvalorizar um pouco este encontro, a imprensa inglesa começou a associar este resultado e esta exibição a uma manifestação de intenções dos londrinos relativamente ao título. Uma espécie de grito de afirmação, o assumir do papel de candidato à vitória de um dos mais competitivos campeonatos do mundo.

Giroud sentenciou a partida contra o City no passado fim-de-semana  Fonte: Daily Star
Giroud sentenciou a partida contra o City no passado fim-de-semana
Fonte: Daily Star

Parece-me prematuro fazer-se esse julgamento. O Arsenal encontrou uma equipa do Manchester City sem muitas das suas principais referências – Kompany, Aguero, Zabaleta, Sagna (provável titular nesta equipa) e Fernandinho formam quase uma “espinha dorsal” do onze dos citizens– e esta fase da época é muito estéril em indicadores para o que pode vir a ser a época de uma equipa, conforme se pode concluir pelos últimos vencedores da Supertaça de Inglaterra e a sua relação com as performances na Premier League.

Em 2011, o United superiorizou-se ao City neste encontro (3-2, dois golos de Nani), mas viria a perder o campeonato para o rival… no último minuto da competição; em 2012, o City manteve a cultura de vitória com que encerrou o ano transacto e venceu o Chelsea por 3-2 na Community Shield… mas este troféu foi de digestão difícil, pois viria a ficar a 11 pontos do primeiro lugar; no ano passado, dois golos de Van Persie deram o troféu ao United… que terminou a época 2013/14 num histórico (de tão mau) 7º lugar!

Concluir que o Arsenal pode ser candidato ao título através desta vitória é, pois, algo precipitado, sendo mais prudente avaliar aspectos como a profundidade do plantel ou os processos de jogos da equipa.

Começando pelo ataque, parece-me que, muito provavelmente, o Arsenal irá dispôr do manacial de opções mais forte desde que Thierry Henry passou (pela primeira vez) pelo clube, contando com: o regresso de um dos melhores extremos do mundo – Theo Walcott; a integração de um miúdo cheio de potencial e que poderá ter neste o seu ano de definitiva afirmação – Oxlade Chamberlain; avançados móveis, capazes de fazer todas as zonas do terreno, e com qualidade – Campbell e Podolski; um goleador em potência – Giroud; e um virtuoso, um génio da bola – Alexis Sanchez.

Todo este leque de “fogo” é apoiado por uma linha média ofensiva de grande qualidade (posição 8/10), encabeçada pelo mágico Ozil, secundado por nomes experientes como os de Arteta e Cazorla e por gente irreverente como Jack Wilshere e Aaron Ramsey.

Alexis foi o grande reforço para o ataque dos gunners Fonte: scotsman.com
Alexis Sánchez foi o grande reforço para o ataque dos gunners
Fonte: scotsman.com

Do meio-campo para a frente tudo parece estar bem. Porém, é na posição 6, e para trás, que a coisa começa a complicar para Arséne Wenger. É que, com o fluxo ofensivo que a equipa naturalmente terá, urge a necessidade de estancar um possível desposicionamento defensivo, um homem que “mate” toda e qualquer possibilidade de contra-ataque contrário, e esse ainda não existe, por mais que se queira fazer de Flamini esse homem. É certo que há Diaby, mas este vem de uma paragem longa, é muitas vezes assolado por lesões e parece não contar para Arsène Wenger (disputou 16 jogos em 3 épocas).

No sector recuado, o cenário não melhora. É certo que o quarteto defensivo continua a ter qualidade – Mertesacker e Koscielny são centrais ao nível de um clube como o Arsenal, e nas laterais Debuchy e Gibbs não destoam dos seus colegas do eixo… mas faltam substitutos. Para além de Nacho, capaz de “remendar” ambas as laterais, não há um jogador com provas dadas que possa substituir uma eventual lesão de qualquer um dos centrais e isso, numa época de uma equipa inglesa, em que o contacto físico é o pão-nosso de cada jogo, pode tornar-se caro.

Esta falta de profunidade defensiva pode ser decisiva para o resto da época. Capaz, mesmo, de comprometer o sonho de voltar a erguer o troféu da Premier League, fugido dos londrinos há uma década…

… mas o mercado ainda não fechou, e chegados dois centrais e um lateral de qualidade, acredito que este poderá ser o ano dos gunners.

Pedro Machado

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