«O mais importante da temporada foi a forma como o grupo reagiu em termos de liderança e união»: Entrevista Bola na Rede a Luan Patrick

Luan Patrick realizou a sua primeira temporada ao serviço do Estrela da Amadora, assumindo-se como opção regular no eixo da defesa dos tricolores. Em entrevista ao Bola na Rede, o defesa-central recordou o seu percurso na formação e a conquista do Mundial Sub-17 ao serviço do Brasil. O central brasileiro abordou ainda as mudanças no comando técnico do Estrela da Amadora e a luta pela manutenção, assegurada na última jornada frente ao Braga. Por fim, destacou o clube e os jogadores mais difíceis que enfrentou na Primeira Liga e projetou a próxima temporada no Estrela da Amadora.

«TATUEI A CONQUISTA DO MUNDIAL SUB-17 AO SERVIÇO DO BRASIL»

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Bola na Rede: Boa tarde, Luan. Antes de mais, agradecemos a sua disponibilidade.

Luan Patrick: Boa tarde. É um prazer.

Bola na Rede: Fizeste a tua formação no Athletico Paranaense, um clube com forte aposta na formação. Que importância teve esse percurso no jogador que és hoje?

Luan Patrick: Sim, acho que o Athletico abriu-me portas. É um clube com muita visibilidade, sobretudo na formação, e isso também me deu destaque. Tive algumas oportunidades no estadual, mas não tive tanta regularidade em termos de oportunidades no Brasileirão. Ainda assim, foi um clube importante que me proporcionou várias oportunidades.

Bola na Rede: Foste campeão do Mundo de sub-17 pelo Brasil. O que representou para ti conquistar esse título na tua carreira?

Luan Patrick: Para mim, foi uma conquista que até tatuei, porque marcou mesmo uma mudança na minha vida. Foi algo muito importante, sobretudo pela forma como aconteceu, ainda mais sendo uma conquista no Brasil. Acredito que isso abriu-me muitas portas, principalmente na Europa. Ganhei bastante visibilidade e, se não me engano, fui um dos únicos jogadores que fez todos os jogos, os 90 minutos. Isso deu-me também uma boa margem.

Bola na Rede: Nesse Mundial partilhaste o balneário com jogadores como Gabriel Veron, João Peglow e Yan Couto, que passaram por Portugal. Na altura, que impressão te deixaram enquanto jogadores?

Luan Patrick: São grandes jogadores. Naquela idade, com 17 anos, já eram associados a grandes clubes do futebol europeu. Por isso, o nível a que chegaram não é uma surpresa para mim, porque sempre vi neles potencial para isso. No dia-a-dia, foram sempre três atletas muito trabalhadores. Portanto, não me espanta nada o nível que atingiram.

Bola na Rede: Quando foste para o Red Bull Bragantino, emprestado pelo Athletico Paranaense, foste orientado por Pedro Caixinha. O que destacaste do treinador português e da forma como trabalhava?

Luan Patrick: O Pedro Caixinha sempre procurou um método de trabalho que eu aprecio bastante, que passa por treinos mais intensos. Isso foi algo sempre inquestionável nele. No dia a dia, percebia-se que era um treinador que valorizava muito essa intensidade e também o contacto. Por isso, sendo eu um jogador mais técnico, acho que também evoluí nesses aspetos. Melhorei bastante alguns comportamentos. E com ele, depois de tanto me chamar a atenção, acabei por crescer nesse sentido.

Bola na Rede: Tiveste um período complicado, sobretudo em 2024, em que estiveste vários meses sem competir oficialmente, desde março de 2024 até agosto de 2025. Como foi para ti lidar com esse tempo afastado das competições oficiais?

Luan Patrick: Foi um período difícil. Acho que tive de me apoiar em pessoas que me ajudaram a ultrapassar isso. A minha esposa esteve sempre do meu lado. Foi muito complicado, sobretudo por não poder fazer o que mais gosto. Tive alguns problemas contratuais, mas mantive sempre a disponibilidade. Tentei estar sempre no meu melhor nível físico e técnico. Sabemos que treinar à parte é diferente e mais difícil. Ainda assim, consegui rodear-me de pessoas boas, que não me deixaram baixar os braços e me ajudaram a continuar a procurar sempre mais. Para mim, isso foi fundamental.

Luan Patrick
Fonte: Hellas Verona

Bola na Rede: Chegaste a assinar pelo Hellas Verona, mas acabaste por não ter minutos. O que faltou para te conseguires afirmar nessa primeira experiência no futebol europeu?

Luan Patrick: Olhando com calma para a minha passagem por Itália, acho que não estava no meu melhor nível físico. Cheguei numa fase já perto do final da época e vinha de um período de um ano sem jogar no Athletico, o que fez muita diferença. Quando cheguei ao Verona, o clube ainda não estava totalmente estabilizado na primeira divisão. Se eu me colocar no lugar do treinador, também não colocaria um jogador que esteve tanto tempo sem competir numa equipa que está a lutar pela manutenção. Acho que esse foi um dos pontos mais importantes. Senti mesmo que não estava bem fisicamente, porque, por mais que estivesse a treinar individualmente, é completamente diferente do trabalho diário com o grupo. Essa foi a maior dificuldade na minha chegada. O período longo sem jogar acabou por pesar bastante. Ainda assim, foi uma experiência muito importante. Aprendi muito, sobretudo na parte da agressividade e da exigência física do futebol italiano. Não foi uma passagem tão feliz a nível profissional, mas trouxe-me muita aprendizagem.

Bola na Rede: Que diferenças encontraste entre o futebol brasileiro e o futebol italiano, sobretudo em termos de competitividade e estilo de jogo?

Luan Patrick: Acho que o futebol italiano é muito diferente do brasileiro. Senti que o italiano é mais físico, essa parte do choque foi bastante evidente. Já o futebol brasileiro é um jogo mais trabalhado e mais técnico. Esse é, para mim, o principal ponto de comparação. Ainda assim, o futebol italiano também tem uma forte componente técnica, não é apenas físico, existem grandes equipas e muita qualidade. Mas, se tivesse de de referir uma diferença entre os dois, seria essa.

«PRECISAVA DE UM RECOMEÇO E O ESTRELA DA AMADORA É UM GRANDE CLUBE DA PRIMEIRA LIGA»

 Bola na Rede: Quando surge a oportunidade de representar o Estrela da Amadora, o que te levou a aceitar este desafio?

Luan Patrick: Acho que eu precisava disso, de um recomeço. Estive cerca de cinco meses no Hellas Verona e senti que precisava de fazer uma pré-época para voltar a ganhar ritmo competitivo. Esse foi um dos principais fatores que me fez aceitar o desafio. Claro que o Estrela da Amadora é um grande clube da Primeira Liga, e isso também pesou. No fundo, tudo acabou por somar e não pensei duas vezes em vir para cá.

Bola na Rede: Esta foi a tua primeira temporada em Portugal. Que balanço fazes da época, tanto a nível pessoal como coletivo?

Luan Patrick: Acho que foi uma época com um misto de emoções. Individualmente, penso que foi uma das minhas melhores temporadas, aquela em que tive mais continuidade. Senti uma evolução jogo após jogo e consegui crescer bastante ao longo da época. Em termos coletivos, tivemos um grupo muito bom aqui. Apesar de ser uma equipa jovem, era muito qualificada e com boas referências. Houve também algumas saídas a meio da época, o que mostra também essa qualidade do plantel. Acabámos por deixar garantir a manutenção no final, mas isso não apaga a qualidade que este grupo tinha.

Luan Patrick Estrela da Amadora
Fonte: Bola na Rede

Bola na Rede: Antes de chegares a Portugal, que ideia tinhas da Primeira Liga? E essa perceção correspondeu ao que encontraste?

Luan Patrick: Sempre olhei para a Primeira Liga com bons olhos. Sei que Portugal já revelou grandes jogadores e continua a ser uma liga muito observada, precisamente porque tem muitos jogadores jovens e funciona quase como uma porta de entrada para a Europa. Por isso, vejo-a como uma liga muito valiosa. Quando surgiu a oportunidade, não pensei duas vezes, precisamente por ser uma grande liga e pela visibilidade que oferece.

Bola na Rede: O Estrela da Amadora teve três treinadores ao longo da época. Como é que o grupo lidou com essas mudanças constantes e em fases decisivas da temporada?

Luan Patrick: Sim, cada treinador que chegou tinha o seu próprio estilo de liderança, mas creio que o grupo sempre foi muito bom e esteve aberto a essas mudanças. Isso foi um ponto muito importante. Independentemente de quem chegava, a equipa esteve sempre disponível para abraçar o trabalho do novo treinador. Claro que não foi fácil, por todas as mudanças de sistema e de forma de jogar, mas o grupo manteve sempre essa abertura. Isso acabou por facilitar também a adaptação de cada treinador. Ter um grupo trabalhador e disponível faz sempre diferença nestes contextos.

Bola na Rede: O Estrela da Amadora começou a temporada com José Faria no comando técnico e, mais tarde, chegou o João Nuno. Que diferenças encontraste, tanto a nível tático como na liderança entre esses dois treinadores?

Luan Patrick: A principal diferença esteve sobretudo na organização e no modelo de jogo. Com um treinador jogávamos com linha de três centrais e com outro com linha de quatro. Com o João Nuno, tínhamos um jogo mais apoiado e mais associativo, a privilegiar a dinâmica do terceiro homem. Já com o José Faria, o jogo era mais de ligação direta e transição.

Bola na Rede: Numa fase importante e já na parte final da época, a equipa somou quatro derrotas consecutivas, incluindo jogos frente a Sporting e FC Porto e o João Nuno acabou por deixar o clube. O que sentes que correu menos bem nesse momento?

Luan Patrick: Acho que o mais importante foi a forma como o grupo reagiu em termos de liderança e união. Posso destacar o Renan, que era um dos jogadores mais experientes, e teve um papel importante nesse sentido. Nessa fase, o grupo acabou por se unir ainda mais. Já éramos uma equipa unida, mas percebemos que, independentemente de quem fosse o treinador, era uma luta nossa. Não havia muito mais a fazer senão manter-nos juntos, lutar até ao fim e acreditar até ao último momento. Foi mesmo até ao limite. E a verdade é que os adeptos também estiveram sempre connosco, a dar-nos força, o que foi muito importante nessa fase final.

Luan Patrick Isaac James Alverca Estrela da Amadora
Fonte: Pedro Barrelas / Bola na Rede

Bola na Rede: Tendo em conta o modelo de jogo do João Nuno, mais associado a um futebol apoiado e construção desde trás de que forma é que esse jogo potenciou as tuas características, sendo tu um jogador mais técnico?

Luan Patrick: A vertente técnica foi algo que trabalhei bastante com ele. Era um treinador que gostava de um jogo mais curto e apoiado, e é uma ideia com a qual também me identifico. Gosto dessa forma de construir desde trás. Senti que evoluí bastante com ele, sobretudo nessa componente mais técnica. Acabou por trazer muito esse modelo de jogo para a equipa e, além disso, também tínhamos um plantel com muitos jogadores técnicos, o que ajudava a que a ideia fosse melhor executada. Infelizmente, os resultados nem sempre acompanharam. Muitas vezes jogávamos bem, mas acabávamos por sofrer um ou dois golos que decidiam os jogos. Ainda assim, acho que fizemos grandes exibições na Liga.

Bola na Rede: Hoje em dia, com a evolução do futebol e a procura por um jogo mais associativo como o caso do modelo do João Nuno, os defesas centrais têm um papel cada vez mais importante na fase de construção. Olhando para isso, sentes-te um jogador mais importante dentro da equipa, sobretudo no jogo com bola, e confortável com essas exigências atuais?

Luan Patrick: Sim, sinto-me bastante importante nesse contexto. Claro que tenho também a parte defensiva, mas poder ajudar na fase ofensiva é algo muito positivo. É um tipo de jogo de que gosto bastante. Sentia-me relativamente livre para jogar, e o mister João Nuno dava-nos essa liberdade, sobretudo aos defesas, para tentarmos tirar o melhor de nós. Mesmo quando errávamos nos treinos, insistia para fazermos novamente, o que transmitia muita confiança. Isso acaba por dar mais leveza na hora de decidir em jogo. Eu sentia-me muito bem com essa forma de jogar, com a construção a começar desde trás pelos defesas. Nunca foi um problema para mim, pelo contrário, sempre me senti confortável nesse modelo.

«A CHEGADA DO CRISTIANO BACCI MUDOU O ESPÍRITO DA EQUIPA»

Bola na Rede: O que mudou na equipa com a chegada de Cristiano Bacci na reta final da temporada e que impacto teve no grupo de trabalho?

Luan Patrick: Acho que, quando o mister Bacci chega, muda sobretudo o espírito da equipa. Senti isso de forma clara. Não sei se foi também pela fase em que estávamos e pela situação do clube, mas houve uma mudança nesse sentido. Para além dos resultados, a forma como ele chegou e se impôs acabou por alterar a dinâmica do grupo. Jogadores que não tinham tantos minutos com o mister João Nuno passaram a sentir que podiam ter mais oportunidades, e isso muda sempre o ambiente. Até no próprio treino isso se sente: quando há uma mudança de treinador, há sempre uma nova energia, uma nova expectativa. No fundo, acho que o espírito da equipa mudou e isso também teve impacto em vários jogadores do plantel.

Bola na Rede: No primeiro jogo de Cristiano Bacci, em Moreira de Cónegos, a equipa esteve a ganhar por 2-0 e acabou por sofrer a reviravolta para 3-2. Que impacto teve esse jogo no balneário e como procuraram reagir mentalmente depois disso?

Luan Patrick: Estávamos a fazer um bom jogo, sobretudo a nível defensivo. A equipa não estava a conceder muitas oportunidades e estávamos a controlar nesse aspeto. Ainda assim, foi um momento difícil, sobretudo pela fase em que nos encontrávamos, com uma sequência de derrotas. O final do jogo foi particularmente complicado. Estar a ganhar 2-0, sem grandes sinais de perigo do adversário, e acabar por sofrer três golos em duas ou três desatenções foi duro. No final, sentimos todos bastante frustração. Houve jogadores mais em baixo, com pouca crença naquele momento, mas o mister Bacci e também os capitães tiveram um papel importante. Ele pediu-nos para não baixarmos a cabeça. Foi uma mensagem de força e liderança que acabou por ser importante para o grupo. Sendo um grupo muito jovem, esse tipo de liderança ajudou-nos a reagir melhor e a manter-nos unidos nessa fase.

Bola na Rede: Na tua opinião, mais do que a parte tática, sentes que foi sobretudo a liderança do Cristiano Bacci que acabou por ser decisiva para o Estrela da Amadora garantir a manutenção?

Luan Patrick: Creio que sim. Nesse final de campeonato, acabámos por abdicar um pouco de jogar bonito, porque, querendo ou não, estávamos a jogar bem, mas os resultados não apareciam. Então, foi algo que também conversámos entre nós: não precisamos de jogar bonito, precisamos dos três pontos, e acho que isso era o mais importante. Muitas vezes, durante os jogos, jogávamos bem, mas depois sofríamos um empate ou uma derrota. Com a chegada do Bacci, ele também organizou muito a nossa parte defensiva, trouxe algumas mudanças e ajudou-nos a estabilizar. Acabámos por perceber que, naquele momento, tínhamos de ser mais pragmáticos: jogar “feio”, se fosse preciso, mas ganhar. Acho que isso foi o que nos fortaleceu, porque começámos a defender melhor e, consequentemente, o nosso ataque também melhorou.

Luan Patrick Victor Froholdt FC Porto Estrela da Amadora
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Bola na Rede: A manutenção acabou por ser garantida no limite, num jogo muito exigente frente ao Braga com um empate a dois golos. Como viveste esse momento dentro de campo?

Luan Patrick: Saiu um peso gigante das nossas costas. Houve uma fase da época, se não me engano a meio ou no final, em que já nem estávamos cotados para o play-off se quer, e depois tivemos uma sequência muito negativa que trouxe esse desespero. Por isso, acho que foi mesmo um peso que saiu das nossas costas, até porque foi uma época muito difícil, com mudanças de treinador e tudo mais. Quando sofremos o segundo golo, demorou algum tempo até a ficha cair. Foi uma loucura

Bola na Rede: Antes dessa última jornada, tinham empatado 0-0 com o Famalicão em casa e já sabiam que o empate frente ao Braga poderia ser suficiente. Como é que a equipa encarou esse cenário e de que forma o Cristiano Bacci preparou o grupo para esse jogo, tendo em conta o objetivo da manutenção?

Luan Patrick: Nós trabalhámos sempre para vencer, independentemente do adversário. Pensávamos sempre em ganhar. Tivemos também as nossas oportunidades contra o Famalicão, contra o Braga… acho que criámos sempre situações de golo. Contra o FC Porto, sinceramente, acho que até podíamos ter virado o resultado pelas ocasiões que criámos na segunda parte, pelas oportunidades falhadas, recordo-me de duas do Abraham Marcus. Ou seja, fomos sempre criando e à procura do resultado, mas infelizmente os resultados não apareciam. E, pessoalmente, senti também que não íamos descer depois daquele lance do avançado do Famalicão, quando falha um golo praticamente em cima da linha. Naquele momento, falei com o Renan no balneário e disse-lhe: “a partir daqui, tenho a certeza de que não vamos descer, não é possível”. Porque muitas vezes nada nos corria bem: jogávamos bem, mas não conseguíamos ganhar, ou acabávamos por sofrer empates ou derrotas muito difíceis. Por isso, depois desse lance, senti mesmo que não íamos descer de divisão.

Bola na Rede: Sentes que esse jogo em Bragas acabou por refletir a resiliência da equipa ao longo da época?

Luan Patrick: Acho que sim. Esse momento de ir até ao fim teve muito a ver com a resiliência da nossa equipa, de estarmos juntos e acreditarmos até ao final. Foi isso que aconteceu: lutámos até ao fim e ainda conseguimos um empate que acabou por valer como uma vitória.

Bola na Rede: Há algum jogo desta temporada que destaques a nível individual?

Luan Patrick: Diria que o jogo contra no terreno do Santa Clara foi um deles. Também contra o Braga, no primeiro jogo. Contra o Famalicão também acho que fiz um grande jogo. Entre outros, esses são os que me recordo melhor e nos quais me senti mais confortável e em melhor nível.

Bola na Rede: Tens no balneário jogadores experientes como Renan Ribeiro, Jovane Cabral e Rodrigo Pinho. Que importância tiveram na tua adaptação ao futebol português?

Luan Patrick: Foram muito importantes para mim. Quando cheguei, o Miguel Lopes ainda estava no plantel, por isso foram pessoas que me ajudaram bastante. Principalmente o Renan, com quem fiquei mais próximo. Ele ajudou-me muito e foi-me orientando. O próprio Miguel, na minha chegada, recebeu-me muito bem, tal como todo o grupo. Mas lembro-me de um jogo de preparação em que tivemos uma conversa e ele deu-me algumas dicas, também por ser um jogador mais experiente e com liderança. Isso acabou por ser importante para mim e fez-me também mudar algumas coisas no meu pensamento, sobretudo na comunicação dentro de campo e na forma de liderar. Ele ajudou-me bastante nisso e ia-me sempre cobrando para falar mais e comunicar mais dentro de campo. Esse pessoal ajudou-me muito e, no geral, no Estrela da Amadora fui muito bem recebido. Isso facilitou a minha adaptação e também a minha estabilidade, incluindo a vida da minha esposa. Por isso, acabou por ser tudo mais fácil.

Luan Patrick Estrela da Amadora
Fonte: Bola na Rede

Bola na Rede: Desde a tua chegada ao Estrela da Amadora, e tendo em conta que referiste ter sido a tua época mais regular enquanto profissional, em que aspetos evoluíste mais no teu jogo? Foi sobretudo na liderança e na comunicação em campo, tendo em conta o papel de um defesa central, ou destacas outro ponto em particular?

Luan Patrick: Sim, essa regularidade, sobretudo. A cada jogo fui tendo mais confiança também. Mas penso que a maior evolução foi mesmo na parte da liderança e da comunicação. Apesar de ser ainda jovem, com 24 anos, o nosso grupo também era muito jovem e, de certa forma, eu tinha um pouco mais de experiência em algumas competições. Isso acabava por me dar também algum papel de liderança. Com o tempo, isso foi crescendo. Acho que evoluí bastante na forma como comunicava e o que queria transmitir aos jogadores ao meu lado. Mudou muito a forma como falava e como fazia chegar essa mensagem, principalmente para ajudar e para exigir.

«A MELHOR EQUIPA QUE ENFRENTEI NA PRIMEIRA LIGA FOI O SPORTING»

Bola na Rede: Olhando para a época do Estrela da Amadora, que jogador destacarias pelo impacto que teve na equipa, seja em termos de importância, de regularidade ou até de química dentro do grupo?

Luan Patrick: Em termos de química, dou destaque ao Bernardo Schappo. Em termos de jogo, entendíamo-nos muito bem e conseguimos criar uma boa ligação dentro de campo. Em termos de evolução, destaco o Otávio. Foi um dos jogadores que mais evoluiu desde que estou aqui. Quando cheguei, ele ainda era visto como um jogador de sub-23, um miúdo, até brincava com ele por isso. Mas a verdade é que teve uma grande evolução. Sempre foi um jogador muito disponível para aprender, perguntava, escutava e procurava melhorar, sobretudo com os defesas, comigo e com o Schappo. Acabámos por fazer vários jogos juntos e criámos uma boa relação dentro de campo.

Bola na Rede: Na tua opinião, qual foi a melhor equipa que enfrentaste esta época na Primeira Liga?

Luan Patrick: Na minha opinião, e pela forma como senti dentro de campo, foi o Sporting. Acho que foi a melhor equipa que enfrentei. É uma equipa muito bem treinada, que não abdica da sua forma de jogar.

Bola na Rede: E o jogador mais difícil que tiveste de marcar ou defrontar na competição?

Luan Patrick: Acho que há algumas coisas que mudam um pouco, porque quando jogávamos com três centrais, a maioria das vezes não era eu que marcava o avançado. Ainda assim, enfrentei grandes jogadores. O Samu do FC Porto foi um deles, deu bastante trabalho. É um jogador muito forte fisicamente, e foi dos que mais me chamou a atenção. O Quenda também foi o jogador que enfrentei mais diretamente. É um grande jogador, muito rápido, muito habilidoso e muito forte no um para um. Portanto, diria que esses foram os dois que mais me marcaram nesse sentido.

Bola na Rede: O Brasil vai agora disputar o Mundial 2026. Como olhas para o momento atual da seleção e o que esperas da seleção na competição?

Luan Patrick: Quando se trata do Brasil, a expectativa é sempre muito alta. Como brasileiro, coloco 100% da minha expectativa na seleção e acredito muito que possa conquistar o título. Ainda mais com o Ancelotti, trazendo essa influência do futebol italiano, acho que há muito para acrescentar. O futebol brasileiro tem muita qualidade, como se vê pelos nomes e pelas convocatórias. Por isso, a expectativa é mesmo elevada. Estou confiante de que possa vir o hexacampeonato.

Bola na Rede: Representar a seleção brasileira é um objetivo que tens bem definido para a tua carreira profissional?

Luan Patrick: Sim, claro que sim. Acho que qualquer jogador que sonha e ambiciona chegar ao mais alto nível pensa nisso, e eu também. Tenho a certeza de que posso lá chegar com muito trabalho. Claro que ainda há muito a evoluir e muitas coisas a melhorar, mas é um sonho que tenho.

Bola na Rede: Que objetivos traças para a próxima temporada, tanto a nível pessoal como coletivo no Estrela da Amadora?

Luan Patrick: A expectativa é alta. Individualmente, quero manter esse ritmo e essa sequência que tive na época passada, e continuar a evoluir cada vez mais. Em relação ao Estrela, o objetivo passa por fazer uma época melhor do que a anterior. Acho que esse tem de ser o nosso foco. Temos total capacidade para isso. Queremos fazer novamente uma boa época, mas de forma mais tranquila também, sem tantas emoções fortes como aconteceu na passada.

Bola na Rede: Obrigado pela entrevista Luan.

Luan Patrick: Foi um prazer.

Rodrigo Mora Luan Patrick
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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