O paradigma do jogador Mexicano

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Depois da péssima exibição da nossa selecção, da saída (já fora de tempo) de Paulo Bento e de muito se ter escrito sobre a realidade na Federação Portuguesa de Futebol (desafio o leitor a dar uma olhadela nos diversos textos já publicados no Bola na Rede sobre o assunto), voltamos à realidade de cada clube. Desta feita trago-vos um texto sobre um tema que me deixa realmente preocupado, muito mais quando acontece dentro do meu clube – o “paradigma do jogador mexicano”: no seu país de origem espalha magia, na selecção confirma os créditos com exibições de luxo e quando atravessa o Atlântico e aterra no Velho Continente não consegue igualar o nível que o levou a ser rotulado de “estrela”. Falo, em particular, de Hector Herrera. Porque se Diego Reyes é um jovem que actua numa posição em que ainda tem muitos anos para ganhar maturidade, Hector Herrera já está na idade de ser no clube aquilo que é na selecção: um monstro no meio-campo.

Elogiado por meio mundo pelas suas exibições no Mundial, o mexicano foi, inclusive, considerado um dos jogadores mais “apetecíveis” deste último mercado, devido à sua relação qualidade-preço. O campeonato começou e a expectativa em torno de Herrera não era elevada, era elevadíssima. Todos queriam ver nele o novo Moutinho, ao seu estilo, da equipa azul-e-branca. Mas não. Ou ainda não… Vemos o que já se conhecia: um jogador de requinte técnico acima da média, que gosta de aparecer em zonas de finalização e de fazer a bola balançar entre corredores e que a defender também demonstra ser útil na ocupação de espaços, mas que continua demasiado acanhado e escondido, com algum receio de dizer “eu estou aqui” e de assumir as rédeas do jovem meio campo azul-e-branco. Atenção, as suas exibições este ano têm sido francamente melhores que as da época passada, mas isso também é fruto da também melhoria qualitativa da própria equipa. A verdade é que ainda não se apresentou ao mesmo nível do que no último compromisso pela selecção mexicana (onde teve um pormenor delicioso, a fazer lembrar Zidane na forma como fugia dos adversários com a sua famosa finta).

herrera e reyes
Reyes e Herrera são presenças assíduas na equipa azteca
Fonte: sicnoticias.sapo.pt

Poderei estar a exagerar, mas vejo em Herrera um futuro jogador de topo com lugar em grande parte dos “tubarões” europeus. Mas para isso tem de explodir. E agora! Não quero ver no mexicano mais um Chicharito, um Ochoa ou um Giovani dos Santos. Quero vê-lo como um Rafael Márquez, um jogador que se afirmou sempre em todos os clubes por onde passou, inclusive no poderoso Barcelona.

Por outro lado, penso que a sua inclusão tardia no plantel dos dragões (teve autorização para se ausentar devido ao Mundial) também afectou na sua produção imediata na equipa. Lopetegui, com o tempo, conseguirá mostrar-nos o melhor de Hector Herrera e fazer do médio de 24 anos um autêntico motor no meio-campo da equipa, parece-me. A competência do técnico espanhol, aliada ao trabalho do jogador azteca, só pode dar bons frutos.

Numa época que se pode considerar de “tudo ou nada” para o Porto, os adeptos estarão mais exigentes do que nunca. E se a paciência se perdeu com Defour ainda na época passada, ditando a sua saída, então é bom que Hector Herrera pense nisso e comece a deixar a timidez dentro dos vestiários.

aboubakar
Permanece a dúvida: Aboubakar estrear-se-á amanhã?
Fonte: abola.pt

Para finalizar, e mudando um pouco de assunto, a deslocação a Guimarães deste domingo será interessante para aferir a capacidade de Lopetegui de gerir a equipa em vésperas de jogo de Champions sem perder a qualidade de jogo. Gostaria de ver Marcano, Quintero e Aboubakar a jogar, nem que fossem 30 minutos. Preciso de o ver o central espanhol a jogar para perceber o que vale, embora a dupla de centrais dos dragões esteja num impecável momento de forma e seja raro o técnico “rodar” a equipa nessa zona; quanto a Quintero, tenho receio que se torne num “novo” Iturbe e só espero não o ver perder-se na desmotivação de não jogar (o espaço para os “nº10” está cada vez mais escasso no futebol actual); em relação a Aboubakar, que vem para competir com um “tal” de Jackson, sei que tem imensa qualidade mas é necessário ver como se adapta a uma equipa cujo estilo de jogo não passe pelo contra-ataque. A ver vamos…

De resto, espero uma vitória num estádio sempre difícil como é o D. Afonso Henriques, frente a uma equipa que tem no “fazedor de jogadores” Rui Vitória o seu grande trunfo!

Redação BnR
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